iderar é decidir
Um Natal e Ano Novo muito difícil para os benfiquistas! 2 derrotas amargas no campo, 1-6 em golos com o rival FCP e a maior derrota do Clube na sua história: a sublevação vitoriosa do balneário despedindo um treinador.
Quando começou a época, afirmei aos "quatro ventos" que iríamos ser campeões. O melhor plantel (estava eu convencido…), um treinador experimentado, alguma pujança financeira proporcionada pelo sucesso do empréstimo obrigacionista e, porque não reconhecer, as debilidades financeiras dos rivais, sempre com dificuldades em reforçar as suas equipas.
A campanha para a Champions com a qualificação para os oitavos de final até acabou por ser "normal", dada a forma imperial como despachámos o Barcelona na Luz com 3 secos. Mas a partir daí, uma derrota com o Portimonense (bela equipa!) e, sobretudo, as derrotas e exibições com Sporting e Porto (2) fizeram-me "descer à terra". O campeonato, depois da eliminação da Taça, é matematicamente possível, mas todos temos de reconhecer que as probabilidades são reduzidas.
Ou seja, no futebol, espera-nos o Ajax e a Taça da Liga. O Sporting está "em todas", o FCP vai à Liga Europa e a sua eliminação (chata!) da Taça da Liga significa "mais descanso" para jogar o que interessa. Uma desilusão que se estende às modalidades que, com exceção do Vólei, somam derrotas sucessivas depois de muitas promessas.
Vamos ao cerne da questão nesta lista de dirigentes ora eleitos: liderança e gestão. Teremos líderes, indiscutivelmente temos gestores, mas o Presidente Rui Costa não vem demonstrando ser nem uma coisa nem outra, tendo sido eleito pelo que representa de benfiquismo, característica em si claramente insuficiente para liderar um dos expoentes máximos do desporto nacional.
Esta equipa de Gestão, herdada de um "vieirismo" do qual não se demarcou nas últimas eleições no passado mês de outubro, teve há dias um momento único para se afirmar: a telenovela Jesus/Flamengo! Infelizmente para o Benfica, geriu o dossier da pior maneira possível, cometendo tantos e sucessivos disparates que ficará indelevelmente marcada para o restante do mandato.
Rui Costa, sobretudo, desaproveitou essa oportunidade para demonstrar ser o líder que o Clube/SAD precisa neste momento. Sem cortar cerce esse namoro mesmo "nas suas barbas", permitindo inclusive que o treinador Jesus se encontrasse com os dirigentes do Flamengo a escassos dias de um jogo crucial no Dragão, mostrou tibiezas que ficarão impiedosamente "coladas à pele". Posteriormente, no rescaldo desse jogo, houve um levantamento de rancho contra o treinador Jesus, ao que dizem as notícias liderado por Pizzi (ou eventualmente por vários) e optou pelo despedimento do treinador… um descalabro completo, bem revelador da impreparação, não só de Rui Costa mas de toda a Gestão atual do Clube/SAD, incapaz de o socorrer neste momento.
O resto da época não vai ser fácil dado os 7 pontos de atraso para FCP e Sporting e apenas os jogos com o Ajax irão animar o panorama desportivo do Benfica. Mesmo a possibilidade da vitória na Taça da Liga é olhada com relativa indiferença pelos Sócios, mas curiosamente poderá ter inesperado significado futuro, se for obtida à custa do Sporting na final.
Em suma, estamos com Veríssimo, um jovem treinador com rótulo de provisório (porque inexperiente a este nível), temos uma Direção recém eleita que parece incapaz de transformar dificuldades em oportunidades. Veremos os próximos tempos, sobretudo as próximas semanas. Para começar, Rui Costa tem mais uma oportunidade, quiçá a derradeira, para afirmar a sua liderança, enfrentando o desafio de começar já a preparar o futuro, tomando a decisão de encontrar um treinador que, no meu entender, seja literalmente "de fora", líder e disciplinador, que no imediato estabilize a equipa. Depois, em conjunto, que ambos saibam aproveitar a janela de janeiro para corrigir as evidentes lacunas de plantel.
Se não for possível pelo menos ter este "golpe de asa", o resto da época poderá ser penoso e a perspetiva de novas eleições começará a pairar sobre Rui Costa, um jogador de eleição, um símbolo de benfiquismo mas que tendo já colada uma imagem de "permissível" durante o tempo em que esteve associado a LFV sem qualquer capacidade (ou vontade) de o contrariar, sentirá uma contestação crescente resultante dos Sócios não acreditarem ser o líder que o Benfica precisa.
Por Manuel Boto