O que se previa desde há muito, aconteceu com naturalidade… 3º lugar consumado, mais penálti, menos VAR, um lugar mais do que de acordo com o que (não) fizemos esta época.
Algures por princípios de fevereiro, escrevi uma linhas amargas, agrestes com a gestão do futebol profissional, revoltado com a inércia demonstrada durante a "janela" de janeiro. Incompreendido na minha amargura, gerei dissabores entre altos quadros, feridos no seu profissionalismo indesmentível.
O quadro que na altura tracei, para minha infelicidade benfiquista, veio a consubstanciar-se numa prática de exibições, umas claramente fracas, outras escapatórias sem brilho e, apenas três (3) a merecerem encómios e a proporcionar alegrias pelos resultados: Ajax, Liverpool e Sporting. Fizemos a festa ao passar a eliminatória na Arena de Amsterdão, em Liverpool quando recuperámos de 1-3 para 3-3 e em Alvalade, numa vitória indiscutível que até poderia ser mais ampla, houvesse um Benfica de ambição.
Nestes meses, Veríssimo deu tudo o que sabia, com um comportamento exemplar na condução da equipa de futebol. Quem dá o que tem, a mais não é obrigado. Só temos de lhe agradecer o empenho e compromisso indiscutíveis e verberar a Direção/Administração por tão cedo se ter conformado com o 3º lugar, sem qualquer rasgo quando o deveria ter feito para tentar chegar ao 2º lugar.
Conhecem a frase "you get what you plant"? Darwin era sempre manifestamente curto para almejar mais que o 3 lugar. Otamendi tem classe para o futebol lusitano e em equipas de bloco baixo ainda consegue brilhar. Mas… quem mais? Um plantel onde escasseiam jogadores com classe e velocidade, era difícil a Veríssimo fazer muito melhor.
Sendo Rui Costa um profundo conhecedor de futebol (porque o é indiscutivelmente!) sabe que a "espinha dorsal" de uma equipa é crucial para triunfos sucessivos e consistentes. Seja qual for o treinador que venha e Roger Schmit será por certo o próximo, precisa de "ovos para fazer omeletes". Dizem as notícias que Darwin vai sair porque o dinheiro é fundamental e talvez até outros lhe sigam o caminho. Se assim for, as compras terão de ser altamente criteriosas, cirúrgicas até, ou o mais certo é termos o Braga "à perna".
Não vão ser fáceis esses tempos de incerteza no planeamento da próxima época. A Champions e os seus milhões estarão ao nosso alcance se tivermos alguma sorte nos sorteios, mas sobretudo uma equipa competitiva, com jogadores de categoria nos vários setores. A dupla Rui Costa/Roger Schmidt tem os conhecimentos para identificar o que necessita, mas entre o deve e o haver das saídas e entradas, teremos capacidade financeira para atacar o mercado, sem a certeza das receitas da Champions?
Em suma, precisamos de investir para gerar receitas mas ao mesmo tempo de gerar receitas para poder investir. Pessoalmente, não hesitaria a investir, como primeiro passo para um futuro próximo de menores incertezas, até como "motor" de agregação dos Sócios à volta de um projeto. Precisamos de acreditar, precisamos de mudar mentalidades, aproveitando tudo o que de bom que já existe, a começar no Seixal.
Esta equipa que acabou de se sagrar campeã europeia de sub-19 tem um conjunto de miúdos que, depois de 2 ou 3 anos a rodar, podem garantir um futuro promissor e serem a base para enquadrar aquisições que sejam mais-valias desportivas e não apenas para os empresários. Os últimos anos dizem-nos quais são as políticas desportivas destes empresários: realizar rapidamente mais-valias. Rui Costa tem a oportunidade de inverter a imagem mercantilista das últimas direções, sabendo eu perfeitamente que os mercados e os cifrões ofuscam e inebriam os jovens jogadores.
Vejamos então o que as próximas semanas nos reservam até se iniciar a preparação da próxima época. A tranquilidade do planeamento desportivo tem de se iniciar dentro da SAD, com visão clara do pretendido, perceptível no exterior, entre os Sócios que, mais do que mudarem direções, anseiam por mudanças de políticas que proporcionem títulos que andam há demasiado tempo arredados. Ainda há demasiado vieirismo entre quadros e estruturas, pelo que é necessário mudar o "chip" ou seja, Rui Costa (com Roger Schmidt) têm pela frente uma oportunidade que não podem desperdiçar.
Até lá, ainda temos uns escolhos a contornar. LFV é indiscutivelmente o primeiro porque julga ainda ser alternativa ou talvez até acredita ser a única solução para desenvolver o futuro do Benfica, sem perceber que faz parte do passado. Pode fazer as delícias da comunicação social mas quanto mais falar, mais irá contribuir para ser hostilizado. Faria um grande favor a ele próprio se ficasse calado, a ser relembrado por tudo o que de bom deixou, porque quanto mais falar, cada vez mais será verberado pela filosofia transacional que incutiu no Benfica, prejudicando quantas vezes a vertente desportiva.
Outro, o próximo jogo com o FCP, para o qual fizemos um joguinho-treino na Madeira, sem intensidade contra 10 homens, qual grupo excursionista deliciado com as belezas naturais da ilha.
Caro Veríssimo, teremos de fazer um jogo intenso tal como aqueles que suprarreferi e que nos deram enormes alegrias! Contamos consigo para preparar adequadamente este jogo. Lembre-se de que os Sócios não gostam de festas do FCP na Luz e a vitória é o único resultado que ansiamos! Porque ser Benfica assim o exige!
Manuel Boto
Sócio nº 2.794 do SLB