Começo a escrever este texto escassas horas depois de terminar a "janela" de transferências de janeiro e três dias depois de termos perdido mais um troféu, desta vez a Taça da Liga, num jogo bem disputado contra um Sporting que mereceu ter ganho por uma razão simples: jogou melhor!
Infelizmente, esta época está a correr francamente mal a nível interno, particularmente nos jogos contra FC Porto e Sporting. Derrotas sucessivas, todas elas justas, todas elas reveladoras de que temos um longo percurso a percorrer para recuperar a diferença que nos separa daquelas 2 equipas. A acrescer a desilusão desportiva, as amadoras, cada vez menos amadoras, também não ajudam a esquecer os insucessos do futebol (nem sequer o voleibol…).
Regressemos ao futebol, o barómetro da vida do Benfica. Os Sócios, cada vez mais clientes do espetáculo futebol, desesperam. Depois de sabermos que teremos de continuar com Veríssimo até ao final da época, esperávamos que janeiro trouxesse umas surpresas positivas, umas aquisições que alimentassem a esperança de melhorias desportivas num futuro próximo. Ao invés, entrou um tal Coser para a equipa B, regressou um tal Yoni (quem?) e saiu um jogador da equipa B (Pedro Ganchas) para o Paços de Ferreira que por sua vez emprestou o seu melhor jogador para o FC Porto (Eustáquio). Satisfeitos? Eu, não só não estou satisfeito como suspeito fortemente que esta Administração da SAD e todos os que gerem o futebol (incluindo Rui Pedro Brás e Luisão) são, numa palavra, incompetentes.
Mas janeiro trouxe mais surpresas. LFV apareceu em Leiria, como que a anunciar a sua candidatura ao Benfica, qual sombra a pairar sobre esta Direção eleita há quase 4 meses. Vimos o até agora apático José António Santos a exigir um representante na SAD e a obrigar à criação de uma Comissão Executiva para exaurir influências ou até evitar que informação relevante saia da sala, sabe Deus para quem.
Mas houve mais: Textor meteu as garras de fora a tecer críticas sobre a transmissão televisiva da final da Taça da Liga e, neste aspeto, finalmente vi a Direção do Benfica produzir um Comunicado a qualificar este Senhor como "persona non grata" (aleluia!). Os argumentos para tal é que se calhar não poderiam ser mais infelizes, porque revelam bem o desnorte que por ali vai… dizer que que há coisas mais importantes como "a Cidade do Benfica" é mesmo revelador da inépcia dos seus dirigentes, ou se quiserem, da megalomania de uns quantos que em vez de se preocuparem com o essencial (como reconstruir o futebol) só "atiram bolas para o pinhal".
Mas "a cereja no bolo" do nosso descontentamento foi a triste notícia de que o Benfica não se iria constituir, por enquanto, assistente no processo que envolve LFV, uma informação recolhida de declarações dos advogados da SAD e, pelos vistos, bem aceite pela Direção do Clube e Administração da SAD. Os argumentos a sustentar tal posição que considero incompreensível são de que há que aguardar primeiro pelos resultados da auditoria forense em curso como se esta pudesse ter acesso a elementos essenciais para se aferir da sustentação de provas, como seja determinar se diversas transações se realizaram tendo apenas os interesses desportivos ou conseguir verificar quem foram os últimos destinatários (beneficiários) das comissões das transações dos jogadores.
Bem podem argumentar, bem podem referir que há ainda muito tempo para decidir se o Benfica se deve constituir como assistente do processo. Mas, de acordo com os interesses do Clube/SAD, particularmente na defesa dos valores que deveriam ser prioridade absoluta, o primeiro "statement" que se esperaria seria exatamente o contrário do agora propalado: o Benfica ser assistente do processo!
Já passaram mais de 100 dias desde que foram eleitos e o balanço dificilmente seria mais desastroso. A eliminatória com o Ajax pode ser uma oportunidade de reconciliação e todos desejamos que o seja. Mas, sinceramente, o otimismo "na malta" não é grande e terão de ser os jogadores e o treinador a devolver a esperança a quem sempre os apoia por todo o país, incansavelmente e com uma paixão que não sentimos correspondida.
Se escrevi até aqui este texto antes do jogo com o Gil Vicente, vou terminá-lo sob o peso de mais uma derrota que considero vexatória, não por termos perdido, mas pela forma justa como perdemos. No final do jogo, vimos o Presidente Rui Costa, desorientado e muito nervoso, vir à sala de imprensa assumir culpas próprias, mas simultaneamente atacar a arbitragem como se esta fosse a maior responsável pelas recentes exibições da equipa de futebol.
Ser Presidente do Benfica é o lugar mais prestigiante do Clube e quem o ocupa tem de o justificar. Pelo seu passado, pelo presente e pela esperança que pode transmitir para o futuro. Com intervenções destas, ficam mais as dúvidas do que as certezas de ser a pessoa certa para o lugar certo.
Termino, correspondendo ao seu apelo à união.
Caro Rui Costa: relembrando tantas conversas amigáveis que tivemos, deixe-me ajudá-lo e dar-lhe umas pequenas dicas para atuação imediata no futebol que eu inequivocamente faria se fosse Presidente:
- todos os jogadores responsáveis no balneário pela saída de Jesus teriam, a partir de hoje mesmo, 2 alternativas: (i) irem para a equipa B ou (ii) irem até à Turquia, Rússia, Polónia, Suíça ou Ucrânia, cujos mercados ainda estão abertos em fevereiro; problema dos respetivos empresários!
- sabemos que, em Portugal, nas circunstâncias atuais, será difícil encontrar o treinador certo para liderar uma equipa esfrangalhada; por exemplo, vire-se para Itália, dado que conhece melhor que ninguém em Portugal o mercado italiano e isso também significa conhecer os treinadores; mas o importante, qualquer que seja a nacionalidade, é que, no imediato, recrute alguém que saiba que, além de ser competente, tenha o mesmo espírito ambicioso que sei que tem; Custa dinheiro? Custa muito mais a inércia e marasmo em que estamos mergulhados.
- nomeie capitão de equipa, entre os jogadores que sobrarem, alguém que seja efetivamente líder de balneário.
As notícias referem que já nomeou Lourenço Coelho como novo responsável do futebol, o que me parece ser altamente positivo. Mas tem de afastar de imediato os anteriores responsáveis, para evitar equívocos (para não dizer outra coisa) mais que certos.
Temos de tudo fazer para tentar, no mínimo, o 2º lugar. Este 3º lugar, já nem sequer desportivamente é o 1º dos últimos, mas financeiramente poderá vir a ser (sem falar que já começamos a sentir o Braga a acreditar que nos pode roubar esta posição). O tempo urge e eu sou da escola antiga: podemos ter opiniões divergentes ou frontalmente opostas, mas o Benfica está muito acima das nossas "pessoalidades".
Com isto quero dizer, Caro Rui Costa, que os seus sucessos são os nossos (o nosso lema "E Pluribus Unum") e isto não vai lá "com paninhos quentes"!