Estes tempos têm sido difíceis para o meu Benfica! Desde a interrupção causada pelos jogos da Seleção que não acertamos o passo. Titubeantes com o Rio Ave, desastrosos com o FC Porto, ansiosos e desacertados com o Inter (2 vezes, mas com o segundo jogo já bem melhor que o primeiro), voluntariosos e infelizes com o Chaves, o percurso tem sofrido revezes, uns mais inesperados do que outros.
A realidade é que, hoje, temos 4 pontos de avanço sobre o FC Porto e 6 sobre o Braga. Já foram 10, hoje são apenas 4, mas anda por aí um desânimo entre as nossas hostes que me surpreende. Perguntem a qualquer um dos nossos rivais se não quereria trocar de posição connosco e a resposta afirmativa é por demais evidente.
Eu reconheço que, depois de 8 meses de sucessos, as últimas semanas têm sido descoroçoantes. Mas, como todos quantos andámos no desporto de alta competição bem sabemos, de nada adianta lamuriar porque nada resolve, apenas acentua a espiral de descrença. Só há uma receita: trabalhar com os jogadores, devolver-lhes a confiança abalada e, porque não reconhecer, ter um pouquinho de sorte nos jogos que se seguem.
A sorte ajuda muito, mas dá muito trabalho ter sorte! Por isso, Schmidt sabe bem que só a trabalhar poderá a equipa dar a volta à questão e retornar rapidamente e às vitórias. Neste ponto, há que ser justo e referir que o trabalho que se pede à equipa tem de ser o mesmo que se pede a toda a estrutura que tem de enquadrar e proteger a equipa para maximizar as probabilidades de vitórias.
Ora, até aqui, a estrutura também tem passado demasiado longe nos inêxitos, ou, melhor dizendo, poucas responsabilidades lhe têm sido assacadas. Se falarmos na venda de Enzo, todos concordaremos que quando alguém "bate a cláusula" e o jogador quer sair, não há alternativa possível. Mas sabendo dessa probabilidade, ou seja, de Jorge Mendes "atacar" em 30 de janeiro (a 24 horas do fecho), por que não nos adiantámos logo no princípio de janeiro e comprámos um substituto? Ou ainda, sabendo de outras lacunas no plantel, por que não as procurámos atempadamente colmatar? No fim da época, certamente ouviremos todas as explicações, espero eu com o 38 na lapela.
Mas a estrutura não é apenas futebol. Há uma parte financeira que tem de assegurar disponibilidades para jamais haver atrasos nos pagamentos, como tem exemplarmente sucedido nos últimos anos. Há a parte comercial e de marketing, que está a fazer um excelente trabalho, enchendo a Luz sempre com 50 mil ou mais espectadores e levando os adeptos a todos os estádios para a equipa se sentir apoiada em todos os jogos. E há a parte da comunicação oficial…
Nesta matéria, há que dizer que as comunicações dos clubes se têm caracterizado desde há anos por serem focos de guerra ou guerrilha, produzindo comunicados truculentos a propósito de tudo ou de nada. A do Benfica não tem fugido muito à matriz generalizada, pelo que fiquei surpreendido com a tardia reação a declarações de altos dirigentes do FC Porto sobre o VAR do jogo de Chaves, manifestando apreensão pela sua designação. Foi preciso o "caldo entornar" para, depois do jogo, vir dizer o que antes deveria ter sido reclamado até à exaustão, ou seja, que houve coação psicológica, uma das formas terríveis de assédio.
Ficaram 3 pontos em Chaves. Porque não jogámos o suficiente, porque por mais que tentássemos as pontarias estavam todas desafinadas ou porque Otamendi foi infeliz. Tudo tão verdade, como ter sido verdade que nos foi escamoteada uma grande penalidade aos 90+2’ e que o VAR não considerou. Tivesse a comunicação oficial do Benfica reagido antes do jogo, teria sido igual? Não sabemos, mas podemos especular e admitir que não, ou seja, também por isso ficaram os 3 pontos em Chaves.
Jogadores e treinadores que falham são substituídos. E os dirigentes? Nada sucede e passam incólumes? A tolerância para a incompetência tem limites e este caso deveria servir de exemplo para as exigências do profissionalismo, sejam quem forem os visados. Toda a estrutura tem de ser profissional e o Benfica não pode pactuar com amadorismo de dirigentes, sobretudo se são pagos principescamente e quando o seu "adormecimento" nos pode ter custado 3 pontos.
Faltam 6 jogos, sendo precisas 5 vitórias. Vamos a isso, este ano, o 38 será nosso!
Sócio nº 2.794