Mauro Xavier
Mauro Xavier

Daqui até à realidade

Ederson; Nelson Semedo, Luisão, Garay e Grimaldo; Matic, Aimar, Di Maria e Simão; Jonas e Cardozo. Não, espera aí, vou meter o Oblak em vez do Ederson e, se calhar, tiro o Simão e meto o Gaitán. Portanto, de novo e do zero: Oblak; Nelson, Lindelof, David Luiz e Coentrão; Javi Garcia, Enzo Pérez, Gaitan e Salvio; Rodrigo e Mitroglou.

Parece impossível, não pode ser. E ainda ficaram de fora Miccoli, Saviola e Jiménez, Petit, Renato Sanches e Salvio, Grimaldo, Leo e Júlio César. Podia continuar. É muita gente.

Não ando à procura de um onze do Benfica ao calhas, há aqui vários critérios. O primeiro é: jogadores que tenham representado o Benfica depois de a equipa ter regressado às competições europeias. Ou seja, durante e após a reconstrução da equipa e do próprio clube.

O segundo critério é que esses jogadores tenham participado em campanhas europeias dignas dos pergaminhos do Sport Lisboa e Benfica. Para tal, reduzi a escolha a cinco épocas: 2005-2006 e 2015-2016, em que o Benfica chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões – o que, não sendo extraordinário, é ainda assim honroso; 2010-2011, em que a equipa atingiu as meias-finais da Liga Europa; e 2012-2013 e a época seguinte, em que o Benfica não matou o borrego, mas sempre matou saudades de ir a finais europeias, coisa que não acontecia desde 1990.

Usei ainda um terceiro critério, que é o mais simples de todos: que sejam jogadores de indiscutível qualidade. Aliás, se não existisse o segundo critério, jogadores como Miguel, Witsel ou Ramires também entrariam nas contas, o que só dificultaria ainda mais a missão de quem pretendesse eleger um Onze ideal do Benfica desde que regressou à Europa – e foi a essa tarefa espinhosa e virtualmente impossível que eu me propus quando arranquei com o texto, mas da qual entretanto desisti, por ser manifestamente injusto escolher apenas 11 jogadores de entre tantos com tanta qualidade.

A ideia que importa reter do exercício anterior é a seguinte: após aquelas duas lamentáveis ausências consecutivas da UEFA, em 2001-2002 e 2002-2003, que foram o culminar de um processo de degradação desportiva e institucional que urgia estancar e inverter, o Benfica foi obrigado a renascer. E renasceu! Daquilo que era pouco mais que uma ruína, reconstruiu-se um clube capaz de elencar não um, não dois, mas pelo menos três grandes onzes europeus, e ainda ter banco de elevadíssimo nível.

Hoje, com a casa arrumada e um novo plantel recheado de valores, estamos, uma vez mais, de frente para a Europa, perante a possibilidade de chegar à fase de grupos da Liga dos Campeões. E temos de lá chegar. Porque, chegando lá, há uma coisa que ninguém nos poderá tirar, que é o sonho. De cada vez que ouvimos aquele hino e sentimos aquele frio na barriga, o sonho benfiquista cresce. De cada vez que o coração acelera enquanto a bola de estrelas se agita no relvado, o sonho benfiquista cresce. Quando o peito estremece e os olhos vibram de emoção no princípio de uma noite europeia, o sonho benfiquista cresce.

E é preciso que o sonho cresça até ser gigante e que se estenda até chegar longe, o mais longe que a esperança pode alcançar. Que esse sonho se agigante e que seja tão forte que um dia se torne realidade!

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