Paulo Marcos
Paulo Marcos Economista

Não nos resignamos!

Antes de mais, quero realçar o enorme salto qualitativo e quantitativo feito pelo Benfica nas últimas duas décadas. Profissionalização da formação e da gestão do futebol, recursos humanos muito qualificados, áreas de ponta no Marketing (comunicação, merchandising, novos produtos) e na capilaridade geográfica na relação com os sócios, entre as de maior destaque.

Num contexto muito difícil, em que um concorrente particularmente competente e inteligente exercia hegemonia a nível nacional e exibia-se, amiúde, a grande altura na Europa. Terem conseguido colocar o Benfica a disputar, taco-a-taco em Portugal, modernizando-o, foi a grande conquista de 2000 a 2014.

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Infelizmente, o que nos trouxe até 2014 não será capaz de nos levar para um novo ciclo, mais exigente pela ausência (ou afastamento) dos centros de decisão bancária (agora quase todos estrangeiros) dos clubes portugueses. E ainda pela pandemia e pela reação, ao nível da gestão e da matéria desportiva, de nossos concorrentes.

Quero um Benfica com a ambição de ser campeão europeu em futebol, masculino e feminino, de onze ou em pavilhão. Quero ambição, e não resignação. Que segure os jovens talentos, da formação ou de geografias desvalorizadas em termos de valor de passe, para os aproveitar desportivamente e financeiramente. Onde a componente desportiva seja prioritária, em detrimento de negócios e de rotações aceleradas de contratações.

Quero um Benfica que considere os sócios, as claques e as Casas do Benfica como o alfa e o ómega de toda a devoção, paixão e empenho. E não os olhe como clientes. Jamais.

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Quero um Benfica eclético, fortíssimo nas modalidades de pavilhão, e com presença relevante nas estradas e nas pistas. Ciclismo e atletismo, pois claro!

Quero um Benfica a controlar os seus direitos de televisão, cruciais em tempos de nova normalidade de pandemia, em que a míngua de outras receitas torna mais decisivo o tema televisivo.

Quero um Benfica maioritário na SAD e que não a ceda em troca de mirífica alavancagem financeira, que nada garante do ponto de vista desportivo, como vários maus exemplos em Espanha, França e Itália, ilustram.

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Quero um Benfica com valores, ética e um código de conduta para a gestão interna (para os dirigentes e os demais trabalhadores) e para as relações com terceiros (agentes, detentores de passes, fornecedores e prestadores de serviços).

Quero um Benfica dirigido por gente apaixonada pelo Clube, que transpire Benfica!

Que dispute a primazia desportiva com os grandes da Europa. De cabeça levantada. Por tudo isto, vou apoiar Rui Gomes da Silva.

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Por Paulo Marcos
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