A exceção e a regra
"Não é nossa estratégia investir dezenas de milhões de euros em alguém de 31 anos." A frase é de Varandas, à margem da Supertaça de andebol - o mesmo que quis Palhinha de volta em junho - e, como regra, subscrevo-a. Contratar jogadores sem retorno financeiro esperado é, em geral, má política: custam caro, não deixam nada no balanço e ocupam o lugar onde podia crescer um jovem com potencial de valorização. Foi assim com os empréstimos de Belotti, Bernat e Draxler. A exceção chama-se classe mundial: Otamendi chegou aos 32 e deu-nos seis anos, a braçadeira e um campeonato; Jonas chegou aos 30, a custo zero, e despediu-se com 137 golos; Di María voltou aos 35 e ainda fazia a diferença. A pergunta certa sobre Palhinha não é a idade - é com quem se parece. Não tenho dúvidas: com Otamendi e Jonas, não com Belotti ou Bernat. É o seis posicional que nos falta há anos, que Marco Silva conhece de cor do Fulham e considera fundamental. Se eu tiver razão, os 14 milhões a pagar ao Bayern nunca aparecerão numa revenda; aparecerão no rendimento dos outros, no espaço que uma equipa mais forte dá a Pavlidis, na liberdade que compra aos que têm potencial por converter. Varandas tem razão na regra, mesmo que motivada por dor de cotovelo. A arte está em conhecer as exceções.