Pedro Brinca

Pedro Brinca Professor de Economia

Gracias, Capitán

Estoril, minuto 16. Rafa empurra para o fundo da baliza o seu 100.º golo de águia ao peito, ao 344.º jogo — patamar que apenas 21 nomes alcançaram. Antes, Ríos abriu o marcador aos 7' e Bah dilatou aos 15'. Em nove minutos, o Benfica fechou o jogo e fechou uma Liga invicta, marcada por onze empates, terceiro lugar e dois pontos a separar-nos da possibilidade de acesso à Champions. Cabe nesta linha o paradoxo da época: nunca perdemos e ainda assim ficámos a olhar para os outros dois.

Os onzes de maio e agosto pouco têm em comum. Prestianni e, sobretudo, Schjelderup deixaram de ser apostas para se afirmarem como ativos de primeira linha — duelos, dribles e desequilíbrio que tantas vezes faltam quando o jogo encrava. Ríos consolidou-se: regular, fiável, decisivo a recuperar e a construir. Esta equipa, com retoques nos lugares certos, podia entregar uma temporada de sucesso. Continua, porém, a gritar uma lacuna: finalização contra blocos baixos. O problema, em 2025/26, nunca foi marcar quatro ao Real Madrid. Foi não marcar três a quem se tranca atrás. No Estoril, com 4,2 xG e 54 entradas na área contra oito do adversário, voltámos a depender de um médio, de um lateral e de um extremo. Falta um ponta-de-lança que decida sem espaço, no meio do amontoado. Não admira, por isso, que o rácio entre golos marcados e sofridos tenha sido o terceiro pior dos últimos doze anos.

Só que recomeça tudo. Mourinho está a um aceno do Real Madrid e regressamos à ronda eterna de novo treinador, nova ideia, novo discurso. Sem consistência institucional, ganha-se pouco — e perde-se muito da identidade que se vai esboçando. Marco Silva é o nome mais falado: pode fazer um excelente trabalho, mas não é, hoje, nome que entusiasme as bancadas. Venha quem vier, decida-se depressa. Preparar 2026/27 a tempo é meia época ganha.

Faltam-me palavras para dois 'adeuses'. Otamendi parte após seis épocas, a última com alguns erros, é verdade. Sejamos honestos: o Otamendi do auge não jogaria na Luz, jogaria no Bernabéu. Foi um galático, dos raríssimos campeões do mundo a defender as nossas cores em Portugal. Vão fazer faltar a sua liderança e a coragem perante a adversidade. Espero que António Silva e Tomás Araújo — a dupla que desejo no eixo em 2026/27 — tenham guardado tudo o que se aprende ao lado de um homem destes. Gracias, capitán.

E Pizzi. Quem gosta de desporto comoveu-se com a guarda de honra das duas equipas no momento da substituição. Quem é benfiquista há-de sentir saudades de um médio ofensivo que fazia exatamente aquilo que mais nos falta hoje: golos. Obrigado, Pizzi.

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