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Ricardo Costa
Ricardo Costa Chairman Grupo Bernardo da Costa

Entre a desilusão interna e o orgulho europeu

Chega ao fim mais uma época do SC Braga. Uma temporada intensa, longa, emocional e, acima de tudo, cheia de contrastes. Um ano em que houve noites europeias para recordar durante décadas, mas também demasiados momentos internos que deixaram os adeptos frustrados e com a sensação de que esta equipa podia, e devia, ter feito muito mais.

Não vale a pena branquear a realidade. No campeonato nacional, a época ficou muito aquém das expectativas criadas. O investimento realizado no início da temporada, a qualidade individual do plantel e a ambição assumida pelo clube obrigavam a mais. Muito mais. Houve demasiados pontos perdidos, demasiadas oscilações exibicionais e demasiados jogos em que a equipa não esteve à altura dos momentos decisivos.

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Ficar longe do pódio e terminar apenas com o apuramento para a Conference League não pode deixar ninguém satisfeito. Muito menos num clube que já pensa, trabalha e se estrutura como candidato a outros voos.

Também nas taças nacionais ficaram feridas difíceis de esquecer. A final perdida da Taça da Liga frente ao Vitória SC e a eliminação da Taça de Portugal perante o Fafe foram golpes duros numa época onde o Braga parecia ter condições para chegar mais longe.

Mas seria profundamente injusto olhar apenas para o lado negativo desta caminhada.

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Na Europa vimos um Braga enorme. Um Braga com personalidade, coragem e qualidade para discutir eliminatórias com qualquer adversário. As noites frente ao Betis, ao Ferencváros ou a extraordinária campanha até às meias finais da Liga Europa devolveram ao clube uma dimensão europeia que orgulha todos os bracarenses.

E há algo importante que esta época também mostrou: António Salvador não vacilou. Mesmo nos momentos mais difíceis, segurou a aposta em Carlos Vicens e acreditou no processo de crescimento da equipa. O treinador espanhol demorou tempo a conhecer o futebol português e a encontrar equilíbrios, é verdade. Mas também mostrou ideias, coragem e capacidade de construir uma identidade que, em muitos momentos da época, entusiasmou os adeptos.

Agora é tempo de refletir, corrigir erros e preparar o futuro. Porque o Braga já não vive apenas de boas intenções. Vive de ambição. E quem alimenta sonhos tão grandes sabe que não pode falhar tantas vezes nos momentos decisivos.

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Descanso merecido para todos. Voltamos ao contacto no início de agosto.

Boas férias e viva o SC Braga.

Por Ricardo Costa
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