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Depois de nove semanas consecutivas de competição, chegou finalmente uma pausa. Os compromissos das seleções nacionais, com Portugal envolvido na Liga das Nações, interrompem o campeonato durante três semanas e, no caso do SC Braga, talvez esta paragem não pudesse chegar em melhor altura.
Não apenas para descansar pernas. Sobretudo para trabalhar, pensar e corrigir.
Os últimos jogos deixaram sinais que não podem ser ignorados. O Braga tem qualidade, tem um plantel com muitas soluções e começou a época com bons indicadores, mas perdeu fulgor. A equipa tornou-se previsível, pouco vertical e, em alguns momentos, demasiado passiva. Carlos Vicens tem agora tempo para perceber o que deixou de funcionar e encontrar soluções. Porque quem assume que quer lutar pelos três primeiros lugares não pode estar satisfeito com o que tem apresentado.
Curiosamente, esta pausa coincidiu com a apresentação de números históricos fora das quatro linhas.
A SAD do SC Braga fechou a última época com um resultado líquido positivo superior a 17 milhões de euros e ultrapassou, pela primeira vez, os 100 milhões de euros de rendimentos, chegando aos 115,7 milhões. O EBITDA aproximou-se dos 40 milhões e os capitais próprios ultrapassaram os 86 milhões de euros.
São números extraordinários e que merecem reconhecimento. António Salvador e a sua administração têm conseguido transformar o SC Braga numa organização financeiramente sólida, capaz de valorizar jogadores, investir no plantel e nas infraestruturas e competir num mercado onde as diferenças para os três maiores continuam a ser enormes.
Mas o sucesso também aumenta a responsabilidade.
Quanto mais forte é o Braga fora do campo, maior tem de ser a exigência dentro dele. Uma SAD saudável, um investimento significativo e um plantel com esta qualidade criam legitimamente expectativas superiores.
As contas estão alinhadas com a ambição de um grande clube.
Agora falta garantir que os resultados desportivos também estejam.
Esta pausa deve servir exatamente para isso: descansar, corrigir e regressar mais forte.
Porque as boas contas dão estabilidade. Mas, no futebol, são as vitórias que alimentam os sonhos.
Por Ricardo Costa