Cronistas
Alberto do Rosário Consultor

A loucura das vendas

Findos os campeonatos, dispara a loucura de compras e vendas de jogadores e treinadores. Nem vale a pena prever o impossível, porque cada ano o impossível converte-se em possível e é a loucura à solta. Os milhões envolvidos deixam com tonturas até os mais habituados a lidar com tais montantes, é que constatamos que qualquer atleta do mundo da bola vale mais que o total da venda dos Novo Banco, BPN e Banif. Fantástico.

Em Portugal, os clubes não objectivam construir grandes equipas e muito menos apostarem no sucesso internacional. Entretêm-se e entretêm os adeptos com troféus internos, porque o supremo sucesso, para estes dirigentes, está na venda dos melhores jogadores para que o espanto da media faça o regozijo, não desportivo como deveria ser, dos adeptos. Mais de 100 milhões de receita é o enorme feito de cada ano.

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E nisto as épocas vão seguindo em molde de revisão de matéria dada e em cada uma que passa mais os clubes ficam circunscritos às competições internas, com a Europa cada vez mais fora do alcance das nossas desfalcadas equipas. E para onde vão tantos milhões? Não sei, para mim é um fundo mistério.

Sempre que me lembro dos enormes endividamentos dos três grandes, seria lógico e desejável que assumissem um projecto de eliminação ou redução, para números aceitáveis, das dívidas e, nessa decisão de boa gestão, a venda de activos teria de estar considerada, por inevitável. No entanto as dívidas lá continuam e os milhões evaporam-se sem que se espetem as estacas para alicerces sólidos de construção de grandes equipas europeias.

Brincar cá dentro é que é.

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Felizmente alguns jogadores e treinadores, a título individual, e a equipa nacional libertaram-se da pequenez dos nossos clubes e escrevem grandes feitos no livro de ouro do mundo. Valha-nos isso.

Por Alberto do Rosário
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