Ministro da defesa

1 - TRAZ no braço um primeiro sinal que o distingue na sociedade unida em que está integrado: a braçadeira de capitão. No comportamento em campo torna visíveis os sinais que o transformam em exemplo a seguir: a voz respeitada, os movimentos inteligentes, um estilo guerreiro e o temperamento destemido de quem joga em cada lance não apenas a dignidade pessoal mas sobretudo o bem-estar de todos quantos o rodeiam. No governo sombra criado no Bessa com o objectivo de preparar o assalto ao poder do futebol português, Litos já tem cargo definido: ministro da defesa. É justo que assim seja para quem é, neste momento, o melhor central da I Liga.

2 - NEM o Estádio do Bessa tem aspirações a sala de espectáculos como o Scala de Milão nem Jaime Pacheco pretende ser um alimentador de sonhos como Steven Spielberg - e muito menos entre os jogadores há quem se julgue Pavarotti, Carreras ou Placido Domingo. O Boavista é um exército de fé unido à volta de um ideal, composto por soldados que não têm medo, confiam nos valores da solidariedade e conhecem o significado da amizade; homens que não temem traições nem se assustam perante a iminência do sacrifício ou mesmo do sofrimento; uma equipa que respeita à sua maneira o compromisso com o futebol e está consciente dos contornos históricos do momento que vive.

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3 - NÃO é obrigatório elogiar a obsessão física que explica a dinâmica avassaladora, nem valorizar excessivamente a ordem inteligente que está na origem da máxima segurança. Podemos até desprestigiar como conceito redutor do espectáculo a prioridade quase doentia atribuída à táctica; aceitemos em suma que a disciplina tem peso excessivo e porventura inestético naquela implacável e incessante caça à bola. Sem argumentos financeiros para cair nos erros que arruinaram parceiros mais ilustres, no Boavista sobram ideias, rigor e espírito de missão. E depois há aquele grupo de gente sempre disponível, capaz de derrubar o que lhe aparecer à frente para cumprir a tarefa de bloquear a presa e aniquilá-la de repente com o efeito fulminante de um relâmpago.

4 - CONQUISTAR o título ao serviço da instituição onde nasceu, representará para Litos a possibilidade de viver uma sensação como a de Michael Schumacher se, por exagero, vencesse um Grande Prémio ao volante não do Ferrari mas de um Fiat 600. O capitão escolheu (ou o destino por ele...) ser rei na sua casa em vez de mero peão em tabuleiros mais luxuosos; resistiu sem dor aparente à saída de companheiros hoje mais ricos mas por certo menos felizes e encontra-se a um pequeno passo de atingir a meta impensável. Se lá chegar na frente do pelotão, admiradores ou não do estilo, é preciso que estejamos prontos para lhe dizer sem reservas, a ele e a toda a equipa do Boavista, aquilo que todos têm o direito de ouvir: muitos parabéns!

Figura -- Acosta

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Cada vez menos - Numa conferência em Lérida, um adepto perguntou a Cruyff, com ar preocupado, o que fazer com o filho ainda criança que tinha uma camisola do Barcelona com o nome de Figo nas costas. O holandês respondeu: “Podem chamar-te ‘pesetero’ ou madridista mas não te aflijas: eu estaria encantado de ter uma camisa dessas, até porque me parece que há cada vez menos.”

Perguntas - Pegando nessa resposta, consequência de um dos mais polémicos casos do futebol mundial de todos os tempos, em Portugal também há excelentes razões para fazer perguntas: como deve agir um adepto benfiquista que tenha a camisa 8 de João Pinto? Ou então, se quisermos antecipar cenários, o que fará um portista na próxima época com o 11 de Drulovic?

Confiança - Concentremo-nos agora no caso de Acosta, que no final do “derby” assumiu que está de saída de Alvalade. O “matador” já não é um garoto mas prepara-se para abandonar o Sporting deixando no exterior uma sensação ambígua: parece-me que o menor número de golos marcados está relacionado com a menor produção da equipa e o défice de confiança pessoal e não com as suas qualidades físicas.

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Histórico - Frente ao Benfica, Acosta fez um golo simples e falhou dois em lances nos quais teve força e velocidade para ficar sozinho diante de Bossio. Falhou apenas porque rematou torto. A memória dos homens é curta, mas por respeito a um título inesquecível, aqui vai o conselho a quem tenha a camisa 11 do “matador”: guarde-a e tente depressa valorizá-la com um autógrafo. O tempo é cada vez mais escasso.

Passe curto

Diogo viu o “amarelo” por falta que não cometeu e percebeu-se a revolta. Isidoro Rodrigues com a habitual exuberância mostra-o escudado em ar superior. Num jogo com mais de 60 faltas, sucessivas, feias e até perigosas, o juiz fez justiça no fim mas por linhas tortas, punindo palavras, simulações, toques na bola com o jogo parado, etc. Brincadeiras de mau gosto...

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O peso das bolas paradas é indiscutível no futebol de hoje. O Aves-Beira Mar (2-3) foi exemplar nesse capítulo: um golo de “penalty” e quatro de livre directo, dois dos quais apontados pelo aveirense Ricardo Sousa. Confirmação de que o filho do “mister” é mesmo uma das figuras da I Liga e sério candidato a um lugar no plantel do FC Porto na próxima época.

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Rafael chegou a perder-se no relvado do S. Luís. Ao cabo de 45’ em que foi inexistente (como o Paços de Ferreira) parou para pensar. Quando descobriu a saída do beco em que tinha caído causou uma hecatombe no jogo: contribuiu com três golos e principalmente com talento acima da média para a reviravolta no marcador de 1-0 para 1-4.

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Uma semana depois de ter feito chapéu a Poleksic, Edmilson fez mais que repetir a proeza nas Antas: aperfeiçoou-a. Fabuloso o lance do qual resultou o primeiro golo do Sp. Braga, resultado de um movimento que a maioria nem sequer admitiria como possível, prova de que o brasileiro é um bom exemplo da distracção dos grandes clubes portugueses.

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Lá por fora

Castroman é um jovem argentino à procura de espaço na Lazio e por consequência no grande futebol europeu. Não estava a ser muito feliz até ao momento, fora de horas, em que resolveu fazer história. O “derby” romano de domingo será recordado para sempre como o jogo em que Castroman levou meio estádio ao delírio e a outra metade ao desespero, selando o empate, a 25 segundos do fim, através de um grande pontapé de fora da área.

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