Na política, o diabo não encontra maneira de satisfazer desejos, mas no futebol tem andado à solta por Alvalade e Dragão, numa assombração de fazer cair o queixo de espanto ao menos crente na figura. O Sporting e o FCPorto, numa cena encabeçada pelos respetivos diretores de comunicação e com os média em caixa alta, cunharam um pacto do diabo. Foram assinadas as tréguas de paz e restauradas, para já, as relações diplomáticas. Parece brincadeira.
Ficou assim declarado o inimigo comum a combater, o adversário do estandarte vermelho, que, nos últimos quatro anos, tem vindo a cometer o crime, muito grave, de ser campeão nacional. Contra o ganhador, o pacto dos vencidos. São os dirigentes que temos.
Um FC Porto velho e em decadência, procura, em desespero, reviver um regresso impossível a um passado de glória, sob a batuta de dirigentes que não souberam sair. Nunca os dragões, nos últimos trinta anos, tinham falhado tantos treinadores em tão curto tempo, nunca os dragões tinham jejuado as faixas de campeão durante quatro anos. Dragão em sofrimento.
O Sporting é outra história. Nasceu mesmo para sofrer e não é coisa temporal. O velho carimbo " para o ano é que é" está gravado em pedra, com nuances no tempo. Nesta altura é a fase da turbulência, dos gritos na comunicação, das palavras sem medida, dos gabanços sem sentido e de resultados zero. A viver uma das piores épocas desportivas de sempre, sem estilo.
A estes FC Porto e Sporting, o Benfica só pode estar agradecido. E responde, competente, com o tetra. Teve colinho? Teve! Mas os colinhos, como a sorte, não estão sempre com os campeões? Ah, pois estão! O FCPorto bem o sabe.