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Cronistas
Daniel Oliveira Analista Político

Sabem o que fazer

As declarações de Jorge Jesus, no fim do jogo com o Belenenses, revelaram o seu mais desagradável traço de personalidade: o de menorizar os jogadores que não estão na sua lista de preferências para responsabilizar outros pelos seus fracassos. É pena, porque Jesus é o melhor treinador em Portugal. Mata-o a vaidade. Em resposta – ou não –, Bruno de Carvalho não lhe ficou atrás. Um presidente não se lamenta como se fosse um adepto, até porque a última responsabilidade é sempre sua. Não anuncia que tudo vai mudar, porque sendo ele que tem esse poder só vale a pena fazer anúncios no momento das mudanças.

Mas o problema não está nas declarações dos dois. Na realidade, não chega a haver problema. Há um círculo normal das coisas. Jorge Jesus entrou no Sporting com o mais alto salário em Portugal e um dos maiores do mundo. Salário que foi aumentado no fim da época passada. Teve direito a uma autonomia que poucos presidentes ofereceriam. No primeiro ano reergueu a equipa, no segundo esse trabalho não teve continuidade e é incompatível com o investimento feito pelo clube. Os treinadores anteriores não fizeram melhor mas não recebiam uma pequena parte do que Jesus recebe. O falhanço é de Jesus mas também é, porque a sua aposta não foi bem sucedida, de Bruno de Carvalho. Acredito que Jesus não queira repetir o estilo de divórcio que teve com o Benfica e que Bruno de Carvalho não queira repetir o que teve com Marco Silva. Assim sendo, e sem farpas ou amuos públicos, os dois sabem, como profissionais adultos, o que têm de fazer. Como sportinguista, agradeço a Jesus: foi um treinador leal e empenhado. Quanto a Bruno de Carvalho, tem um mandato pela frente, que o seu contrato com o Sporting é diferente. Um mandato para conquistar um título. Caso contrário, os sócios farão com o presidente o que o presidente virá a fazer com o treinador. Nos dois casos, de forma limpa e com gratidão.

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Por Daniel Oliveira
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