Linha de fundo

André Veríssimo
André Veríssimo Diretor do Negócios

A dose faz o veneno

Duas jornadas, duas vitórias dos três grandes, a costumeira supremacia face aos demais e a polémica das arbitragens e do VAR, que coube ao encontro entre Belenenses e FC Porto inaugurar, com duas 'mão na bola'. Ou serão duas 'bola na mão'? Matéria-prima para os muitos e acesos debates nos vários canais.

Na próxima jornada há dérbi entre Benfica e Sporting na Luz, os decibéis vão subir, como já subiram entre Benfica e FC Porto, com provocações de parte a parte: o futebol português em todo o seu esplendor.

Pode ser apenas sal, ou até por vezes um picante, que dão um tempero próprio a este prato tão típico cá da terra. O problema é que, em excesso, estragam a comida.

O último campeonato foi de excessos, palco de uma violência verbal e física sem precedentes, casos de justiça uns atrás dos outros, o desporto subjugado aos protagonistas que jogam fora das quatro linhas, ao ponto de causar repulsa. É imperativo que este campeonato seja diferente.

Ajuda que Bruno de Carvalho já não esteja na presidência do Sporting. As suas diatribes são já domínio da tragicomédia e o ator cada vez menos levado a sério. A equipa de futebol, mesmo sem encantar, vai conseguindo resultados positivos, apesar da imensa instabilidade interna, o que é digno de nota.

Mas mesmo Bruno de Carvalho saindo da boca de cena (do palco dificilmente sairá) há todo um outro 'status quo' que se mantém. Dirigentes incendiários, envoltos em mantos de suspeição na justiça. A influência excessiva e ilegítima dos empresários sobre os clubes, de que há tantos anos se fala, mas nunca muda.

O mesmo se passa com o poder inusitado e impróprio de alguns elementos das claques, algumas ainda ilegais. Por maior que seja a incivilidade - que amiúde descamba em violência - praticada por elementos desses grupos que deviam ter boa e não má fama, prevalece a impunidade, sobretudo da parte dos clubes. Continua a faltar coragem para resolver este tema, que é hoje 'o tema' da insegurança nos recintos desportivos.

O Governo aprovou, já em agosto, a criação da Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto e nova legislação com coimas mais elevadas e processos mais expeditos. Espera-se que seja aplicada de forma exemplar e traga a eficácia que até agora não existiu, sendo certo que nunca será, por si só, uma bala de prata.

Como dizia Paracelsus, o pai da Toxicologia, "é a dose que faz o veneno". Em demasia, mata. Infelizmente, há muita gente no futebol disposta a destilar a cicuta que o está a envenenar.

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