Cuidar do talento
Bate-se na mesma tecla recorrentemente: no desenvolvimento do futebol português, a aposta na formação é fundamental. Muitos, para não dizer a maioria, até referem que a sobrevivência do futebol nacional passa pelo bom trabalho nas camadas jovens e pelo aproveitamento dos jovens talentos.
O que se diz muitas vezes não se faz, apesar dos sinais exteriores nos darem indicações contrárias e a convicção de que podemos estar tranquilos porque estamos no bom caminho. É verdade, temos gerações de oiro e ainda agora fomos campeões europeus de sub-19, depois da mesma fornada ter conquistado o título no escalão abaixo. Sim, aparentemente podemos estar descansados. Mas o problema é que aproveitamento fazemos desses miúdos? Será que os vamos ver na nossa Liga ou irão eles – aliás, alguns já andam – para clubes ingleses ou quaisquer outros?
Nesta edição de Record temos material que nos faz refletir sobre o assunto. Também nos dá pistas em relação aos caminhos a seguir. A Liga Revelação – que amanhã se estreia a nível nacional – é um projeto que merece ser acarinhado mas que, como todos os projetos que acabam de nascer, vai ter de provar a sua utilidade. Descobrir talento muitas vezes não é difícil. Mais complexo é cuidar dele. E, mais difícil ainda, conservá-lo.