António Oliveira
António Oliveira Antigo selecionador nacional

Presente e futuro da Seleção

Nesta altura, Portugal prepara a sua participação em mais um Europeu de futebol. É tempo de recuperar energias, acertar agulhas e estar na melhor forma possível para encarar a competição. Será a sétima participação lusa na prova e a sexta consecutiva, dando continuidade a um trajeto iniciado pela Seleção Nacional em 1996 que, desde daí, nunca falhou presença nas fases finais a nível europeu. É com otimismo, mas também com pragmatismo que Fernando Santos encara o presente, sem descurar o lançar de alicerces para os anos seguintes.

Depois de uma entrada em falso na campanha de apuramento, a chegada do atual selecionador culminou numa aposta na experiência, reabilitando vários jogadores que não vinham a ser opção. Era uma altura em que muitos pediam uma renovação profunda na equipa das quinas e Fernando Santos encarou a questão de modo diferente: criar condições para uma melhor integração dos novos elementos, através da ajuda de um núcleo duro de jogadores ‘trintões’. O tempo, assim como as 7 vitórias em 7 jogos oficiais (e consequente qualificação para o Euro’2016), deu-lhe razão.

PUB

Ao mesmo tempo, o selecionador tentou apostar num esquema tático capaz de exponenciar as qualidades da equipa e, ao mesmo tempo, protegendo-a das suas fragilidades. E montou assim um coletivo que, além de estar a cumprir no presente, sendo uma equipa competitiva, está a permitir a entrada de novos talentos e a solidificar opções válidas para o futuro.

E é com natural ambição que Fernando Santos encara o Euro’2016, apontando a meta à presença na final. Apesar de não partirmos numa primeira linha de favoritos, é legítimo e até salutar que a nossa Seleção tenha os objetivos em alta. Temos uma equipa com jogadores de qualidade nas várias posições, alguns com larga experiência internacional e dois deles até chegam à prova ostentando o título de campeões europeus de clubes. E numa competição em que muitos especialistas apontam como uma das mais equilibradas de sempre, Portugal terá sempre uma palavra a dizer. Além disso, no passado, outsiders como a Dinamarca e a Grécia já conseguiram surpreender. Isso só prova que se pode chegar longe com trabalho e competência.

Este Euro’2016 será certamente o último para uma parte dos jogadores que compõem a Seleção. A motivação estará em alta, com todos a quererem deixar uma imagem positiva. E também por isso, esta competição marcará a transição e a abertura de portas para entrada dos novos talentos que, nos últimos anos, tanto têm dado nas vistas nas seleções jovens.

PUB

E nesta perspetiva futura há que destacar o papel e a importante presença de Ilídio Vale na equipa técnica de Fernando Santos. É grande e decisivo o seu contributo, em termos de conceção e coordenação, na implementação de um projeto integrado de formação nas seleções jovens que está a agora a dar frutos, ao fim de vários anos de intenso trabalho para se conseguirem alicerçar as condições que, certamente, nos irão permitir atingir patamares muito elevados a nível de seleções. Na minha opinião, trata-se do plano de formação mais profundo, mais elaborado e coerente que alguma vez tivemos.

O conhecimento inovador e a competência de Ilídio Vale serão, por isso, essenciais para os próximos anos, no sentido de se criarem as melhores condições para o processo de envolvimento destas novas gerações de talento nos planos da Seleção principal, que nos prometer dar grandes alegrias. No presente, também se joga o futuro.

O craque -- Confiança em alta para o Euro

PUB

Com todas as atenções centradas em Cristiano Ronaldo, pouco se falou do outro jogador da Seleção Nacional que se sagrou campeão europeu de clubes ao serviço do Real Madrid: Pepe. E num jogo em que a equipa merengue mais defendeu do que atacou, há que destacar a prestação do experiente central português. A vitória na Liga dos Campeões serve também para elevar os níveis de confiança do atleta para o próximo Euro’2016, onde será certamente uma das apostas de Fernando Santos durante a competição.

A jogada -- O desafio do novo timoneiro

Nuno Espírito Santo é agora o novo timoneiro do dragão. Uma escolha na mesma linha de outras do passado, a de um treinador ambicioso à procura do primeiro troféu, que neste caso em concreto já conhece bem a casa onde conquistou 10 títulos nacionais e internacionais como jogador. É um técnico motivador, que comunica bem e que pode ajudar a incutir o tal ADN portista que se fala que a equipa tem vindo a perder. Mais do que "ser Porto" é preciso passar das palavras aos atos: ter uma boa equipa e conquistar títulos. Como se viu na sua apresentação, Nuno tem plena consciência do desafio.

PUB

A dúvida -- Justiça que teima em ser lenta

Já com a época terminada em Portugal, acaba por ser ridículo que Slimani, que havia sido absolvido pelo Conselho de Disciplina, veja agora ser-lhe aplicado um jogo de castigo (por alegada agressão a Samaris) pelo Conselho de Justiça da FPF, que alterou a decisão anterior após recurso do Benfica e que terá implicações para a época seguinte. Factos que remontam a novembro do ano passado, por ocasião do Sporting-Benfica para a Taça de Portugal, deviam ter sido decididos de um modo mais célere. Porque é que isso não aconteceu? Conseguirá o novo elenco da FPF mudar esta lenta justiça?

Por António Oliveira
Deixe o seu comentário
PUB
PUB