Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Negócios da China

Desde que os mercados mundiais abriram, a economia chinesa tem ganhado um peso cada vez maior, sendo hoje uma das mais influentes a nível internacional. A consequente entrada de investidores daquele país nos mercados financeiros abriu a porta para outras áreas e o futebol não foi exceção. Estará aqui uma nova fonte de financiamento para o desporto-rei?

Ao nível do futebol, com o intuito de fazer crescer a capacidade dos seus jogadores e da respetiva seleção chinesa, temos assistido a um enorme investimento dos clubes locais na atração de estrelas do futebol mundial para a sua principal liga. Nomes como Scolari, Robinho, Demba Ba e Tim Cahill, assim como Drogba e Anelka num passado recente, foram contratados por clubes do país. E olhando para o mercado de inverno, a aposta promete ser maior nos próximos tempos, com dois jogadores conhecidos do futebol nacional, Ramires (ex-Benfica) e Fredy Guarín (ex-FC Porto) a protagonizarem transferências milionárias para a liga chinesa.

Depois de vermos alguns jogadores da nossa liga, como Kléber ou Mário Rondón, seguirem o caminho do Oriente, não será de estranhar que os atletas dos três grandes, para além dos tubarões europeus, passem também a constar na órbita dos endinheirados clubes chineses. E os primeiros passos nestas relações luso-chinesas começam a ser dados. Sucedem-se as notícias de protocolos de formação entre clubes nacionais e entidades do país mais populoso do Mundo, que sonha ser uma potência da modalidade. E há bem pouco tempo, antes dos acordos com MEO e NOS, chegou-se a falar da possibilidade de as camisolas de FC Porto e Sporting serem patrocinadas por investidores da China.

O dinheiro da China acaba agora por aparecer a caminho da 2.ª Liga. Sendo que o patrocinador é o mesmo que dá o nome às duas principais ligas do futebol chinês. Do ponto de vista financeiro, trata-se de uma boa notícia para os clubes da competição, que encontram assim mais uma fonte de receitas para os seus depauperados cofres. E há mesmo investidores asiáticos que estão a mostrar interesse em ser acionistas maioritários de alguns clubes nacionais.

A canalização de receitas para o futebol profissional português é importante, mas há limites que não devem ser ultrapassados. A imposição de atletas e treinadores chineses na 2.ª Liga, como chegou a ser falada no anúncio do acordo de patrocínio, seria um erro crasso e um tiro no pé para uma liga extremamente competitiva, que se começa a afirmar, tal como é seu objetivo, pela promoção e valorização do jogador português. Essa deve continuar a ser a linha condutora.

Apesar das dificuldades financeiras que vivem os clubes do segundo escalão, há que destacar o excelente trabalho que têm vindo a desenvolver com os escassos recursos de que dispõem. As presenças de Gil Vicente e Portimonense nas meias-finais da Taça de Portugal e Taça CTT, respetivamente, assim como a boa réplica dada por Famalicão e Feirense às segundas linhas do FC Porto nesta última competição, são exemplificativas da qualidade existente na prova e da projeção de novos talentos, muitos deles provenientes da formação dos clubes, sem esquecer os méritos das equipas B nesta matéria.
A China promete ser um novo ‘eldorado’ para o futebol face aos investimentos que se adivinham. Para os clubes portugueses há potencialidades a explorar desse facto. Mas que nunca se coloque em causa a verdade desportiva e a qualidade competitiva de todos os participantes.


O CRAQUE
Peça importante nas águias
O atual bom momento do Benfica tem Pizzi como um dos protagonistas. O internacional português voltou a jogar nas faixas com Rui Vitória e tem-se afirmado como um dos principais municiadores do ataque mortífero das águias. Nas últimas 4 jornadas marcou igual número de golos, sendo um elemento desequilibrador da equipa, por onde passam bastantes jogadas e assistências para os companheiros. Habilidoso, aguerrido e com remate fácil, o extremo tornou-se um jogador nuclear no onze encarnado. É claramente uma das faces da recuperação encarnada.

A JOGADA
Cortesia social
A Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) da Liga decidiu arquivar o 'caso dos vouchers de refeições' alegadamente oferecidos pelo Benfica a árbitros, delegados e observadores, considerando que se enquadra na "cortesia social", não diferente da "oferta de catering por ocasião dos jogos". Seria bom que, de uma vez por todas, ficasse definido o que podem ou não oferecer os clubes, dentro deste inovador conceito de "cortesia social". Contudo, perguntar aos árbitros, como fez a CII, se estas ofertas interferem nas suas decisões foi, no mínimo, caricato e inconclusivo.

A DÚVIDA
Como valorizar o ativo?
Depois de um Europeu de sub-21 em que foi uma das grandes figuras, o guarda-redes José Sá não foi aposta no Marítimo, vivendo na sombra do francês Salin. Ainda assim, não deixou de ser cobiçado por dois grandes e assinou pelo FC Porto. Uma promessa de futuro, mas que no presente vê o lugar tapado por Casillas e Helton (o mesmo aconteceria no Sporting). Mas trata-se de um atleta que necessita de jogar com regularidade numa equipa de escalão principal, para ganhar experiência e traquejo. Que espaço para jogar terá o guardião nos próximos meses?

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