Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Obrigados a ganhar

Um clássico é sempre um jogo diferente. Pouco importam os momentos anímicos das equipas e a boa ou má forma em partidas anteriores. Dentro de campo, a motivação e a vontade de vencer superam qualquer circunstância. É o chamado jogo de tripla, em que ambos têm argumentos para ganhar, aliado ao facto de que ninguém pode perder. E pelo atual estado das coisas na liga portuguesa, o Benfica-FC Porto que hoje se realiza tem tudo para ser um dos mais disputados dos últimos anos.

A derrota caseira com o Arouca complicou ainda mais as contas do FC Porto e os azuis e brancos para poderem ter uma palavra a dizer neste campeonato, ou até mesmo na luta pelo acesso direto à Liga dos Campeões por via do 2º lugar, não podem sair derrotados da Luz. Ganhar é o único resultado que manterá bem acesa a esperança de ser campeão este ano. Se pelo contrário a distância para o primeiro lugar aumentar para 9 pontos, as hipóteses de sucesso serão bem menores.

Com os portistas ainda em processo de adaptação às ideias de José Peseiro, a equipa apresenta-se mais solta na frente, sendo capaz de criar mais ocasiões de perigo, mas os últimos jogos expuseram alguns erros na transição defensiva que terão de ser corrigidos. Os dragões correm assim contra o tempo à procura da sua melhor forma e os atuais problemas de lesões no centro da defesa também não ajudam, o que obrigará o treinador a fazer alterações no setor. No entanto, a importância do jogo e a superação individual que normalmente estas partidas provocam nos jogadores, garantem um FC Porto certamente forte.

Para o Benfica, o jogo chega na melhor altura. Recuperou a liderança depois de estar a vários pontos de distância, tem apresentado um ataque mortífero e, neste momento, é a equipa da liga com mais vitórias conquistadas (17). Contudo, este jogo será um verdadeiro teste à consistência da equipa encarnada que, esta temporada, perante adversários de maior exigência não conseguiu impor o seu futebol. Frente a FC Porto e depois com o Zenit, poderemos confirmar se as águias chegam preparadas para estas batalhas.

O Benfica chega ao clássico igualmente pressionado para ganhar e não deixar descolar novamente o Sporting. Por coincidência, apresenta também condicionalismos no centro da defesa. Já o ataque apresenta-se na máxima força, com Jonas e Mitroglou a mostrarem estar de pé quente. Manterá Rui Vitória os dois avançados frente aos dragões? E como lidará a equipa com a previsível superioridade numérica dos dragões no meio campo? Dúvidas para tirar esta noite. Mas tudo indica que o duelo tático resultará num jogo aberto, com a bola a rondar as duas balizas, com águias e dragões a tentarem chegar ao golo.

Ao contrário do que aconteceu no ano passado, em que o Benfica apresentou uma postura mais conservadora, porque lhe bastava empatar para manter a liderança, este ano será diferente. Ambas as equipas precisam de vencer e até o empate pode acabar por ser um resultado penalizador. Adivinha-se por isso um jogo dinâmico onde quem marcar primeiro poderá desequilibrar as coisas a seu favor.
Por seu turno, o Sporting sabe que pode aproveitar esta jornada para ganhar vantagem sobre um dos rivais, ou até dos dois. Mas tem também um desafio difícil pela frente. As visitas à Madeira são sempre complicadas e o Nacional a precisa de pontos para se distanciar da zona de despromoção. Além disso, as dificuldades sentidas pelos leões em partidas recentes obrigam ao máximo cuidado.

O craque -- Central promissor

O Arouca tem-se destacado pela forma organizada e compacta como sabe defender. Um acerto defensivo que já lhe valeu vitórias sobre Benfica e FC Porto. E no onze dos arouquenses está a afirmar-se um promissor defesa central português. Com formação feita nos dragões e passagem pelo Braga B, Hugo Basto tem acumulado boas exibições no principal escalão, mostrando qualidade no jogo aéreo, velocidade e segurança na marcação. Um jovem jogador que, aos 22 anos, apresenta boa margem de progressão para chegar a outro nível competitivo.


A jogada -- Pontos de passagem

A ideia de que os clubes portugueses têm hoje menos referências é uma discussão presente. E um estudo do CIES – Observatório do Futebol confirma que a liga portuguesa é das que conta um tempo de permanência médio de um jogador mais reduzido: dois anos. O Benfica é o clube com a estadia média mais prolongada (2,63 anos) e esse núcleo duro pode ajudar a explicar o sucesso nas últimas épocas. No entanto, tal como Sporting (2,38) e FC Porto (2,13), está longe de equipas como Bayern (3,70), Real Madrid (3,91) ou Barcelona (4,20). Um assunto para refletir sobre como se gerem os plantéis em Portugal.

A dúvida -- Um novo paradigma

Com o futebol chinês a concentrar a atenção de todos pelos investimentos milionários, é bom notar que a rota das grandes aquisições também passa por Inglaterra. Com o novo contrato de direitos televisivos na próxima época, todos os clubes ingleses receberão um substancial aumento de receitas. Até uma equipa de segunda linha, que lute pela manutenção, terá poder de compra para vir buscar os melhores jogadores da nossa liga. A venda de Imbula ao Stoke City já foi um indício. As diferenças prometem acentuar-se. Aproxima-se uma mudança de paradigma no futebol europeu?






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