Sem margem para deslizes
Com um ponto a separar Sporting e Benfica na liderança do campeonato, o dérbi de amanhã promete ser um jogo de emoções, mas também de muito calculismo. Frente a frente estarão a melhor defesa e o melhor ataque da Liga, com ambas as equipas conscientes de que uma vitória pode significar um passo muito importante para a conquista do título.
Será a quarta vez que leões e águias vão encontrar-se esta temporada. Nas três vezes anteriores, o Sporting levou a melhor e parte para este jogo com a confiança anímica de já ter batido o rival sempre que o defrontou. No entanto, todos os jogos têm a sua história e o Benfica estará certamente interessado em mudar a tendência das partidas anteriores, pelo que motivação não lhe faltará.
Tendo o Sporting ainda de visitar FC Porto e Braga (as deslocações mais difíceis no calendário que lhe resta cumprir), este jogo ganha grande relevo estratégico. Uma vitória permitirá uma almofada de quatro pontos para os próximos desafios e representará uma prova de força e injeção anímica na candidatura ao título dos leões.
Na verdade, se alguém sair vencedor do dérbi, partirá para a reta final do campeonato como grande favorito à conquista do cetro. Dos três grandes, o Benfica é quem tem o calendário mais acessível, tendo já passado por Dragão, Guimarães e Braga. Pelo que uma vitória em Alvalade, ainda mais numa fase em que a equipa se apresenta em boa forma, pode embalá-la para o tricampeonato.
Duas equipas que se encontram praticamente no máximo do seu potencial, podem ajudar ao espetáculo. No entanto, é de prever que a estratégia das equipas possa ser mais pragmática. Num jogo onde ninguém quer perder, a vontade de anular o adversário pode imperar e resultar numa partida muito dividida, onde nomes como William Carvalho, Adrien, Renato Sanches e Samaris se podem destacar na batalha do miolo do terreno.
Um Sporting de grande produtividade atacante, que gosta de ter a bola, mas que tem marcado poucos golos, vai encontrar um Benfica que, pelo contrário, tem sabido aproveitar com tremenda eficácia o seu vendaval ofensivo. No entanto, e apesar das várias mexidas que têm sido forçados a fazer na defesa, os leões parecem mostrar maior segurança defensiva do que as águias, que perderam Luisão e Lisandro por lesão.
Como curiosidades do jogo de Alvalade, esta será a derradeira oportunidade da época para Rui Vitória vencer o seu primeiro clássico, e falta saber como se apresentará o Sporting de Jorge Jesus, que tem tido algumas exibições tremidas nos jogos disputados em casa. Além disso, o duelo de goleadores entre Slimani e Jonas também promete ser um excelente aperitivo.
Fora de campo, o dérbi já começou a aquecer com a guerra de palavras entre intervenientes afetos aos dois clubes. E a conversa ainda não chegou aos treinadores, que esta época se deixaram envolver entre provocações e ‘mind games’ desnecessários. Confesso que o dérbi tem muito mais interesse dentro de campo do que fora dele. E são os jogadores que fazem da modalidade o espetáculo que todos apreciamos.
Atento aos acontecimentos do dérbi estará o FC Porto. Mas para tal terá de cumprir a sua parte no outro grande jogo da jornada. Os dragões têm pela frente um jogo extremamente difícil em Braga (antevendo o obstáculo que terão na final da Taça) e sabem que uma vitória lhes permitirá aproximarem-se de um dos rivais, ou até dos dois em caso de empate em Alvalade. Todos partem sem margem para deslizes.
O craque – Referência atacante
Com a fasquia dos 30 pontos atingida, o Estoril está a realizar um campeonato tranquilo, tem praticamente a manutenção garantida e pode ainda sonhar com um lugar europeu. Léo Bonatini tem dado um contributo essencial durante a temporada. O jovem avançado brasileiro apontou mais de metade dos golos da equipa no campeonato e é uma das referências. Forte no jogo aéreo e rápido nas desmarcações, joga bem de costas para a baliza e tem mostrado acerto na finalização com 13 golos já apontados. Com 21 anos, a margem de progressão é grande. Para seguir com atenção.
A jogada – Vitória da competência
Não é todos os dias que se vê uma equipa sagrar-se campeã em fevereiro, quando ainda faltam quase 3 meses de competição. Ao leme do Olympiacos, Marco Silva juntou mais um título à sua carreira e está de parabéns. O argumento de que ganhar no atual campeão grego é fácil não colhe. A competência é essencial para o sucesso e há sempre metas para superar. E o treinador português apresenta um registo notável, apresentando mais 9 pontos do que os conquistados, por esta altura, pela equipa que era comandada por Vítor Pereira no ano passado.
A dúvida – Acabar com os ‘autocarros’
O treinador alemão Felix Magath, que já orientou o Bayern, sugeriu recentemente uma alteração sentido de fomentar um futebol mais ofensivo e atraente nos campeonatos europeus. No entender do técnico, se um jogo terminar empatado a zero, nenhuma das equipas devia somar um ponto, sendo este atribuído apenas aos empates com golos. Uma medida que visa acabar com estratégias muito defensivas e obrigar as equipas a marcar golos, proporcionando melhores espetáculos para os adeptos. Parece uma ideia interessante. Terá pernas para andar?
