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António Oliveira
Antigo selecionador nacional
01 setembro 2016 - 21:26

Responsabilidade acrescida

Logo a abrir, a Suíça não será tarefa fácil, até porque se trata, em teoria, do principal adversário

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Depois da vitória no Euro’2016, ainda fresca na nossa memória, o tempo não pára e é já na próxima semana que Portugal volta aos jogos a doer com o arranque da fase de apuramento para o Mundial’2018 que se disputará na Rússia. Num grupo em que somos a seleção mais cotada, as insígnias de campeão da Europa trazem ainda mais responsabilidade (no bom sentido) à nossa equipa, que terá de provar o seu favoritismo em campo e evitar deslizes inesperados.

A abrir as hostilidades teremos, provavelmente, o jogo mais complicado desta caminhada perante um adversário de imenso valor, que possui uma geração de jogadores talentosos e com experiência nas maiores ligas da Europa. A Suíça atingiu os oitavos de final do último Europeu, fase a que também havia chegado no Mundial do Brasil, o que demonstra uma equipa com capacidade para chegar aos momentos decisivos e potencial para ir longe nas provas. E é de registar que em França, esta equipa suíça empatou com os anfitriões e não registou qualquer derrota, sendo eliminada nas grandes penalidades pela Polónia.

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Será em teoria o nosso principal adversário na luta pelo primeiro lugar e certamente tentará fazer tudo para ganhar vantagem direta já no primeiro jogo, que se realiza no seu reduto, onde tradicionalmente é muito forte. Por tudo o que está em causa será importante que Portugal consiga entrar nesta fase de qualificação com o pé direito através de um bom resultado. Ganhar é sempre um objetivo, mas perante um rival direto, mais importância ganha.

Para o selecionador Fernando Santos, a meta da qualificação passa também por evitar as tradicionais contas em cima do joelho que assolaram a equipas nacionais em apuramentos anteriores. Serve de memória o recente empate (3-3) com a Hungria no Euro, oponente complicado que também vamos encontrar na luta por um bilhete de entrada na Rússia em 2018. Não pode haver, por isso, lugar a facilitismos, sob pena de termos de voltar a ficar de calculadora na mão até ao último minuto.

Aproveitando o núcleo duro que venceu o Euro, Fernando Santos tem aqui um bom ponto de partida para moldar o grupo com que irá trabalhar ao longo dos próximos 2 anos. Face ao talento demonstrado pelas recentes seleções jovens, não lhe faltará matéria-prima para potenciar a Seleção. Depois de elementos como Raphaël Guerreiro, João Mário, Renato Sanches ou Bernardo Silva, entre outras apostas, chega agora a vez de João Cancelo e André Silva também fazerem parte dos eleitos.

João Cancelo cresceu imenso ao longo das últimas épocas na liga espanhola e é hoje um jogador chave na equipa do Valencia. Um lateral moderno, que defende bem e que sabe aproveitar a faixa para apoiar no ataque. Aumenta assim o número de soluções para a lateral direita. Por seu lado, André Silva começa agora a ganhar o seu espaço no FC Porto e pode ser a solução que historicamente tem faltado a Portugal na posição de ponta-de-lança. Jogador forte na desmarcação e no controlo da bola, com boa resposta física nos duelos com os defesas contrários, tem apetência pelo golo e sabe também abrir espaços para os companheiros.

São dois atletas em processo de crescimento e que poderão dar importante contributo à Seleção nesta campanha. Um caminho que terá dificuldades, mas que com humildade, concentração e respeito pelo adversário, tem tudo para nos manter com um lugar nas grandes provas do futebol mundial. E não esquecer que, no final desta época, teremos uma inédita participação na Taça das Confederações…

Craque – Oportunidade para Eduardo

Eduardo é um dos bons guarda-redes nacionais que nem sempre teve sorte na carreira a nível de clubes. Deu nas vistas no Braga, chegou à Seleção e deu o salto para o futebol italiano. A má experiência trouxe-o emprestado ao Benfica, mas não conseguiu ser titular e acabou por ir jogar em ligas menores como a turca e a croata. Chega agora, aos 33 anos, a oportunidade única para jogar na liga inglesa num grande clube como o Chelsea. É o reconhecimento do trabalho de um guardião competente e com talento para jogar ao mais alto nível.

A Jogada – Reforços inesperados

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O fecho do mercado ficou marcado pelo frenesim das contratações de última hora. Muitas entradas e saídas, algumas contratações surpreendentes (como Markovic no Sporting e Douglas Coutinho no Braga) e outros negócios que acabaram por não acontecer. Nestes casos, talvez tenham surgido inesperadamente dois dos melhores reforços da época na liga portuguesa. De cabeça limpa e novamente com o chip focado nos objetivos dos seus clubes, Adrien e Brahimi podem ser muito importantes para as temporadas de Sporting e FC Porto, respetivamente.

A Dúvida – Regular a confusão

Falou-se em jogo, leilão, vários destinos, mas na verdade foi uma verdadeira confusão. Todo o processo da arrastada transferência de Rafa para o Benfica mostra que algo vai mal nas transferências do futebol. Quando uma entidade terceira (que não o jogador) tem o poder de bloquear uma transferência acordada entre clubes, devido a uma comissão, o caso vem demonstrar a necessidade de uma maior regulação das federações nesta matéria. A FIFA até já fixou um teto às comissões dos empresários, mas parece que ninguém quer saber. Que passos se poderiam dar para evitar estas novelas?

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