António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Liderança em jogo

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A poucos dias de se iniciarem os trabalhos da Seleção Nacional naquela que será a jornada decisiva na luta pelo apuramento direto para o próximo Mundial, nada como um clássico Sporting-FC Porto a servir de aperitivo já na jornada que se segue da nossa liga. O primeiro clássico da época coloca frente a frente as duas equipas que seguem no topo da classificação e que melhor futebol têm apresentado. Ingredientes que fazem perspetivar um grande jogo.

Os quatro primeiros classificados do campeonato defrontam-se em pleno dia de eleições autárquicas, tema que merece reflexão, já que muitos entendem que o futebol afasta eleitores das urnas e pretendem impedir a realização de jogos nestes dias. No entanto, os contributos do futebol para a abstenção estão por confirmar. Há tempo para tudo e, havendo bom senso entre todas as partes (coordenando datas e horários em conjunto), é possível votar, ir ao futebol, à igreja e até ao supermercado, sem que isso prejudique ou impeça o exercício de cidadania.

Voltando ao embate entre leões e dragões, a questão inicial passa pela condição física. As equipas vão conseguir apresentar-se na máxima força depois de uma jornada europeia exigente, ou vão acusar um certo desgaste? É uma variável que pode muito bem influenciar a qualidade do espetáculo. O Sporting acabou derrotado pelo Barcelona com um autogolo, mas ficou a sensação que podia ter conseguido mais qualquer coisa. Já o FC Porto teve uma grande noite no Mónaco, mantendo viva a ambição de chegar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões.

Os dragões vêm à capital moralizados com o forte arranque de temporada e uma grande vitória sobre o campeão francês, mas jogarão num estádio onde não vencem na Liga desde a época 2008/09. Trata-se de um ciclo de oito jogos sem ganhar em Alvalade, com quatro empates e quatro derrotas, que Sérgio Conceição estará apostado em terminar. Uma vitória no reduto do rival pode ser um importante tónico para os próximos jogos e o cimentar da liderança para os dragões, sendo certo que o empate também a 1.ª posição.

Para o Sporting este jogo também vale a liderança isolada, pelo que só a vitória lhe interessa. A equipa vem de uma série de três partidas sem vencer (com Moreirense, Marítimo e Barcelona), estando Jorge Jesus a contar regressar rapidamente às vitórias, para que não perca embalo anímico. E perante um rival direto, a motivação é ainda mais especial.

Trata-se de duas equipas que, pela forma como jogam habitualmente, poderão facilmente encaixar uma na outra. No entanto, face à variante tática que o FC Porto apresentou no Mónaco, é possível que dragões repitam essa estratégia. Tudo depende das dinâmicas das equipas e da abordagem que os treinadores quiserem ter no jogo. Frente a frente estarão os dois melhores ataques e defesas da Liga. Equipas que criam perigo com facilidade, mas que também sabem defender com segurança. Poderão ser pormenores a decidir a partida (um lance individual, uma bola parada, etc.), mas há garantias de um jogo disputado e recheado de emoção.

Horas mais tarde, e já conhecedor do resultado do clássico, entra o Benfica em campo. Após a goleada na Suíça, jogadores e treinadores querem que a próxima partida venha o mais depressa possível para esquecer o descalabro, mas o desafio que se segue não será nada fácil. O Marítimo não perde em casa há mais de um ano e será um osso duro de roer. E só com uma vitória é que as águias se poderão aproximar de um (ou dos dois) rivais da frente.

O craque -- Um talento vindo do Oriente

Nakajima chegou a Portugal há cerca de um mês e já dá nas vistas. Este médio-ofensivo que o Portimonense foi buscar ao Japão leva três golos em igual número de jogos na Liga, mas as suas exibições impressionam ainda mais do que os números. O jogador nipónico, internacional olímpico e uma das grandes promessas do seu país, tem estado em destaque pela velocidade, destreza e bom remate, assim como pela inteligência com que ‘fura’ as defesas contrárias. Mesmo em palcos como a Luz e o Dragão, deixou a sua marca. Um talento para ter debaixo de olho.

A jogada -- Excedentários sem jogar

A colocação de jogadores dispensados nem sempre se processa da melhor forma. Por vezes, as vontades de clube e jogadores não entram em sintonia e acaba por não se conseguir encontrar a melhor solução para ambas as partes. Não deixa de ser estranho que um jogador como Bryan Ruiz, peça importante no Sporting dos últimos dois anos, esteja agora impossibilitado de jogar, já que não faz parte das opções de Jorge Jesus. Douglas, Alberto Bueno (FC Porto) ou Hermes (Benfica) são outros excedentários à procura de espaço. Deveriam as regras precaver uma solução especial para que jogadores nesta situação pudessem ser inscritos de imediato por outro clube?

A dúvida -- Acabar com guerrilhas

Todos atiram pedras. Todos têm telhados de vidro. E a todos interessa criar ruído que possa distrair os adeptos dos problemas que têm internamente. É esta a realidade portuguesa, sobretudo potenciada pelos três grandes do nosso futebol, que com as suas máquinas de propaganda cada vez mais ativas têm extremado posições. O presidente da Federação, Fernando Gomes, pronunciou-se contra este ambiente, mas é preciso mais do que isso. Há que tomar medidas concretas para travar os "sinais de alarme". Mas qual a solução ideal? Essa é a grande questão.

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