António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Os donos da bola

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De regresso, temporariamente, à liderança do Sporting, Sousa Cintra abordou esta semana o papel atual que desempenham os empresários no futebol. Um comentário interessante, porque nos permite comparar com uma realidade muito distante daquela que o responsável conheceu nos tempos em que presidiu o clube leonino entre 1989 e 1995. O impacto destes agentes desportivos é hoje muito maior no quotidiano do futebol nacional e internacional.

"Os clubes, hoje, estão presos aos empresários, uns sem escrúpulos nenhuns. Lidar com empresários sempre foi complicado, mas agora tornou-se um requinte muito grande. Hoje é uma coisa, amanhã outra, depois existem os outros clubes… É uma novela que nunca mais termina." As palavras do dirigente leonino acabam por marcar as diferenças entre duas épocas distintas. Ao contrário do passado, em que os agentes iam sendo vistos como parceiros de negócio, que ajudavam os clubes a desenvolver a sua atuação no mercado de transferências, hoje isso já não acontece do mesmo modo. As regras do jogo mudaram consideravelmente.

Os agentes gozam de uma maior autonomia, têm uma agenda e planificação próprias (na escolha dos jogadores e das apostas que querem fazer em determinada temporada) e acabam por impor essa vontade aos clubes. Por exemplo, os 'timings' para se efetivar a venda de um ativo nem sempre são coincidentes. Aos clubes, pode ser benéfico que um jogador se valorize ao longo de ciclos de 3, 4 anos, de modo a ter um valor de mercado maior no momento da sua venda. Por seu lado, como temos visto, ao fim de uma temporada como titulares, são muitos os jogadores que acabam agora por ser vendidos, porque os agentes acabam por 'encontrar' oportunidades de negócio, acabando por convencer os atletas com a procura de melhores clubes e/ou salários.

A dificuldade em conciliar interesses de clubes e empresários na gestão de carreira dos atletas, acaba por ser um dos maiores problemas que o futebol enfrenta atualmente. Numa indústria que movimenta cada vez mais milhões nos principais mercados, é legítimo que todos procurem o melhor para si, mas os interesses de todas as partes envolvidas nem sempre saem devidamente defendidos, penalizando os clubes em parte dos casos.

Praticamente todos os jogadores são hoje representados por um agente, seja um craque de top mundial ou um atleta desconhecido, quase nenhum dispensa os préstimos de um empresário. E muitos clubes também acabam por recorrer aos seus serviços, assinando procurações para intermediação de negócios ou mesmo contratos de 'scouting' para descoberta de novos talentos. Muitos clubes mantêm mesmo relações privilegiadas apenas com alguns agentes, o que gera uma espécie de dependência nas decisões que são tomadas, que acabam por restringir muito a sua atuação no mercado, que acaba por ficar confinada a uma espécie de catálogo limitado.

A FIFA há muito que procura encontrar a fórmula certa para regular a atividade dos empresários de futebol. Muitos deles começam a investir nos passes de jogadores ou no capital de algumas SAD e essas atividades distintas podem gerar, no mínimo, a dúvida se não existirá aqui um conflito de interesses. O agente de jogadores é hoje uma figura que integra o fenómeno do futebol. O seu papel crescente na indústria é inquestionável e, na maioria dos casos, por via da enorme carteira de contactos e boas relações que foram alimentando ao longo do tempo, são eles os grandes agitadores do mercado de transferências, para o bem ou para o mal.

O CRAQUE

Garantia de golos

Um jogador que aponta 70 golos em 90 jogos oficiais é uma mais-valia inquestionável. Não é fácil encontrar um substituto capaz de manter registo semelhante, sobretudo num mercado inflacionado, no qual as equipas portuguesas parecem estar a perder margem negocial. Daí que, a possibilidade de o Sporting conseguir resgatar Bas Dost seja a solução ideal para os leões para preencherem a vaga que têm para o ataque. O ponta-de-lança holandês é garantia de golos e viria resolver um problema na formação da equipa de José Peseiro.

A JOGADA

Campeões do Mundo

O Mundial da Rússia consagrou a França no lugar mais alto. Uma vitória justa de uma seleção que, apesar de o imenso talento individual dos seus jogadores, se destacou na prova pelo seu pragmatismo coletivo, conseguindo explorar as fraquezas dos adversários e impor a sua força. Pelo meio-campo poderoso composto por Kanté, Pogba e Matuidi, passou muito do sucesso dos franceses, na recuperação da bola e lançamento do ataque. Ao contrário do Euro'2016, em que praticou um futebol mais alegre, desta vez a França teve menos exuberância e mais eficiência, sem explorar todo o seu potencial.

A DÚVIDA

Mudança de estilo

Espanha e Alemanha conquistaram os Mundiais de 2010 e 2014, respetivamente, com um futebol baseado na circulação de bola e controlo paciente do jogo, estilo que se observou em várias equipas ao longo da última década. Este Mundial fica marcado por uma quebra com o passado. Várias seleções optaram por um jogo mais rápido, vertiginoso e sem tanta posse para chegar à baliza adversária. Nota-se igualmente um futebol mais físico, com jogadores mais robustos, na tentativa de vencerem mais duelos individuais dentro de campo. Será esta a tendência a vingar nos próximos anos?

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