A arte de servir
Estamos numa época em que se fala de presentes. Se é possível encontrar um paralelismo entre prendas e o futebol jogado nos relvados, aquele que apaixona os adeptos, podemos concluir que a assistência, o último passe antes do golo, é o momento mais próximo de uma oferta. E para isso são necessários especialistas na arte de servir os companheiros para a marcação de um golo. E na nossa liga há grandes artistas na área.
Hoje em dia, uma assistência, na análise futebolística, é quase tão importante como os golos marcados. São dados que enriquecem as estatísticas relacionadas com os jogadores e que até servem como meio de valorização dos mesmos no mercado de transferências. Além disso, este indicador ajuda a medir a influência dos atletas na produtividade e fluidez de jogo da equipa.
Não é um jogador qualquer que faz um número alargado de assistências. A qualidade de passe, a leitura do jogo, a antecipação de jogadas, a criação de espaços em zonas fechadas, a habilidade para provocar desequilíbrios e o engenho em fazer chegar bolas paradas aos sítios certos, são qualidades inerentes. No fundo, conseguem prever e fazer chegar a bola ao local certo e no momento fatal.
No Sporting, o principal assistente (juntando todas as competições) é atualmente Bruno Fernandes, com 8 bolas para golo. Um jogador nuclear na forma de jogar dos leões que faz a ligação entre o meio campo e o ataque com enorme qualidade na forma com encontra espaços para servir e também marcar. Gelson Martins (7), Podence (7) e Acuña (5) são os outros municiadores do ataque.
A exemplo do que aconteceu na época passada, Alex Telles é o grande municiador no Dragão com 10 assistências até ao momento. As incursões ofensivas pela esquerda e a preponderância que tem tido nas bolas paradas, fazem do brasileiro uma das principais fontes de golo. Brahimi (7), Aboubakar (6), Óliver (5) e Marega (5) também contribuem para a forte produtividade atacante do FC Porto.
Apesar das oscilações exibicionais, Pizzi continua a ser o pêndulo benfiquista na arte de servir os companheiros (10 assistências). Ocupando uma posição nuclear na equipa encarnada, é ao internacional português que cabe encontrar espaços e companheiros para chegar ao golo, tendo em Jonas o parceiro mais frequente. André Almeida, Cervi e Salvio (todos com 4) também surgem com influência nestas contas.
Ricardo Esgaio é também um dos principais assistentes entre as equipas nacionais. O rápido lateral/extremo do Braga tem contribuído para os golos da sua equipa e já fez 9 passes fatais. Nas restantes equipas, jogadores como Heldon (6) e Hurtado (5), do V. Guimarães, António Xavier (Paços de Ferreira), Paulinho (Portimonense) e Jean Cléber (Marítimo), todos com 5 assistências, têm-se destacado com esta capacidade de fazerem nascer jogadas de golos.
A análise estatística trouxe-nos uma ferramenta útil para percebermos o papel que as equipas e seus jogadores desempenham nos resultados obtidos. Os golos são o que mais importa, mas é preciso criar jogadas que permitam chegar a eles. E aí surgem os reis das assistências e até mesmo, numa fase prévia, os especialistas do penúltimo passe, vertente que começa também a ser valorizada na observação. Afinal de contas, a prenda (assistência) é fruto de uma construção de jogo que conta com vários intervenientes até ser entregue (golo). E todos os pormenores, até estatísticos, fazem a diferença.
Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os leitores de Record.
O Craque – Segurança na baliza
Foi internacional sub-17 pelo Brasil e hoje é um dos guarda-redes em maior destaque da liga portuguesa. Charles Silva, que passou por grandes clubes como Cruzeiro e Vasco da Gama, tem sido um dos principais protagonistas no excelente desempenho defensivo da equipa do Marítimo (5ª melhor defesa do campeonato). Guardião seguro, ágil entre os postes e com bom jogo de pés, tem dado tranquilidade aos companheiros de setor. Leva já 7 partidas na liga sem sofrer golos (só Rui Patrício o supera com 8) e, aos 23 anos, apresenta uma boa margem de progressão.
A Jogada – Mercado prestes a abrir
O futebol português entrará a partir de hoje numa pequena pausa natalícia. Será um momento importante para que jogadores e treinadores possam descansar, mas também para que os responsáveis dos clubes tenham a possibilidade de continuar a avaliar os seus plantéis e a eventual necessidade de fazerem ajustes para atacarem a segunda volta de uma temporada exigente. Pelo que se tem visto nas notícias, adivinham-se algumas movimentações e o mercado abre já no espaço de 10 dias...
A Dúvida – Novo desafio para Cristiano
Neste momento, há 4 jogadores com 53 golos apontados em 2017: Cristiano Ronaldo, Messi, Lewandowski e Cavani. Os dois últimos já não irão jogar mais partidas este ano, pelo que todas as atenções recaem para o Real Madrid – Barcelona que se disputa este fim-de-semana. Além da luta pelo título espanhol, onde os catalães levam um avanço pontual significativo, o duelo dos 2 astros do futebol mundial pode ditar o maior goleador do ano, sendo que Harry Kane (Tottenham), com 50 golos, ainda fará 2 jogos em 2017 e poderá intrometer-se na luta. Conseguirá CR7 vencer este duplo desafio?
