Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A bola volta a rolar

Estamos na contagem decrescente para o regresso das principais equipas às competições nacionais de futebol. Depois de um mês de preparação intensa ao nível da carga física, mas também na dimensão tática do jogo, de modo a que os jogadores se apresentem na plenitude das forças e já interpretando, em boa parte, as suas funções naquelas que serão as ideias de jogo que os treinadores pretendem implementar ao longo da temporada, eis que chegam os jogos a doer. E como é habitual, teremos amanhã, em Aveiro, a Supertaça para abrir a contenda da época 2018/19.

FC Porto e Aves, campeão nacional e vencedor da Taça de Portugal, respetivamente, vão encontrar-se pela primeira vez numa final de uma competição nacional. E em jogos nos quais a decisão se resume ao que se passar durante 90 ou 120 minutos, não há grande lugar a favoritismos de qualquer parte, porque num dia bom qualquer um dos lados pode ganhar. Ambas as equipas sabem disso, pelo que o foco na partida e o respeito pelo adversário será mútuo.

Depois de ter regressado aos títulos com a conquista do campeonato, o FC Porto está interessado em manter a dinâmica de vitórias e acrescentar mais um troféu ao seu histórico, ainda para mais numa prova em que o clube é especialista: 20 Supertaças conquistadas em 40 edições.

Por seu lado, o Aves não tem nada a perder. E continua a fazer história, marcando presença em finais inéditas para o clube. Uma equipa que foi capaz de surpreender o Sporting no Jamor, conquistando a Taça de Portugal, tem capacidade para voltar a fazê-lo na Supertaça. E o adversário (FC Porto) está de sobreaviso. A motivação dos jogadores será certamente grande, já que estão a viver o capítulo mais alto na história do clube.

No jogo de apresentação dos dragões, contra Newcastle, Sérgio Conceição apresentou uma equipa mais próxima daquela que vimos atuar no ano passado, tendo pecado apenas no capítulo da finalização. A base titular da época transata dos azuis e brancos sustentou uma exibição com a habitual força pelos corredores, solidez defensiva e uma pressão quase constante sobre o adversário. Faltou mesmo o acerto com os golos.

O Aves apostará na sua organização defensiva, tentando responder nas transições ofensivas com a velocidade dos seus avançados. Trata-se de um conjunto que tem vários jogadores experientes, com muitos anos de carreira, o que pode ser uma vantagem na tranquilidade que a equipa apresentar em campo.

Alguns dias depois, na terça-feira, será a vez de o Benfica arrancar com os seus jogos oficiais, e logo com a primeira partida da 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões que irá disputar com o Fenerbahçe, um encontro de extrema importância para as ambições financeiras e desportivas das águias.

Do meio-campo para a frente, a equipa de Rui Vitória parece estar já próxima daquilo que pode fazer, com uma dinâmica interessante dos médios (Pizzi parece estar em boa forma) e criação de oportunidades de golo. No entanto, há ainda que corrigir algumas falhas no eixo defensivo, que tem sido o setor mais permeável da equipa na pré-época. E sendo o primeiro jogo na Luz, será importante não sofrer golos com o adversário turco.

Após tantas semanas de espera, o coração volta a bater mais forte e os adeptos de todos os clubes já só querem mesmo que a bola comece a rolar.


O craque – Prémio merecido

Hélio Sousa levou a mesma geração de jogadores aos títulos europeus de sub-17 (2016) e sub-19 (2018). Um feito inédito nas competições jovens da UEFA e que é resultado de um trabalho realizado ao longo de vários anos no sentido de potenciar e desenvolver as capacidades dos jovens futebolistas nacionais. O técnico, que foi campeão mundial de sub-20 enquanto jogador, teve um papel importante na formação desta fornada, com muitos elementos a mostrarem potencial para chegarem, a médio prazo, à Seleção A. A conquista foi um prémio merecido.

A jogada – Alma e coração

Portugal conseguiu vencer o seu primeiro Europeu de Sub-19, depois várias tentativas em que esteve perto. Uma conquista que premeia uma equipa que mostrou um ótimo nível coletivo e imenso talento individual. Tivemos o melhor ataque (e os 2 melhores marcadores, Jota e Trincão) e uma enorme alma e coração para resolver uma final disputada até ao último segundo com a Itália. E se pensarmos que esta equipa sub-19 portuguesa não levou à Finlândia todos os melhores jogadores (Diogo Dalot, Gedson, Diogo Leite, João Félix e Rafael Leão ficaram de fora), só podemos concluir que o futuro será risonho.

A dúvida – Oportunidades e ameaças

É igualmente justo salientar o investimento dos clubes em criar boas condições de trabalho para a área da formação. A deteção e desenvolvimento do talento, passa em primeiro lugar pelos clubes, sendo que as seleções ajudam a dar um passo em frente. Por seu lado, as equipas B vieram dar mais rodagem competitiva aos nossos atletas. Há ainda etapas por cumprir na evolução destes jogadores até se afirmarem nas equipas principais, porém existe um enorme risco: perante a cobiça estrangeira, conseguirão os clubes resistir à tentação de vender precocemente as suas pérolas?




Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação desportiva.
  • conteúdo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão epaper do jornal no dia anterior
  • conteúdos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.

0