Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A importância das segundas linhas

Esta semana, o duplo confronto entre V. Guimarães e Benfica demonstrou a importância que tem o planeamento de toda uma época desportiva para um clube de futebol. Na partida a contar para a Taça da Liga, os encarnados alinharam com algumas segundas linhas do plantel sem que isso tenha afetado o rendimento da equipa. A composição de um plantel vasto, rico em soluções de qualidade para todas as posições, é um pormenor decisivo para que uma formação esteja preparada para encarar o calendário competitivo.

Ao longo da temporada, o Benfica tem dado mostras de ter conseguido lidar bem com a falta de vários elementos nucleares do seu plantel por motivo de lesão. Esta é possivelmente é a grande diferença e a principal vantagem que as águias apresentam em relação aos principais adversários, FC Porto e Sporting, que em determinadas posições do terreno não dispõem do mesmo número de soluções de qualidade, em função dos desequilíbrios existentes na composição das equipas. Dragões e leões denotam mais dificuldades em lidar com a ausência de determinados jogadores.

Para resolver este tipo de problemas, a pré-época assume-se um momento nuclear. A par do treino e preparação física, é vital assegurar dois jogadores de igual valia por posição, recorrer aos melhores talentos da equipa secundária e (tentar) "antecipar o futuro". Deste modo, aumenta-se a competitividade interna, reforça-se a ambição dos jovens jogadores formados pelo clube e começam-se a potenciar ativos que vão substituir jogadores titulares cuja venda seja prioritária a médio prazo.

No fundo, é muito melhor que o substituto já se encontre adaptado no plantel, do que encontrar alguém novo para o lugar do atleta que sai no momento da venda. Esta cobertura permite ao clube gerir com maior tranquilidade a saída de 2/3 jogadores importantes, sabendo que o rendimento da equipa não será afetado de forma drástica.

Como dizia Rui Vitória esta semana, "os jogadores gostam mais de jogar do que treinar". E em boa verdade, é nos picos competitivos do calendário, onde existem mais jogos e provas para disputar, que têm essa possibilidade, sejam eles titulares ou segundas linhas. A estratégia passa, acima de tudo, uma boa preparação física dos atletas e controlo dos picos de forma, de forma a conseguir gerir esses momentos recorrendo às várias opções existentes. Num plantel com vários titulares, a resposta às adversidades é maior.

Com menos jogadores do mesmo nível para responder ao exigente calendário, aumenta o desgaste dos principais jogadores e o seu rendimento pode acabar por nem sempre ser o expetável. Isso obriga a olhar para os momentos de abertura de mercado de forma reativa, para preencher as lacunas do plantel. A prospeção nesta fase fica limitada pelos compromissos financeiros que a equipa já tiver e obriga a ser ainda mais criterioso nas escolhas.

Há outras questões que influenciam tanto ou mais o êxito desportivo. A observação e conhecimento profundo dos adversários, o trabalho da equipa técnica ao longo da semana, uma liderança forte do departamento de futebol e a criação de um bom ambiente entre adeptos, treinadores e dirigentes. Contudo, sem matéria-prima não se fazem campeões. Nem sempre ganha quem tem o melhor plantel (o Benfica de Jesus no ano do minuto 92 e o FC Porto do primeiro ano de Lopetegui são exemplos recentes), mas é sem dúvida um dos passos mais importantes para lá chegar.


Craque – Goleador combativo
Ponta de lança robusto e com poder de choque, é daqueles que consegue desgastar os defesas adversários durante os 90 minutos pela pressão que exerce, mas também pelas constantes desmarcações que tenta fazer durante o jogo. Os golos de Marega no V. Guimarães colocaram Soares um pouco na sombra do êxito do colega, mas o brasileiro é igualmente um matador, forte no jogo aéreo. Depois de uma boa época ao serviço do Nacional está a confirmar essas credenciais nos vimaranenses, onde já apontou 8 golos. E aos 25 anos, pode ainda chegar mais alto.

A Jogada – Quem sai mais prejudicado?
A confirmarem-se as saídas de André Geraldes e Ryan Gauld do V. Setúbal para o Chaves, como represália do Sporting depois do que se sucedeu na partida da Taça da Liga com os sadinos, os leões não saem bem da fotografia. No topo das prioridades devia estar o desenvolvimento dos atletas em questão de modo a que, no futuro, estes possam ter possibilidade de chegar à equipa principal. João Mário e Rúben Semedo foram exemplos bem sucedidos. Os mais prejudicados acabam por ser os 2 jogadores que, devido a quezílias, terão de se adaptar a um novo clube e cidade.

A Dúvida – Mundial alargado
A FIFA vai alargar o Mundial de futebol de 32 para 48 equipas a partir de 2026. Uma medida polémica em que, para muitos críticos, pesam mais os interesses financeiros do que propriamente os desportivos. Por outro lado, abre-se a possibilidade de termos um verdadeiro Mundial, com mais equipas africanas e asiáticas, continentes que tinham menor representação nos torneios anteriores. O facto de se realizar o mesmo número de jogos é positivo, para não sacrificar ainda mais os jogadores. Mas resta a dúvida: o novo formato vai trazer mais ou menos qualidade aos jogos?

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