António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

A importância do treino mental

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O sucesso de uma equipa é conseguido por diferentes fatores. Desde a organização coletiva até ao talento individual, passando pela inteligência tática e preparação física (do treino à recuperação), todos os pormenores são essenciais. Sem esquecer, claro, a qualidade dos recursos que se tem à disposição e a sorte que, por vezes, também protege os audazes. Mas junto a estas variáveis, o treino mental assume-se igualmente de vital importância.

Todos tentam estar prontos para qualquer tipo de adversidade. Mas o futebol não é uma ciência exata, os jogadores não são máquinas e é nesta gestão de seres humanos que a questão emocional assume um papel de relevo no desempenho desportivo. São vários os exemplos de equipas que, não sendo favoritas à partida, conseguiram atingir o êxito. As vitórias da Grécia e de Portugal no Campeonato da Europa, a conquista da Liga Inglesa pelo Leicester ou até mesmo a vitória do Moreirense na última Taça da Liga mostram que não há vencedores antecipados, tendo a motivação e a capacidade de superação uma enorme importância no rendimento individual e coletivo.

Os treinadores, hoje em dia, além das habituais funções relacionadas com a organização técnico-tática não descuram o foco no treino mental para o futebol, tendo de saber lidar com o controlo da ansiedade, aumentar a autoconfiança, reduzir receios e aumentar a motivação. Não basta fazer treinos físicos, é preciso trabalhar também os fatores mentais e é, por isso, normal ouvir dizer que os técnicos contemporâneos têm também de fazer o papel de psicólogos. Técnicos como Jorge Jesus há muito que têm abordado esta questão.

É desta forma que se trabalha a transcendência , que faz com que os jogadores tenham uma maior produtividade. O chip é configurado com foco naquilo a que se pode chegar e não naquilo que já se conseguiu fazer. E abre caminho motivacional para que os jogadores possam evoluir. A título de exemplo, o crescimento registado por Marega no FC Porto, reconhecido pela generalidade da crítica, a par do trabalho tático e técnico nos treinos, envolve também a questão anímica. Um jogador mais confiante e motivado, rende sempre mais.

Por seu lado, a motivação deve ser vista como um trabalho constante, mesmo para quem ganha mais vezes. A habituação às vitórias, de certo modo, pode tornar-se um problema e o grande inimigo chama-se rotina e relaxamento. Há por isso que encontrar novas metas individuais e coletivas, incentivar a fazer melhor e fazer com que os atletas mais experientes e titulados sejam um exemplo para os membros mais novos (ser uma referência do grupo, assume-se mesmo como uma forma de motivação).

E cabe aos treinadores saberem proteger os jogadores sempre que for necessário. Mile Svilar, lançado agora para a titularidade da baliza do Benfica, é um guardião com grande potencial, mas é normal e até natural que, a dar os primeiros passos no futebol sénior, venha a errar e a aprender com isso. O papel de motivador e o depositar de confiança nas capacidades do atleta, acabam por ser a opção óbvia para o treinador, tal como fez Rui Vitória. E o mesmo se pode dizer de Sérgio Conceição em relação a José Sá. Gerindo um plantel, o treinador lida com a ambição de mais de duas dezenas de atletas, sendo que só podem 11 de cada vez. É resultado do trabalho diário, nas várias componentes físicas e anímicas que se pode solidificar o coletivo. A forte mentalidade e o controlo emocional são uma preciosa ajuda.

O craque -- Talento para confirmar

Nas camadas jovens passou por FC Porto, Feirense, Boavista e Benfica. Nas águias, Rochinha foi uma das figuras da equipa que chegou à final da UEFA Youth League em 2014, competição na qual marcou 6 golos. Mas a transição para sénior não foi fácil. Depois da equipa B dos encarnados, não conseguiu singrar no Standard Liège e voltou ao Bessa, ganhando espaço esta temporada. Médio criativo, a jogar pelo centro ou pela esquerda, tem qualidade técnica, bom leitura de jogo e finaliza bem. Com a chegada do treinador Jorge Simão tem jogado menos, mas há ali talento para potenciar.

A jogada -- Sem margem para errar

Vida difícil para os três grandes na Liga dos Campeões. Com FC Porto e Sporting a terem apenas 3 pontos conquistados e o Benfica ainda sem nenhum, as próximas 3 jornadas serão decisivas no que respeita às possibilidades de apuramento para os oitavos-de-final. A margem de erro é cada vez mais apertada. E numa altura em que o ranking português da UEFA tem estado em queda, seria importante que os nossos principais emblemas continuassem a competir na montra europeia. Dentro desta ótica, se o principal objetivo não for atingido, a passagem à Liga Europa será um mal menor.

A dúvida -- Nem o fogo trava polémicas

Mais uma vez, a tragédia dos incêndios voltou a chocar Portugal. Há que lamentar a gravidade de vidas perdidas e famílias que ficaram sem casas, bens e empregos. O futebol também não saiu ileso, com a equipa do Tondela a ficar impedida de fazer a sua normal preparação desportiva. O bom senso aconselhava ao adiamento do próximo jogo com o Belenenses, a contar para a 1.ª Liga, mas os dois clubes acabaram por não se entender e até cortaram relações. Numa altura destas, havia necessidade de criar uma nova polémica no nosso futebol?

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