A liga dos ricos
Adivinham-se meses conturbados no futebol europeu depois da decisão, por parte da UEFA, de uma reformulação da Liga dos Campeões que permitirá a Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália terem quatro lugares garantidos na prova a partir de 2018. Um cenário que, obviamente, não agrada às restantes ligas, já que esta situação vai aumentar ainda mais o fosso financeiro e desportivo entre os maiores clubes e os emblemas da periferia europeia.
Os contratos milionários que os clubes ingleses passaram a receber abriram caminho para uma intensa pressão dos restantes gigantes europeus no sentido de se criar uma competição continental capaz de gerar mais receitas, de modo a não perderem o comboio para os clubes britânicos. Começou a pairar a ideia de criação de uma Superliga Europeia, competição semi-fechada, a ser disputada entre os principais emblemas, precisamente, de Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália, com as restantes (poucas) vagas a serem preenchidas por clubes franceses, portugueses e mais alguns nomes históricos.
Pressionada por este lóbi e receando perder o controlo das operações do futebol europeu, caso os clubes avançassem para nova prova, a UEFA acabou por ceder às pretensões dos grandes clubes de quatro países, negligenciando os interesses das outras 50 federações europeias e respetivas ligas.
Indo ao que mais nos interessa, a liga portuguesa será uma das prejudicadas com este novo modelo. Já que terá apenas duas vagas e um só apuramento direto. Épocas como a atual, em que três clubes nacionais chegaram à fase de grupos, vão deixar de ser uma realidade. E se tivermos em conta que o FC Porto eliminou no playoff uma equipa italiana (Roma), este é apenas um exemplo, entre outros, da insensatez da nova reformulação, que favorecerá emblemas que nem sempre têm garantido presença na liga milionária.
Será claramente uma Liga dos Campeões com menos… campeões. E isso deveria merecer a devida reflexão dos responsáveis do futebol europeu. É importante que a principal competição do futebol europeu não fique descaracterizada e não perca a diversidade de países, línguas, cores e escolas de futebol. E acima de tudo que continue a privilegiar o mérito desportivo e não apenas os interesses financeiros.
A reação da Associação das Ligas Europeias de Futebol Profissional mostra que este não será um assunto encerrado. Imagine-se que as ligas da periferia, em resposta, à decisão da UEFA, decidiam também criar uma competição continental com os seus maiores clubes. Geraria certamente mais receitas do que aquelas que parecem agora destinadas a estes clubes mais pequenos. Uma situação que não interessa igualmente aos responsáveis da UEFA.
E é interessante verificar que esta importante decisão foi tomada pouco antes das eleições da UEFA, que se realizam na próxima semana. Não se compreende muito bem porque não se aguardou que este processo fosse gerido pela nova direção. Por outro lado, se calhar até se percebe, já que o candidato favorito é o presidente da federação da Eslovénia, um dos países prejudicados com a nova reformulação.
O futebol é cada vez mais uma indústria, onde se privilegiam as receitas e os espetáculos. Percebe-se que os maiores queiram sempre estar em jogo. Mas terá que existir bom senso e pluralidade numa competição que se apelida de "europeia". Terá de ser uma liga de todos e não apenas uma "liga dos ricos".
O craque – Um lateral que vale pontos
Miguel Layún foi um dos poucos destaques portistas no ano passado. A profundidade no flanco esquerdo e o aproveitamento de zonas interiores, assim como o elevado número de assistências, provenientes sobretudo por cruzamentos bem colocados e venenosos, fizeram do mexicano um dos destaques da liga portuguesa. Esta época, com a chegada de concorrência para a lateral canhota e face à lesão de Maxi Pereira, Layún, que é destro, tem jogado também na direita e manteve a sua influência na equipa. É daqueles jogadores que valem pontos.
A jogada – Lição para os próximos jogos.
O campeão europeu teve uma entrada em falso na Suíça. A Seleção não foi feliz perante o adversário direto nesta fase de qualificação para o próximo Mundial. Um período de desconcentração coletiva e a falta de acerto na finalização acabaram por ditar a primeira derrota em jogos oficiais de Fernando Santos. Que este jogo sirva de lição para os seguintes: os níveis de concentração devem estar no máximo e não pode haver espaço para deslizes. Fez falta aquela dose de pragmatismo do Euro. Agora há que ganhar os próximos desafios.
A dúvida – Internacionais à procura de clube
O mercado fechou, mas ainda se vão observando algumas movimentações com a contratação de jogadores livres. Neste lote podemos encontrar, pelo menos, 3 internacionais portugueses, ainda à procura de clube: Bosingwa, Ricardo Carvalho e Raul Meireles. Um trio com grande experiência ao mais alto nível, que já venceu a Liga dos Campeões e várias ligas em Portugal e no estrangeiro. Estando em boas condições físicas (faltando saber se o central terminará ou não a sua carreira) seriam estes jogadores opções a ter em conta para os principais clubes nacionais?
