Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A moda dos altos e espadaúdos

Numa das entrevistas que deu nos últimos dias e falando do que mais gosta, que são as diferentes variantes técnicas e táticas que envolvem uma partida de futebol, Sérgio Conceição abordou uma tendência do futebol moderno que é a aposta das equipas em colocarem um maior impacto físico no jogo, sustentando a sua dinâmica em jogadores com características apropriadas para isso, de modo a obterem daí uma maior vantagem competitiva. Uma questão pertinente que se tem observado na maioria das grandes equipas europeias.

Segundo o técnico do FC Porto, o futebol atual traz mais intensidade e agressividade, pelo que as equipas procuram atletas com capacidade física para ganhar duelos dentro de campo nos diferentes raios de ação. "O jogo é feito de duelos e a equipa que ganhar mais está mais próxima de vencer o jogo", referiu Sérgio. É algo que faz sentido e mostra como a componente física tem um papel importante na hora de preparar uma equipa.

Basta pensar na estampa de uma seleção como a Alemanha, campeã mundial, e na forma como esta exerce o seu poder físico para controlar os jogos e manter a bola. A robustez é uma arma dentro da própria componente tática, uma forma de desgastar o adversário que, perante esta dificuldade, tem também de tentar correr mais e sair da sua zona de conforto.

Na composiçãod os plantéis, esta realidade pesa também na escolha dos atletas com as características certas para colocar em prática uma ideia de jogo assim. Nas ligas de Inglaterra, Alemanha e França, este é um cenário comum a vários emblemas. Por seu lado, este tipo de jogadores consegue dar resposta a partidas mais intensas, que peçam maior disponibilidade ao longo dos 90 minutos. Trazem equilíbrio às equipas nos momentos defensivo e ofensivo e abrem igualmente espaço para que outros companheiros, mais franzinos, possam ganhar duelos através dos seus atributos técnicos e táticos.

Uma equipa que bloqueia as movimentações do adversário, fazendo uso da sua força, no bom sentido, tem a possibilidade de criar mais oportunidades para que os jogadores mais criativos possam alimentar a dinâmica da equipa. Pode parecer fácil na teoria, mas é algo que implica um grande trabalho de laboratório para que a equipa possa afinar a máquina com toda a eficiência. É um trabalho de pormenor em que todos devem compreender as funções de cada um.

O campeão europeu Real Madrid, na final da Liga dos Campeões, utilizou 9 jogadores (em 14) com mais de 1,80m de altura, fazendo uso precisamente de jogadores como Sérgio Ramos, Varane, Casemiro, Kroos, Cristiano Ronaldo, Benzema ou Gareth Bale, para a conquista de duelos nas várias zonas do terreno.

Olhando 15 atletas mais utilizados pelos clubes que venceram as principais ligas europeias, encontramos uma maioria de jogadores ‘altos e espadaúdos’. Juventus (11 jogadores com 1,80m ou mais), Bayern (11), PSG (11), Barcelona (8) e Manchester City (8) tiveram atenção a este detalhe. E o mesmo acontece em Portugal, com FC Porto (11), Sporting (10), Benfica (9) e Braga (8) a optarem por esta via.

O sucesso de uma equipa de futebol está longe de se limitar a uma questão de altura ou robustez física. A história conta inúmeros artistas da bola, pequenos e franzinos (Lothar Matthäus, Franco Baresi, Maradona, Messi...) que brilharam a defender e a atacar. Mas o futebol evolui para um patamar em que o poder físico desempenha um papel importante na componente tática das partidas, cada vez mais intensas nas grandes competições. Moda ou não, é uma vertente da qual a maioria das equipas de topo não prescinde.


O Craque – O elemento mais novo

Rúben Dias é talvez a principal surpresa e o mais jovem elemento entre os 23 convocados da Seleção Nacional, tendo acabado de se estrear como internacional no último jogo frente à Tunísia. O defesa central afirmou-se como titular na equipa do Benfica ao longo da temporada e surge agora como solução para a equipa das quinas numa posição em que a renovação tem sido mais difícil para Fernando Santos. É um jogador forte no jogo aéreo e na marcação, com bom posicionamento e que também contribui nas bolas paradas ofensivas com golos.

A Jogada – A atração das grandes ligas

No atual mercado de transferências, a questão financeira tem um peso muito alto nas decisões dos agentes desportivos envolvidos (clubes, jogadores, empresários e intermediários). Para quem aposta na formação, há um grande risco de ver as pérolas saírem de forma precoce para outro clube europeu sem cumprirem todas as etapas de desenvolvimento. E isso tem impacto a nível desportivo, porque muitos atletas nem sempre têm depois o espaço competitivo para evoluírem. Renato Sanches foi um exemplo. Com apenas 8 jogos na equipa principal, o portista Diogo Dalot pode ser o próximo jovem a sair "antes do tempo".

A Dúvida – Ir ou não ao mercado?

Com a possível saída de Dalot e depois da venda de Ricardo Pereira, o FC Porto fica com um problema para resolver na asa direita. A solução até pode estar nos quadros do clube, embora a continuidade de Miguel Layún e Maxi Pereira ainda esteja em dúvida, havendo ainda a possibilidade de contar com o jovem Fernando Fonseca, que esteve emprestado ao Estoril. Poderá estar aqui o primeiro desafio de mercado dos dragões. Qual será a opção de Sérgio Conceição: olhar para os recursos existentes ou avançar para a contratação de um novo lateral?



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