Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A reta final da Liga

Com águias e dragões a terem de efetuar duas difíceis deslocações, a Vila do Conde e ao Funchal, respetivamente, muitos especialistas apontavam a jornada 32 como um momento decisivo deste campeonato. E o prognóstico estava certo. Os resultados acabaram por colocar o Benfica mais perto do tetra e o FC Porto mais longe do regresso aos títulos. Os balanços e reflexões ficam para mais tarde, mas há factos que ajudam a explicar o atual cenário.

Com um grupo mais maduro e experiente, a equipa do Benfica tem conseguido lidar melhor com a reta final do campeonato, no que respeita ao controlo emocional e gestão das partidas. O percurso de ambos os conjuntos nas últimas 7 partidas no campeonato não tem sido exemplar. O Benfica soma 4 vitórias - 3 delas pela margem mínima – e 3 empates, enquanto o FC Porto empatou 5 jogos e venceu 2. Os dois têm demonstrado dificuldades até inesperadas, mas a capacidade encarnada de resolver jogos, mesmo que adotando uma faceta mais cínica e resultadista, abdicando por vezes de jogar bem, tem feito a diferença face a um FC Porto mais inexperiente e que nem sempre teve a mesma estrelinha.

Por seu lado, por mais vontade e fome de ganhar que tenha, uma equipa que empate 5 partidas na parte final da corrida ao título, dificulta imenso as suas ambições. E nos momentos em que poderia ter conquistado pontos ao rival, os dragões não conseguiram dar esse passo em frente. O nervosismo e ansiedade, o tal "medo de não voltar a ganhar" de que Nuno Espírito Santo chegou a falar, não foram trabalhados com a eficácia desejada para encarar esta fase. Em tempos bem recentes, outras equipas do FC Porto, mais experientes nestes momentos, não teriam deixado o Benfica escapar.

É interessante constatar que em matéria de golos, a produtividade de ambas as equipas nos últimos 7 jogos foi semelhante: 9 golos apontados. As águias concederam 3 golos e os dragões 4. Pouco brilho na maioria dos jogos, entradas em falso, dificuldade em impor o seu jogo durante 90 minutos, mas desfechos diferentes. A sorte e o azar (grandes defesas, bolas nos postes, oportunidades flagrantes desperdiçadas, falhas defensivas, arbitragens pouco felizes) também fazem parte do jogo. Mas a força do coletivo encarnado, sobretudo a capacidade de sofrer e a inteligência em decidir jogos a seu favor, fizeram a diferença em relação ao FC Porto.

Do ponto de vista tático, a estabilidade verificada no Benfica face às constantes mudanças que foram acontecendo nas equipas do FC Porto, também podem ter ajudado a consolidar o pragmatismo encarnado, com cada um dos jogadores a saber que papel desempenhar. A melhor face do dragão esta época, fosse a alinhar em 4x4x2 ou em 4x3x3, aconteceu quando utilizou com dois homens pelos flancos, em particular Brahimi e Corona. Privado de um ou até dos dois atletas, e sem mais homens no plantel para desempenharem essas funções, a equipa perdeu a profundidade e até o atrevimento necessário para desbloquear alguns dos jogos.

O Benfica tem agora uma margem confortável para se sagrar campeão. Contudo, terá um jogo difícil pela frente. O V. Guimarães vem de 7 vitórias seguidas na liga, onde apontou 15 golos (bem mais do que os candidatos ao título no mesmo período). É uma das equipas que melhor pratica futebol em Portugal. Quanto ao FC Porto, não tem outra saída para ainda acreditar num milagre: ganhar.



O craque – Talhado para um grande
Filip Krovinovic é uma das revelações do campeonato. O jovem croata tem sido aposta regular de Luís Castro no Rio Ave e tem demonstrado qualidade. Não é por acaso que surgem comparações com o compatriota Modric. Trata-se de um médio com excelente controlo de bola e técnica, capaz de conduzir a bola e organizar o jogo ofensivo. A elevada qualidade de passe faz dele um especialista a assistir, mas os 5 golos marcados na liga (3 no último mês) e o bom remate provam que também sabe finalizar. Tem 21 anos, mas exibe grande maturidade. Está talhado para jogar numa equipa grande.

A jogada – A queda do Nacional
Está confirmada a descida do Nacional, um clube que nos acostumamos a ver nos lugares cimeiros da nossa liga. Ao longo dos últimos 15 anos de 1.º Liga, a equipa madeirense conseguiu 5 apuramentos europeus e por 11 vezes ficou classificada no top 10. E neste período atingiu mesmo o 4.º lugar por 2 ocasiões. O já reconhecido mau planeamento da temporada, a entrada de muitos jogadores novos e a incapacidade para dar a volta ao ciclo negativo em que a equipa mergulhou acabaram por comprometer os objetivos. Resta olhar em frente e tentar regressar rapidamente ao principal escalão.

A dúvida – Os rumores
Notícias baseadas no "diz que disse" são rumores. Daí que a veracidade e o fundamento das mesmas sobre a saída de Jorge Jesus do Sporting parecem ter perna curta neste momento. O treinador fez parte da Comissão de Honra da candidatura de Bruno de Carvalho às eleições no Sporting e sempre alinhou o discurso ao do seu presidente. O plano de ambos passa por criar bases para chegar ao título de campeão durante este mandato de 4 anos. Daí que mudar de ideias a meio do caminho não pareça fazer grande sentido. A quem interessa este tipo de polémicas?



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