Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A sorte europeia

1 - FC Porto e Benfica já conhecem os adversários que vão defrontar na próxima edição da Liga dos Campeões. Sorteios distintos para dragões e águias, nos quais fica a sensação que, se as equipas portuguesas se apresentarem ao seu melhor nível, poderão ter francas possibilidades de poderem passar aos oitavos de final da competição.

Antes de irmos sorteio de ontem, é importante referir primeiro que o Benfica conseguiu cumprir um dos seus grandes objetivos delineados para esta temporada. Depois de superar os turcos do Fenerbahçe, aquele empate caseiro por 1-1 com o PAOK colocou mais pressão na visita à Grécia, mas os encarnados conseguiram dar a volta a um adversário que ainda assustou, mas que mostrou não ter argumentos. O Benfica foi melhor e mereceu o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, onde além da participação desportiva receberá um prémio financeiro precioso para o equilíbrio das suas contas.

No grupo das águias, o todo poderoso Bayern (teremos um regresso de Renato Sanches ao Estádio da Luz?) será o principal favorito. Mas a equipa portuguesa terá uma palavra a dizer na discussão por uma vaga nos oitavos de final. O Ajax, vice-campeão holandês, e o AEK, campeão grego (um regresso à Grécia depois de eliminar o PAOK) são adversários ao seu alcance. E o Benfica estará apostado em fazer muito melhor do que fez na edição anterior, em que acabou a fase de grupos com 0 pontos.

Já o FC Porto acaba por ter em sorte um grupo muito equilibrado, sem nenhum tubarão do futebol europeu, é certo, mas com equipas que vão exigir a máxima força para levar de vencidas. E há ainda a curiosidade de surgir um grupo muito semelhante ao que lhe calhou no ano passado, com uma equipa turca (o Galatasaray em vez do Besiktas) e outra alemã (o Schalke 04 em lugar do Leipzig). São oponentes que obrigarão a deslocações difíceis e que são muito fortes a jogar no seu reduto. Já o Lokomotiv Moscovo foi a formação mais acessível do pote 1 que poderia calhar, mas trata-se do campeão russo, tem jogadores de qualidade (entre os quais os portugueses Éder e Manuel Fernandes) e as viagens à Rússia, pela distância e o clima, podem ser sempre complicadas.

Podemos admitir que o FC Porto seja favorito a um dos 2 primeiros lugares do grupo. Mas o ano passado serve de aviso. O Besiktas venceu o grupo e eliminou Mónaco e Leipzig. Quer isto dizer que qualquer equipa tem possibilidades de passar, pelo que todos os pontos serão preciosos. E dava muito jeito que tanto dragões e águias, assim como o Sporting na Liga Europa, pudessem ter boas prestações europeias para iniciarmos um processo de recuperação de Portugal no ranking da UEFA.

2 – Está prestes a encerrar o mercado de transferências em Portugal e as equipas poderão, finalmente, trabalhar com mais tranquilidade. Com os últimos acertos nos plantéis concluídos e resolvidas as situações dos jogadores excedentários, treinadores e jogadores já poderão estar 100% focados naquilo que mais interessa: o rendimento das suas equipas.

Mais uma vez, os clubes esperaram pelos últimos dias do mercado para tentarem fazer as últimas investidas na procura dos desejados reforços. Cada vez mais parece fazer sentido que o período de transferências possa encerrar antes do início das competições. Seria a situação ideal para clubes, jogadores e treinadores poderem desempenhar o seu trabalho com muito mais qualidade.



O Craque – Um passo para evoluir
Depois de ter dado nas vistas ao serviço do Rio Ave, onde apontou 11 golos na época passada, João Novais é uma das apostas do Braga para a nova temporada. O médio português tem sido uma das opções mais utilizadas pelo treinador Abel Ferreira e tem a oportunidade de mostrar o seu enorme potencial. Exímio marcador de bolas paradas, um dos melhores da liga portuguesa, e dono de uma leitura de jogo acima da média, parece estar a adaptar-se bem a uma equipa de maior exigência competitiva. Será uma época importante para a sua evolução.

A Jogada – Portugueses em maioria
A próxima edição da Liga dos Campeões contará com a participação de 5 treinadores portugueses (Sérgio Conceição, Rui Vitória, José Mourinho, Leonardo Jardim e Paulo Fonseca). Nenhuma outra nação terá tantos técnicos na prova como Portugal (nem mesmo Espanha, Inglaterra, Alemanha ou Itália, países que contam com 4 equipas na Champions) e isso reforça ainda mais o estatuto do treinador nacional no futebol europeu. Um reconhecimento da competência, qualidade e potencial que o país campeão europeu de futebol tem também na formação de treinadores.

A Dúvida – Perda de força negocial
Neste mercado de verão ficaram visíveis as dificuldades que os clubes portugueses tiveram na aquisição de reforços. Os principais alvos nem sempre foram conseguidos e até mesmo as alternativas encontradas falharam em alguns casos. A maior capacidade financeira de clubes de ligas mais fortes obriga a uma mudança de paradigma. Há que ser mais rápido na deteção e ágil na negociação. Nunca como antes o planeamento assume um papel crucial. Além disso, a nossa liga tem de criar condições para continuar a ser atraente. Será possível dar a volta a este cenário?

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