Record

Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

A transferência da época

O rumor deu lugar à certeza e Cristiano Ronaldo terá mesmo um novo desafio desportivo pela frente a partir da próxima época. Fecha-se o ciclo do Real Madrid, no qual apontou, ao longo de 9 temporadas, 451 golos em 438 partidas e conquistou imensos troféus coletivos e individuais. E agora abre-se uma nova página na sua carreira, ao serviço de outro grande emblema europeu, no qual poderá assumir novos desafios.

Muitos poderão dizer que a troca de um clube gigantesco como o Real Madrid pela Juventus, poderá ser um passo atrás na carreira do capitão da Seleção Nacional. No entanto, também podemos ver as coisas por outro prisma. A vida de um futebolista passa pela busca constante de novos estímulos e, depois de já ter ganho tudo ao serviço dos merengues, o jogador tem assim a possibilidade de perseguir diferentes objetivos desportivos pela Juventus.

A possibilidade de sagrar campeão em 3 das principais ligas europeias, depois de ganhar em Inglaterra e Espanha, é um motivo muito atraente para CR7 ter abraçado esta aventura italiana. Vai para um clube igualmente com cultura de vitória, habituado a ganhar muitas vezes nas competições internas e que há muito tempo persegue o sonho de conquistar mais uma Liga dos Campeões (a Juventus tem 2 troféus no palmarés e o último foi conquistada em 1996, já lá vão 22 anos), competição que o jogador português já ganhou por 5 vezes, estando a uma conquista de igualar o recordista Francisco Gento, futebolista espanhol do Real Madrid nas décadas de 50 e 60.

Além dos troféus, para o jogador esta é também uma oportunidade de mostrar que o seu futebol pode singrar em qualquer tipo de campeonato e em diferentes ideias de futebol. Uma forma de confirmar que as suas características, enquanto jogador, são universais e se adaptam às táticas, dinâmicas e sistemas, por mais dispares que estas sejam geograficamente falando. E em qualquer equipa ou competição, a qualidade e o talento são sempre algo que vem ao de cima, e isso é algo que não falta ao capitão da nossa Seleção.

Por curiosidade, Cristiano Ronaldo acaba por seguir os caminhos de Luís Figo, que depois de terminar o seu ciclo no Real Madrid também optou por continuar a carreira no futebol italiano (no Inter de Milão). Um campeonato que sempre nos habituou a não ter medo de apostar na experiência, sendo habitual que as suas equipas tenham sempre vários jogadores acima dos 30 anos. E é frequente vermos jogadores a atuarem em Itália até idades mais avançadas, pelo que há certamente um conhecimento profundo no trabalho de preparação que é feito junto dos jogadores mais veteranos, para se tirar alto rendimento destes.

Aos 33 anos, o jogador português encontra aqui um contexto mais favorável para esta fase da sua carreira, que o pode ajudar a manter por mais algum tempo, ou até a subir, a bitola exibicional, que patenteou ao longo da última década. Durante o período do seu contrato (4 anos), tem claramente todas as condições para continuar a ser um jogador determinante.

Trata-se da grande transferência da temporada desportiva. E a ver vamos que impacto vai ter no mercado, seja ao nível das transferências na Europa (o Real Madrid fica agora órfão de uma grande estrela) como ao nível televisivo e publicitário, já que a liga italiana ganhará um novo fôlego e pode dar um enorme passo para a sua revitalização, na captação de novos públicos como na capacidade de atração de jogadores de topo. Para os portugueses, pelo menos, a liga italiana passar a ser muito mais interessante.


O Craque - Referência leonina
Nani está de regresso ao futebol português e isso é uma boa notícia. Em primeira instância para o Sporting, que passa a ter um jogador genial para o ataque e uma referência para o balneário que conhece bem os valores do clube e pode ajudar os jogadores mais novos. Por outro lado, o extremo pode assim relançar a carreira depois de duas temporadas menos conseguidas (no Valencia e na Lazio) e voltar a ser uma opção valiosa para a Seleção Nacional. Com 31 anos, o internacional luso ainda tem muito futebol pela frente.

A Jogada – Final surpreendente
França ou Croácia. Uma destas seleções será a nova campeã mundial no domingo. Uma final surpreendente pela façanha dos croatas, um jovem país com 27 anos de existência que com um grupo de jogadores virtuosos, e bom futebol, teve a felicidade de chegar à final depois de 2 desempates por grandes penalidades e uma vitória no prolongamento (a fazer lembrar a vitória portuguesa no Euro’2016). Já os franceses, ao longo da prova fizeram valer o seu favoritismo e a enorme qualidade da equipa. A França é favorita, mas a Croácia tem argumentos para surpreender e fazer ainda mais história.

A Dúvida – Reter talentos
O mercado de transferências nem sempre obedece a lógicas de fácil entendimento. As expetativas desportivas e financeiras dos clubes e atletas ou as oportunidades de negócio dos agentes, são variáveis que acabam por influenciar decisões. E por vezes os jogadores jovens nem chegam a ter muitas oportunidades de mostrarem o que valem nos nossos relvados. Nomes como Diogo Dalot, João Carvalho e Gonçalo Paciência juntar-se-ão a muitos outros portugueses a atuar no estrangeiro na próxima época. Estará o futebol nacional a ter ainda mais dificuldade em reter os seus próprios talentos?
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