António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Agir contra a violência

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1 – Depois dos sucessivos casos de agressões a árbitros ocorridos esta temporada, tal como de outras situações de violência (inclusive verbal) envolvendo atividades desportivas, é de todo imperativo que as altas instâncias do futebol nacional, assim como o Governo português, tomem medidas que visem a erradicação destes lamentáveis episódios. É preciso agir e, por isso mesmo, a reunião de ontem entre FPF, Liga, APAF, Sindicato de Jogadores, Associação Nacional de Treinadores de Futebol e Secretaria de Estado do Desporto, surge no momento certo.

O agravamento das sanções penais para agentes desportivos e/ou adeptos que promovam a violência no futebol deve ser o passo a tomar. O país campeão europeu ao nível de seleções não pode ver o seu prestígio ser afetado por casos deploráveis como os que fomos assistindo nas últimas semanas, com maior incidência para as tristes e injustificáveis cenas que ocorreram na partida entre Canelas e Rio Tinto.

É necessária uma ação conjunta de todas as entidades competentes, às quais também se deveriam juntar os clubes. O atual clima de guerrilha entre emblemas nacionais também não favorece uma competição que se deseja atraente e capaz de levar as pessoas aos estádios (adeptos e intervenientes nos jogos) com a máxima segurança e tranquilidade. Todos são responsáveis e devem ajudar a criar um ambiente mais favorável que afaste o cenário da violência em torno do futebol e também de outros desportos.

2 – Benfica e V. Guimarães vão discutir a final da Taça de Portugal. Uma partida que tem condições para ser uma bonita festa, entre duas equipas que vão dar tudo para voltar a ganhar a prova rainha do futebol nacional e dar uma alegria aos seus fervorosos adeptos. Os dois clubes vão voltar a reeditar a final de 2012/13, na qual o treinador encarnado, Rui Vitória, esteve do outro lado da barricada e saiu vencedor.

Sobre esta Taça importa destacar a qualidade dos jogos da 2.ª mão das meias-finais, que tiveram muita emoção, grandes golos e incerteza até ao fim para se descobrir quem garantiria um bilhete de acesso até ao Jamor. Glória aos vencedores e honra aos vencidos, Chaves e Estoril, que se bateram de modo brilhante e deram o seu máximo para cumprir o sonho de chegar à final. Se o tivessem conseguido, seria igualmente justo.

3 – O clássico da Luz deixou quase tudo na mesma no que respeita à luta pelo título. Foi um jogo intenso, com bons momentos de ambas as equipas, mas onde se notou que, acima de tudo, ninguém queria perder. Ninguém quis arriscar demasiado e, tirando determinados momentos de maior domínio de águias ou dragões, com algumas ocasiões perto de ambas as balizas, na maior parte do tempo as equipas só jogaram o que o adversário deixou.

O Benfica passou a ser a única equipa a depender de si mesma, mas face ao calendário apertado de águias e dragões ninguém se arrisca a apontar grandes favoritismos. Os próximos jogos serão decisivos, cada jornada será uma final para as duas equipas. Quem conseguir apresentar um melhor controlo emocional nestes complicados desafios que faltam terá mais probabilidades de sair vencedor.

Esta semana seguem-se duas partidas interessantes. O Benfica vai a Moreira de Cónegos para defrontar uma equipa que luta pela manutenção e que foi responsável pela sua eliminação na Taça da Liga. Por seu lado, o FC Porto recebe um Belenenses que esta temporada já foi capaz de travar os dragões por 2 vezes, com empates a zero, um deles precisamente no Estádio do Dragão. A luta vai ser taco a taco.

O Craque – Instantes para a memória

Há momentos que ficam para a história na carreira de um jogador e Douglas viveu um desses instantes que fazem toda a diferença e ficarão certamente na memória dele e dos adeptos do V. Guimarães. O guardião vimaranense segurou a passagem da sua equipa à final da Taça de Portugal com a defesa de um penálti em cima do apito final. O experiente jogador brasileiro está a fazer uma época positiva e tem sido uma das peças nucleares na excelente temporada que o V. Guimarães de Pedro Martins está a rubricar.

A Jogada – A fortaleza de Marco Silva

Desde que chegou a Inglaterra, para orientar o modesto Hull City, Marcou Silva foi o 4.º treinador a conquistar mais pontos nas jornadas que disputou na liga inglesa. Além disso, leva já a impressionante marca de 40 partidas consecutivas sem perder nos jogos em casa, a maior entre treinadores das principais ligas europeias. A proeza ainda é maior se contabilizarmos outras competições internas (excluindo Liga dos Campeões e Liga Europa), aumentando o registo para 48 jogos caseiros sem perder. Só lhe falta mesmo salvar o Hull da descida e Marco está no bom caminho para o conseguir.

A Dúvida – Futebol menos paciente

No futebol atual paga-se cada vez mais por um jogador jovem com elevado potencial. Investem-se milhões nestes atletas mais por aquilo que podem vir a ser no futuro, funcionando isto como jogada de antecipação dos clubes para conseguirem chegar aos melhores antes da concorrência. Mas a crítica é feroz e, por vezes, não facilita um processo de adaptação e de evolução que ainda deve ser cumprido, exigindo rendimento imediato. Na Alemanha e em França questionam-se agora as contratações (e os valores envolvidos) de Renato Sanches e Gonçalo Guedes por Bayern e PSG, respetivamente. Um problema de falta de paciência?

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