Amuletos da sorte
Há jogadores que, em determinados momentos da temporada, tendem a aparecer quando a equipa mais necessita deles. Desbloqueiam partidas difíceis, motivam companheiros e têm a estrelinha de estar sempre no sítio certo para fazer a diferença. Olhando para os 3 grandes, Mitroglou, Soares e Alan Ruiz têm funcionado como verdadeiros amuletos da sorte para os seus clubes.
Cheguei a referir no ano passado que Mitroglou foi uma das melhores contratações da época anterior. Não é um jogador exuberante, mas tem sido altamente eficaz e naquelas partidas normalmente mais difíceis, o grego assinala a presença. No ano passado marcou golos aos rivais FC Porto e Sporting, sendo que o tento frente aos leões, em Alvalade, acabou por levar as águias ao primeiro lugar, posição de onde não mais saíram.
Na última semana, em duas partidas de máxima exigência, em que o Benfica não pode colocar o seu habitual jogo ofensivo em prática, o grego voltou a resolver com 2 golos importantes. O primeiro mantém bem viva a esperança de bater o Dortmund na eliminatória e levar o Benfica aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, enquanto o segundo valeu 3 preciosos pontos na corrida ao título no sempre difícil terreno do Braga. Os 5 golos nos últimos 4 jogos mostram que o grego está a surgir em forma após uma fase menos boa da equipa.
Em semelhante estado de graça está Soares. O novo avançado do FC Porto parece ter encaixado que nem uma luva nas necessidades da equipa de Nuno Espírito Santo, estando a corresponder com golos e boas exibições. A equipa sempre pareceu órfã de um avançado que partilhasse a responsabilidade de marcar golos com André Silva, de modo a não colocar toda a pressão em cima do jovem avançado português. E os primeiros jogos de Soares confirmam isso.
Com 4 golos em igual número de jogos, Soares tem mostrado grande resistência nos duelos com os defesas, poder de choque e oportunismo nas bolas de golo. Impressiona a forma como procura jogo, controla o esférico e abre espaços para os companheiros. A sua presença trouxe mais equilíbrios ao jogo atacante da equipa e falta ver agora como vão evoluir as rotinas. Os primeiros jogos de amostra foram extremamente positivos.
Já Alan Ruiz começa a justificar parte do alto investimento que o Sporting fez na sua contratação. O argentino marcou os primeiros 3 golos no campeonato nas últimas 3 jornadas, sendo que os tentos apontados a Moreirense e Rio Ave acabaram por ter grande importância na obtenção das vitórias. E a sua entrada na segunda parte do jogo com o FC Porto, no Dragão, além do golo, também ajudou a transfigurar o Sporting para uma boa exibição.
A influência de Alan Ruiz parece cada vez maior na equipa, o que pode indiciar que o atleta se começa a adaptar à maior exigência tática e física do futebol europeu. Dotado de bons atributos técnicos, visão de jogo e remate colocado, o argentino pode finalmente ser o jogador certo para acompanhar Bas Dost no ataque, alguém que Jorge Jesus tem procurado desde o início da época.
Nota: Em competições de máxima dificuldade como a Liga dos Campeões, todos os pormenores fazem a diferença, para o bem ou para o mal. O FC Porto, que até começou bem o jogo contra a Juventus, acabou por ter um dia inglório, devido a uma "precipitação" de Alex Telles. Tentou resistir o máximo que pode sem sofrer golos, mas não conseguiu e tem agora uma tarefa muito complicada. Mas também não tem nada a perder. Há mais um jogo e há que acreditar num resultado positivo em Turim.
O Craque – Goleador pacense
Entre os que não alinham pelos 3 grandes, Welthon é atualmente o jogador com mais golos apontados na liga. O avançado do Paços de Ferreira tem sido uma boa surpresa em ano de estreia no escalão principal, onde já apontou 11 golos, aos quais juntou mais 5 tentos nas taças. Ao todo, soma 16 em 28 partidas. Um esquerdino que faz da eficácia uma arma, com boa movimentação ofensiva e um remate forte. Está de pé quente, como atestam os 5 golos nas últimas 4 jornadas e já parecem haver interessados de maior nomeada no seu concurso.
A Jogada – Grande duelo Jardim/Guardiola
Para quem gosta de futebol, pela sua beleza e incerteza, bem como pelos duelos táticos entre treinadores, o jogo Manchester City – Mónaco foi um verdadeiro regalo. Leonardo Jardim esteve perto de surpreender na casa da equipa treinada por Guardiola, com uma estratégia muito bem montada e uma exibição muito personalizada. A equipa monegasca acabou por acusar o desgaste físico e permitiu a remontada dos ingleses. Acabou por ser um belo espetáculo, recheado com 8 golos. Que venham mais partidas entusiasmantes como esta.
A Dúvida – Leão a votos
Aproximam-se as eleições do Sporting e aos sócios leoninos coloca-se a questão: continuidade ou mudança? O mandato de Bruno de Carvalho fica marcado por maior estabilidade financeira, depois da periclitante situação que herdou. O nível competitivo da equipa de futebol cresceu e isso renovou a ambição dos adeptos. Mas não conseguiu ser campeão e nem sempre foram tomadas as melhores decisões desportivas. O opositor, Pedro Madeira Rodrigues, surge com uma proposta diferente de rumo. Após o debate de ontem, chega a semana das decisões.
