Aquecer os motores
Na última paragem nas competições de clubes que precede o final dos campeonatos nas principais ligas e as últimas rondas das provas europeias, a Seleção Nacional vai efetuar 2 jogos amigáveis com o Egito (hoje) e a Holanda (segunda-feira). Estando a maioria da equipa que marcará presença no próximo Mundial já definida, o selecionador aproveitará agora os próximos testes para alinhar a estratégia que vai utilizar na Rússia.
Com as partidas com Egito e Holanda, a realizarem-se nas cidades de Zurique e Genebra, na Suíça, Portugal jogará em casa. Tratam-se de locais com uma forte comunidade de emigrantes portugueses (e geograficamente próximos de países como Alemanha e França, onde se encontram outras importantes comunidades lusas), apaixonada pela nossa Seleção e que irá certamente encher os estádios para apoiar a equipa. É importante estar perto também daqueles que ao longo do ano vivem longe da sua pátria por motivos profissionais.
Se excetuarmos os jogadores que estão afastados por lesão, Fernando Santos já conta neste grupo que foi escolhido para estes dois jogos de preparação com 70% a 80% dos atletas que farão parte das suas escolhas finais. E depois de quatro meses sem jogos de seleções, trata-se assim de uma oportunidade para reunir a equipa, integrar os mais novos, reforçar os laços e começar a focar no grande objetivo que será o Mundial’2018.
Sabendo que os nossos adversários na Rússia serão Espanha, Irão e Marrocos, a escolha de adversários com estilos de jogo semelhantes acaba por fazer todo o sentido, de modo a testarmos o tipo de dificuldades e exigência competitiva, idênticas às que iremos encontrar em no próximo mês de junho.
O Egito tem Mohamed Salah como principal estrela, o atual melhor marcador da liga inglesa, que esta temporada, a melhor da sua carreira, já apontou um total de 39 golos ao serviço do Liverpool e da seleção. Os egípcios são vice-campeões africanos e marcarão presença na Rússia, pelo que se tratam de uma equipa com qualidade, com boa qualidade técnica e rigor tático. É também um conjunto que tem sofrido poucos golos, pelo que se trata de um rival interessante.
Já a Holanda, a passar uma fase menos positiva (falhou os apuramentos para o último Europeu e também não marcará presença no próximo Mundial), não deixa de ter uma equipa com jogadores de enorme qualidade e com experiência em grandes clubes europeus como são os casos, por exemplo, de Virgil van Dijk, Wijnaldum, Memphis Depay e do nosso bem conhecido Bas Dost. Além disso, os holandeses atravessam uma sequência de 5 vitórias consecutivas e estarão apostados em dar-lhe continuidade nos jogos que irão fazer com Inglaterra e Portugal.
Será importante para a nossa equipa enfrentar rivais que gostem também de ter a bola e que não se remetam exclusivamente à defesa. Será isso que, mais cedo ou mais tarde, vamos encontrar na Rússia, a começar pela Espanha no dia 15 de junho, uma equipa que, como se sabe, privilegia um futebol rápido e com muita circulação de bola.
Estamos a cerca de 2 meses e meio da entrada em cena no Mundial’2018 e é tempo de começar a aquecer os motores. Afinar a(s) tática(s), ver a reação da equipa perante vários cenários, identificar pontos de melhoria e reforçar a união do grupo. São pequenas etapas para uma meta que Fernando Santos já definiu: lutar sempre pela vitória, mesmo sabendo que não somos favoritos.
O Craque – Afirmação de Rony Lopes
Nos últimos anos tem sido apontado como uma das grandes promessas do futebol português. Rony Lopes estava ainda na formação do Benfica quando o Manchester City o levou. Com poucas oportunidades em Inglaterra, e após 3 anos de empréstimo no Lille, o jovem avançado está finalmente a despontar no Mónaco. Sob o comando de Leonardo Jardim, já apontou 12 golos esta temporada e é mesmo o segundo melhor marcador da equipa na liga francesa com 10. Velocidade, técnica, habilidade e boa finalização fazem dele um jogador a ter em conta para um futuro próximo.
A Jogada – Gerir fase de transição
O futebol português tem sido menos prolífero no lançamento de defesas centrais, situação que complica as escolhas de Fernando Santos. No entanto, o selecionador tem recorrido, e bem, à experiência. Jogadores como Pepe, Bruno Alves, José Fonte e Rolando, assim como Ricardo Carvalho fez num passado recente, podem ajudar nesta fase de transição, até que surjam mais opções. Sejam eles jovens, como Rúben Dias, que tem sido aposta no Benfica, ou atletas a ganhar maturidade competitiva, como Ricardo Ferreira ou Edgar Ié, entre outros. Há que gerir as apostas.
A Dúvida – A época de Nani
Nani é um dos jogadores mais utilizados pela Seleção Nacional na última década. Conta com 112 internacionalizações e foi um elemento importante na conquista portuguesa do Euro’2016. Após uma época algo apagada em Valencia, o extremo apostou na ida para o futebol italiano, mas as coisas na Lazio não têm corrido como seguramente esperava. Foi titular apenas por 2 vezes na Serie A e em 2018 soma apenas 277 minutos de utilização. Fernando Santos afirma que o jogador continua na sua lista de 35 jogadores. Será que Nani ainda vai a tempo de garantir um lugar no Mundial da Rússia?
