António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

As bases do tetra

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O Benfica carimbou a conquista do tetra com uma vitória categórica e incontestável sobre o V. Guimarães. Um campeão tem sempre mérito para ter terminado no topo. E neste caso, viu premiada a sua consistência e regularidade num percurso que teve alguns percalços, mas que não desviou as águias do objetivo inicial. Que fatores contribuíram para este sucesso?

Planeamento. Entrou na competição com o plantel bem apetrechado e teve mais soluções do que a concorrência. A conceção da equipa no defeso acabou por permitir um conjunto de opções mais equilibrado em relação a FC Porto e Sporting. Algo que dragões e leões terão de melhorar no próximo ano. Como se vê, a eficácia na preparação da equipa e o acerto nas escolhas, pode fazer a diferença meses mais tarde. Nem sempre ganha quem tem o melhor plantel, mas é um excelente instrumento para lá chegar.

Resiliência. A equipa de Rui Vitória sobreviveu a uma enorme avalanche de lesões na primeira volta do campeonato e, em função do vasto plantel que tem, conseguiu ter a cobertura suficiente para lidar com os obstáculos que surgiram neste período que, curiosamente, foi aquele em que os encarnados tiveram as exibições mais exuberantes nesta liga.

Liderança. No comando técnico, o treinador agarrou os atletas e colocou todos, mesmo aqueles que ficaram fora mais vezes, focados na conquista do título. Além disso, Rui Vitória tem feito crescer jogadores e essa é uma mais-valia importante em qualquer clube. E dentro de campo, Luisão, que muitos davam erradamente como acabado, foi um líder e pilar da equipa, com a sua experiência a ser importante para orientar os colegas nos momentos difíceis.

Qualidade. É inegável que o Benfica tem bons jogadores. Ativos como Ederson, Nélson Semedo ou Lindelof poderão render vendas milionárias no próximo mercado de verão. Atletas como Grimaldo, Rafa, Cervi ou Zivkovic podem evoluir no futuro. E Jonas, Mitroglou, Fejsa e Salvio dão garantias de alto nível. Falta mencionar Pizzi, o melhor jogador da equipa esta temporada e o motor alta rotação do meio campo. O internacional português fez uma época incrível, com mais de meia centena de jogos, onde em muitos deles foi o dínamo decisivo para alcançar as vitórias.

Produtividade. Tem o melhor ataque e defesa da prova em igualdade com o FC Porto. Apenas em dois jogos, em Setúbal e Paços de Ferreira, é que o Benfica não conseguiu marcar golos na liga. A capacidade de chegar com frequência (e eficácia) às balizas adversárias acabou por ser uma arma letal. O facto de a equipa não ter tido um grande goleador esta época, com os golos a distribuírem-se por vários jogadores, também comprova esta boa relação do coletivo com as balizas adversárias.

Sorte. É algo comum a todos os campeões, a chamada estrelinha. Nos momentos em que podia ter caído ao 2.º lugar, acabou por resistir no topo por demérito da concorrência. As águias passaram por um período oscilante a nível exibicional, mas os adversários não conseguiram tirar partido disso. E em alguns jogos menos inspirados, a equipa soube sofrer e manter-se na frente. Dos três grandes foi também a equipa menos penalizada por arbitragens infelizes.

Este Benfica não teve o brilhantismo de outras conquistas anteriores, mas foi uma equipa séria e focada. Fez da força coletiva uma arma e saiu vencedor. Cabe agora aos rivais encontrar a fórmula certa para tentar contrariar este ciclo vitorioso das águias.

O Craque – Segurança e qualidade

A seguir a Benfica e FC Porto, o Marítimo é neste momento a equipa com menos golos sofridos no campeonato. Daniel Ramos estruturou uma equipa compacta e muito bem organizada no setor defensivo. O médio Erdem Sen, que chegou este ano à 1.ª Liga, tem sido aposta regular e um elemento influente no rendimento da equipa, fechando bem os espaços, recuperando bolas e construindo jogo. E por vezes também arrisca subir no terreno e apoiar o ataque. A experiência e inteligência tática deste trinco turco foi uma mais-valia no Marítimo desta época.

A Jogada – O êxito do FC Porto B

O FC Porto B conquistou a Premier League International Cup com uma exibição de grande nível, vencendo o Sunderland por 5-0. Uma vitória que merece o devido destaque, por se tratar de uma equipa portuguesa, ser um feito inédito e atestar o êxito das equipas B (de todos os clubes) e a sua colocação na 2.ª Liga. A diferença de andamento, competitividade, maturidade e evolução dos nossos jogadores é visível e confirma o bom trabalho feito. E nesta equipa secundária dos dragões, que vence o segundo troféu em 2 anos, há atletas que vão chegar em breve a um patamar mais alto.

A Dúvida – Apostas de sucesso

Leonardo Jardim sagrou-se campeão francês e Paulo Fonseca conquistou a dobradinha na Ucrânia. Sérgio Conceição realizou uma recuperação fantástica no Nantes e Paulo Sousa luta por um lugar europeu na Fiorentina. Marco Silva, apesar da descida já confirmada do Hull City, ganhou credenciais em Inglaterra pelos excelentes indicadores que deu. Já Carlos Carvalhal levou o Sheffield Wednesday pela 2.ª vez ao playoff do Championship. E José Mourinho está na final da Liga Europa. Servirão estes (e outros) brilharetes para abrir ainda mais as portas do futebol europeu aos treinadores portugueses?

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