Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Balanços e projeções

1 - Com o ano de 2016 a aproximar-se do fim, é tempo de balanços e de projetar o que nos poderá trazer 2017. Tivemos um ano inesquecível a nível de Seleção, com a conquista de um troféu que há muito nos escapava: o Euro. Este triunfo permite a consagração, com justiça, do selecionador Fernando Santos como um dos melhores treinadores mundiais e, claro, de Cristiano Ronaldo no topo dos futebolistas internacionais. E por força do êxito europeu, teremos a possibilidade de participar no próximo ano, pela primeira vez, na da Taça das Confederações. Um momento que centrará a atenção de todos.

Em termos de clubes, o Benfica conquistou o tricampeonato, feito que não conseguia há algumas décadas e o treinador Rui Vitória tornou-se uma das figuras do ano. Apesar de tudo, o Sporting também realizou a sua melhor marca num campeonato disputado a 3 pontos. Jorge Jesus elevou o nível competitivo dos leões e aumentou a ambição dos adeptos. Quanto ao FC Porto, depois de uma época para esquecer, aproveitou a segunda metade do ano, para lançar os alicerces de uma equipa mais competitiva, com capacidade para chegar mais longe no futuro.

Os 3 grandes entram agora numa fase que pode determinar o que será a segunda volta do campeonato, já em 2017. Na época anterior, foi precisamente depois do Natal, que começou a fase de declínio do FC Porto e que se assumiu a luta a dois entre Sporting e Benfica. Este ano, as águias vão dianteira, mas dragões e leões ainda acreditam na conquista do título. Não há margem de erro, nenhuma das equipas atingiu o seu máximo potencial e tudo pode acontecer. E teremos o interesse adicional de ver como se comportarão Benfica e FC Porto nos oitavos de final da Liga dos Campeões, competição que, como se sabe, é vital para as contas e que serve de montra para mostrar os principais valores aos grandes clubes europeus.

2 – Olhando para o campeonato português e excluindo os 3 grandes da equação, este é também um bom momento para identificar valores da nossa Liga que poderão dar nas vistas durante o próximo ano. Emprestado pelo Manchester United, o jovem Joel Pereira (20 anos) assumiu a titularidade na baliza do Belenenses e tem estado em bom plano. Muito ágil e seguro entre postes. Já o defesa direito Victor García dá profundidade à faixa direita do Nacional e garante segurança defensiva. Do lado esquerdo, o lateral Florent mostra boa forma no Belenenses. E os centrais Fábio Cardoso (V. Setúbal) e Ricardo Ferreira (Braga) podem confirmar em 2017 os bons indícios que foram dando este ano, fortes no jogo aéreo e na marcação.

No meio campo, Francisco Geraldes (Moreirense) e Rodrigo Battaglia (Chaves) são dois nomes a reter. O primeiro (ver ao lado) exibe imensa inteligência tática e técnica. Já o segundo, de regresso a Braga, é um dos destaques desta liga, pela capacidade de pressão, entrega e golos que deu à equipa do Chaves. Nas alas, pela velocidade e técnica que mostram e também pela influência que têm no ataque, os jovens Raphinha (V. Guimarães) e Gil Dias (Rio Ave) têm grande potencial de evolução.

Quanto ao ataque, Soares (V. Guimarães) e Walter González (Arouca), dois pontas-de-lanças muito interessantes, fortes no jogo aéreo e na desmarcação, podem confirmar as excelentes prestações do ano anterior e dar sequência a esse bom momento. E há mais talento a seguir na liga portuguesa. Bruno Varela (V. Setúbal), Rafa Soares (Rio Ave), Welthon e Pedrinho (Paços de Ferreira), Daniel Podence (Moreirense), Iuri Medeiros (Boavista) e Gustavo Tocantins (Estoril) são mais alguns nomes a merecer atenção.

Boas entradas em 2017.


Craque – Qualidade crescente
Qualidade técnica, inteligência e uma leitura do jogo acima da média. Francisco Geraldes promete ser mais uma pérola com chancela leonina. O médio emprestado ao Moreirense tem sido uma das boas surpresas do campeonato. Já tinha dado nas vistas na equipa B do Sporting, onde registou 11 golos e 15 assistências em 62 jogos e está a mostrar agora o seu talento na 1.ª Liga. Eficiente a organizar o jogo da equipa e possuidor de grande maturidade tática, tem na qualidade do passe um dos seus fortes, podendo também aparecer em zonas de finalização. Não admira que se fale já no seu regresso à casa mãe em janeiro.

A Jogada – Desvendar da mística
Nos últimos tempos, muitas vezes se fala e teoriza sobre a mística do FC Porto. O argentino Lucho González não se formou no Dragão, mas cresceu enquanto portista e explicou esta semana de forma exemplar o que é isso da mística, mostrando que assimilou o conceito em pleno. "É a história do FC Porto, lutar até ao fim, acreditar. Sacrifício, acreditar no dia-a-dia, de quem joga e de quem fica de fora. É uma coisa que se transmite. Um legado. Acreditar até ao fim contra todas as adversidades". Garra, superação e qualidade. Características que Lucho também tinha.

A Dúvida – A razia continua…
Manuel Machado deixou o Nacional e tornou-se o 11.º treinador a abandonar uma equipa do principal escalão do nosso futebol na corrente temporada. Quer isto dizer que 60% das equipas da 1.ª Liga já trocaram de treinador em apenas 15 jornadas. Numa competição em que descem apenas duas equipas e onde poucos clubes assumem o propósito de lutar pelas competições europeias, este elevado número de alterações é um absurdo, porque muitos técnicos estariam a cumprir objetivos. E leva a perguntar: faltou competência aos treinadores ou os dirigentes não souberam planear corretamente a época?

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