António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Boas equipas e mais golos

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Finalizadas as competições ao nível de clubes, e com as atenções prestes a virarem-se para o Mundial da Rússia, este é um bom momento para fazer um balanço sobre as equipas e jogadores que mais se destacaram no futebol nacional, numa época em que se registaram alguns indicadores muito interessantes.

Esta temporada tivemos mais golos na Liga (826), um aumento de 13% em relação ao ano anterior. Foram mais 98 golos que indicam uma maior predisposição das nossas equipas em chegarem às balizas adversárias, sendo que mais de metade dos jogos da Liga (51%) terminaram com 3 ou mais golos apontados.

Com uma média de 2,7 golos por jogo, este registo coloca a liga portuguesa ao nível dos números apresentados em Inglaterra, Espanha, Itália e França. Apenas na Alemanha se faturou mais (média de 2,8 golos). O golo é um momento chave do futebol e uma das razões que leva tantos adeptos a verem futebol. Apresentar números próximos das principais ligas da Europa é um indicador extremamente positivo.

No entanto, há que o dizer também, este foi um campeonato nivelado por baixo. Se olharmos para a pontuação do 5.º classificado (Rio Ave, 51 pontos), chegamos à conclusão de que ficou mais perto do último lugar (a 21 pontos de distância) do que do 4.º posto (a 24 pontos). Existiu muito equilíbrio na segunda metade da tabela, sendo que os tradicionais 30 pontos que normalmente garantem a permanência não foram suficientes.

Sobre o campeão FC Porto, já tudo foi dito praticamente. Equipa mais regular, bom futebol na maioria dos jogos e vitórias nos momentos decisivos. Mas outras equipas também se destacaram pela qualidade do futebol exibido, como Braga (em certos momentos, teve o melhor futebol), Rio Ave (mentalidade de equipa grande), Chaves (organização e leitura dos adversários) e Portimonense (futebol virado para o ataque). Formações bem comandadas, com princípios definidos e que não abdicaram da forma de jogar. Por seu lado, emblemas como Marítimo, Boavista (ambos muitos fortes a jogar nos seus estádios) e Tondela (3ª melhor defesa a jogar fora) também merecem destaque, pelo bom campeonato que fizeram, revelando boa organização defensiva e capacidade para surpreender os adversários. E claro, uma palavra para o Desp. Aves que, em ano de regresso ao principal escalão, conseguiu garantir a permanência e conquistar o primeiro grande troféu da sua história: a Taça de Portugal frente ao Sporting. Não foi uma época fácil, com três treinadores a passarem pelo comando técnico (Ricardo Soares, Lito Vidigal e José Mota), mas acabou por fechar de forma positiva.

Olhando para os jogadores, e fazendo um exercício de compor duas equipas com jogadores que se destacaram nos relvados portugueses (uma com jogadores dos três grandes e outra com jogadores das restantes equipas), podemos dizer que estes nomes em baixo (e muitos mais poderiam ser referidos), foram algumas das estrelas da temporada futebolística:

Equipa A: Rui Patrício (Sporting); Ricardo Pereira (FC Porto), Coates (Sporting), Marcano (FC Porto) e Alex Telles (FC Porto); Herrera (FC Porto), Bruno Fernandes (Sporting) e Brahimi (FC Porto); Marega (FC Porto), Jonas (Benfica) e Bas Dost (Sporting).

Equipa B: Cláudio Ramos (Tondela); Ricardo Esgaio (Braga), Bruno Viana (Braga), Marcelo (Rio Ave) e Jefferson (Braga); Pelé (Rio Ave), Lucas Evangelista (Estoril) e Raphinha (V. Guimarães); Nakajima (Portimonense), Fabrício (Portimonense) e William (Chaves).

O craque -- Herói da Taça

Alexandre Guedes foi o herói da final da Taça de Portugal com dois golos apontados. Quis o destino que o avançado tenha sobressaído num jogo perante o clube que o formou. Forte nos duelos com os defesas adversários, o jovem ponta-de-lança português revelou oportunismo e faro de golo, respondendo bem às solicitações dos colegas. Esta época apontou apenas 3 golos na liga portuguesa pelo Desp. Aves (tinha marcado 26 golos pela equipa em 2 anos na 2.ª Liga) e fica a sensação de que se trata de um jogador com margem de progressão (tem 24 anos), que pode render ainda mais no futuro.

A jogada -- Triunfo merecido

Nos últimos oito anos, a Taça de Portugal teve sete vencedores diferentes. Apenas o Benfica venceu por duas vezes neste período. Um registo muito positivo e que valoriza ainda mais a prova, já que outras equipas para além dos 3 grandes têm conseguido chegar ao triunfo. No dia mais importante da sua história, o Desportivo das Aves venceu o troféu com uma exibição séria e uma equipa muito bem preparada por José Mota. Mais um daqueles episódios de superação em que ‘David venceu Golias’ e um prémio para um clube que está a criar bases sólidas para se impor na 1.ª Liga.

A dúvida -- Sem lugar na Europa?

O Desp. Aves conquistou, por mérito próprio, um lugar nas competições europeias da próxima época. No entanto, tudo indica que ficará impossibilitado de participar na Liga Europa porque não regularizou o seu licenciamento nos prazos devidos. Durante uma temporada, nem sempre os clubes mais pequenos preconizam a possibilidade de atuar nas provas europeias, até mesmo pela questão financeira que isso envolve. Deveria a FPF mudar os procedimentos, no que respeita às inscrições dos clubes para as competições europeias, para que situações destas não voltem a suceder?

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