Clássicos bem trancados
1 - FC Porto e Sporting realizaram esta semana, em confronto a contar para a Taça da Liga, o quarto duelo da temporada entre os grandes do futebol português. Na sua totalidade, 360 minutos disputados em clássicos resultaram em 4 e empates e apenas 2 golos marcados. Cada jogo teve a sua história e é certo que existiram momentos que podiam dar a vitória a qualquer uma das equipas, mas o que fica são os resultados finais e estes indicam um grande equilíbrio entre as formações mais fortes do nosso futebol.
Comsiderando nesta contabilidade também a época anterior é possível constatar que já são 6 os clássicos consecutivos a terminarem empatados. O que nos leva a questionar se isto se deve a um equilíbrio muito grande de forças, à aposta por parte dos técnicos de uma abordagem mais tática e conservadora que proporciona jogos mais fechados ou se nestas partidas tem sido maior o medo de não perder do que a vontade de ganhar.
De certo modo, a explicação estará, em parte, na junção de todos estes argumentos. Olhando para os onzes normalmente titulares de Benfica, FC Porto e Sporting, estamos a falar de formações com um nível muito semelhante, embora com dinâmicas e formas de jogar distintas. No entanto, quando estas equipas se encontram tem havido uma forte preocupação destas em se tentarem ‘anular’, com espaços muito cerrados e poucas oportunidades de golo. E é um facto que, ao não perder contra um rival direto, se consegue adiar ou evitar algum tipo de impacto negativo, a nível anímico, que pudesse surgir destes confrontos.
Esta igualdade de forças, por seu turno, permite-nos perspetivar uma segunda volta de grande competitividade, com os 3 grandes a mostrarem ter argumentos para conquistarem títulos. Com o calendário a apertar e as grandes decisões a começarem a aproximar-se, este lado mais pragmático não deve perdurar até ao fim, no entanto a diferença poderá fazer-se nos detalhes e na inspiração dos principais artistas da bola. Chegará o momento em que alguma das equipas tentará arriscar mais, para poder ganhar vantagem ou recuperar terreno. E com tantos clássicos ainda por disputar (5), incluindo o duplo confronto entre dragões e leões na Taça de Portugal, acredito que veremos partidas com uma maior procura pela baliza adversária.
2 – V. Setúbal e Sporting discutem amanhã a final da Taça da Liga, jogo em que será atribuído o primeiro troféu de 2018, que passou a consagrar o ‘campeão de inverno’. Trata-se da reedição da primeira final da competição disputada há quase 10 anos e que ficou decidida nos penáltis, a favor da equipa sadina.
Os sadinos chegam à final depois de superarem a Oliveirense, numa partida em que os oponentes até foram superiores, mas o talento de Gonçalo Paciência, avançado em bom momento de forma que fez um golo e uma assistência, ajudou a desbloquear a partida. Já o clássico entre Sporting e FC Porto, muito dividido e com poucas ocasiões de golo, foi decidido nos penáltis. E os leões foram mais felizes nessa decisão.
Nesta final teremos um duelo entre dois treinadores, José Couceiro e Jorge Jesus, que no passado já estiveram do outro lado da barricada, e que surge uma semana depois do empate entre as duas equipas para o campeonato, que causou alguma frustração para os leões pela forma como aconteceu, com um penálti no período de descontos. Curiosamente, na primeira volta, foi também um penálti perto do fim que permitiu a vitória do Sporting em Alvalade por 1-0. Será um jogo em que os leões serão favoritos, mas o V. Setúbal tem uma palavra a dizer. Que seja um bom espetáculo!
O craque -- Azar de Krovinovic
Uma grande infelicidade bateu à porta de Krovinovic, médio que vinha a assumir um estatuto cada vez maior na equipa do Benfica. O jovem jogador era um dos protagonistas da melhoria exibicional que as águias têm demonstrado, oferecendo mais imaginação, versatilidade e fluidez ao futebol encarnado, sendo o principal transportador da bola e municiador do ataque. Uma lesão grave vai deixá-lo de fora até ao final da época e travar a evolução que vinha a registar. Um jogador de grande potencial que abre agora uma vaga no meio-campo benfiquista.
A jogada -- Exigência máxima
Itália e Polónia serão os adversários de Portugal na Liga das Nações, novíssima prova da UEFA que estreará este ano. O sorteio ditou dois oponentes complicados. A Itália, apesar de passar uma fase menos boa (não se apurou para o Mundial), tem sempre um conjunto recheado de jogadores de elevada qualidade e é historicamente um rival muito difícil de bater para os portugueses. Já a Polónia tem jogadores de qualidade e o seu selecionador já afirmou a vontade de vingar a derrota com a nossa Seleção no Euro’2016. Teremos quatro partidas intensas e de alto nível pela frente.
A dúvida -- Teste à polivalência
A lesão de Danilo Pereira, a contas com uma rotura muscular na perna esquerda, vai privar o FC Porto do seu médio-defensivo durante cerca de um mês, falhando jogos importantes como as receções a Sporting (Taça de Portugal) e Liverpool (Liga dos Campeões). Está aqui mais um desafio à elasticidade do plantel dos dragões, com Sérgio Conceição a ter de encontrar uma alternativa com características diferentes do internacional português para a posição ‘6’. Até que ponto esta situação irá mexer com as dinâmicas da equipa?
