António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Como mudar o dragão?

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O FC Porto passou o Natal em primeiro lugar, com mais cinco pontos que o Benfica. Dificilmente se poderia prever que, no espaço de quatro meses, viesse a perder 14 pontos para um rival que até venceu nos dois confrontos diretos, estando hoje a nove de distância. Os dragões foram quem mais pontos conquistou no ano civil de 2015 e tiveram um recente ciclo de invencibilidade no seu estádio que superou os 20 jogos. Tudo se desmoronou como um castelo de cartas.

É tempo de perceber o que correu mal. Que se faça uma análise interna, um profundo diagnóstico com autocrítica construtiva que permita encontrar soluções para reerguer a equipa, tendo a noção de que foram cometidos erros no planeamento desportivo da época e que os mesmos devem ser reparados.

No primeiro ano de Lopetegui, apesar das várias contratações feitas, o espanhol conseguiu aproveitar uma base de jogadores do ano anterior para montar a espinha dorsal da equipa. Fabiano, Helton, Danilo, Alex Sandro, Maicon, Herrera, Quaresma e Jackson eram jogadores ambientados ao clube, que ajudaram a integrar os mais novos. Em épocas anteriores, Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas e Vítor Pereira usaram sempre esse princípio da continuidade, mantendo a matriz identitária da equipa, colmatando apenas 2/3 saídas no onze principal com jogadores de grande potencial. Essa estabilidade beneficia uma estratégia de sucesso.

Olhando para o atual plantel, constata-se que 9 dos 12 jogadores mais utilizados em 2014/15 já não se encontram no FC Porto. As exigências financeiras falaram mais alto, mas foram demasiadas mudanças. Quando se diz hoje que muitos jogadores não sabem o que é ser Porto, isso também foi consequência das várias mexidas. E, ao contrário do que foi sendo dito, Lopetegui não tinha um plantel mais forte neste segundo ano.

Apesar de tudo, a equipa parecia mostrar potencial para crescer ao longo da competição e os resultados iniciais deram alguma confiança. No entanto, a exibição apática no jogo com o Dínamo Kiev, em casa, deu início a uma espiral negativa, que culminou numa quebra anímica, de rendimento e regularidade, que nunca deixou a equipa vencer mais de três partidas seguidas.

Existe um défice de qualidade e esses desequilíbrios permaneceram após o mercado de inverno. A equipa até ficou mais fraca com as saídas e entradas verificadas, o que obrigou o treinador a fazer remendos para encontrar soluções. A tarefa de José Peseiro nunca seria fácil. Mudar a meio da viagem seria complicado. Mas uma mudança pede melhorias, e até ao momento os números não jogam a seu favor. Os dragões marcam menos e sofrem muito mais.

Aquele que sempre foi um dos grandes pilares das equipas dos dragões, a solidez defensiva, passou a falhar. Costuma dizer-se que não se pode construir uma casa pelo teto. E a nova abordagem tática expôs as debilidades do sector defensivo. Neste capítulo, o FC Porto é hoje mais permeável. Tem de melhorar, até porque ainda há um troféu para disputar esta época.

O desagrado dos sócios é natural. Num momento importante para o clube, pedem-se soluções e cabe a Pinto da Costa encontrá-las, para relançar as bases de um futuro mais risonho. Não há pessoa mais habilitada para isso. Dotar a equipa de maior qualidade, manter uma espinha dorsal, perceber se o atual treinador é a solução certa (avaliação que durará até ao final da época), praticar um futebol mais consistente e potenciar melhor os talentos provenientes da formação são premissas totalmente necessárias.

O craque -- Homem-golo de Tondela

Em 14 jornadas apontou 11 golos e tem sido uma das principais armas utilizadas por Petit para tentar salvar o Tondela da descida de divisão. Nos últimos quatro meses, Nathan Júnior apontou quase 60% dos golos dos tondelenses, sendo um jogador vital na tentativa de recuperação desta equipa estreante no principal escalão do futebol português. Com uma carreira recheada de experiências diferentes na Europa, nos campeonatos de Chipre, Letónia, Áustria, Geórgia e Rússia, este rápido avançado brasileiro, difícil de marcar e oportuno a finalizar, tem sido bastante útil num futebol de contra-ataque.

A jogada -- Continuar a acreditar

O Benfica saiu vivo de Munique e resistiu à máquina trituradora com que o Bayern costuma brindar aos visitantes do seu estádio. Uma exibição personalizada e solidária, que envolveu capacidade de sofrimento e uma reação destemida a um precoce golo sofrido que poderia deitar tudo a perder no que respeita ao equilíbrio tático e mental da equipa. Um resultado que permite continuar a acreditar nas meias-finais da Liga dos Campeões e que, só por isso, é digno de registo. Um grande jogo em casa e um dia mau dos alemães pode transformar o sonho em realidade.

A dúvida -- Guerrilha verbal

Com Benfica e Sporting separados por dois pontos e com mais seis jornadas por disputar, a decisão do campeonato promete emoção até ao final. Uma disputa taco a taco que parece prolongar-se para fora de campo. O ambiente de guerrilha verbal entre rivais está mais aceso do que nunca, as máquinas de comunicação entraram em ação, e até as águias, que outrora pareciam reservar-se ao silêncio, aparecem agora a responder à letra. A arbitragem continua a ser o tradicional foco da discórdia. Não deveriam a Liga e/ou a FPF tomar uma posição em relação a esta temática?

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