António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Conjuntura difícil

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A arbitragem portuguesa vive dias difíceis. A atual conjuntura, provocada pelo abandono precoce de alguns dos melhores árbitros nacionais, levou à formação de um quadro de árbitros em que, salvo algumas exceções, nem todos têm a experiência e o traquejo necessário, e a outros, porventura, talvez falte a qualidade que se exige numa competição de alto nível. E não é promovendo rapidamente alguns destes juízes a internacionais (aquilo que já apelidaram de "internacionais proveta") que se vai resolver o problema. Como em todas as profissões precisam de tempo para crescer, mas como fazer isso sem afetar o desenrolar das competições?

O setor vive naturais dores de crescimento. Acontece isso com jogadores, treinadores ou dirigentes. Com a arbitragem, passa-se o mesmo e talvez ajude a explicar a constante dualidade de critérios nas decisões dos árbitros que temos assistido durante a temporada em curso. Mais do que responder a reclamações deste ou daquele clube, era importante que a pedagogia se impusesse e isso cabe ao Conselho de Arbitragem da FPF. Que se explicassem quais as decisões que estão corretas e as que estão erradas para que os juízes possam evoluir e falhar menos no futuro.

Essa comunicação até pode existir internamente, mas era importante que fosse passada para o exterior, de modo a que adeptos, clubes e agentes desportivos possam entender os critérios que devem ser (e são) utilizados. Mais do que isso, ajudaria a criar massa crítica junto de todos os interessados no fenómeno futebolístico, ao invés deste permanente clima de suspeição que se alarga pelo futebol português e que, infelizmente, começa a chegar lá fora. No panorama mediático, os árbitros são dos poucos agentes que não têm hipótese de falar e defender as suas decisões. Era bom que tivessem essa oportunidade de esclarecer toda a gente.

Fazer como a avestruz e esconder a cabeça na terra, é que não faz sentido. Não se pode atirar as culpas apenas para os dirigentes e treinadores que criticam arbitragens para justificar falhas desportivas. Isso sempre aconteceu, com mais ou menos razão dos intervenientes. Se os erros ocorrem de forma constante é preciso olhar para dentro da estrutura e refletir sobre como se pode melhorar as prestações dos árbitros de modo a não prejudicar a verdade desportiva.

Totalmente de acordo que não se pode colocar em causa a honra e dignidade dos árbitros, mas também não se pode olhar com serenidade para algo que está a prejudicar o futebol, sob pena desta indústria poder cair em descrédito. A sustentabilidade financeira do futebol nacional também depende de uma competição saudável. Uma postura rápida, convincente, proactiva e defensora do próprio futebol é aquilo que urge assumir.

A meritocracia tem de ser aplicada e um juiz tem de saber que se falhar de forma recorrente, será penalizado. Não é impune. Da mesma forma que um jogador vai para o banco ou para a bancada quando está num mau momento de forma. Daí que a máxima de que os melhores árbitros devem ser designados para os melhores jogos faça todo o sentido. Ainda mais nesta tal conjuntura em que temos imensos árbitros em fase de aprendizagem.

Há que tomar medidas que melhorem o nível das arbitragens e esta é a altura ideal para as tomar, na antecâmara dos momentos decisivos da época que surgirão nos próximos meses. Que a reunião de urgência com os clubes, convocada para a próxima semana pelo Conselho de Arbitragem da FPF, possa trazer novidades quanto a esta matéria.

Craque – Amostra promissora

Pouco utilizado durante a época, com apenas 6 minutos de jogo na Liga (as lesões não ajudaram), o jovem Zivkovic aproveitou o jogo da Taça da Liga frente ao Vizela para dar os primeiros indícios do que pode vir a valer. Bom pé esquerdo, habilidade para romper pela faixa e criar desequilíbrios no um para um e especialista em assistências, sendo que também arrisca no remate. Rui Vitória tem aqui um diamante para lapidar que, se evoluir em termos táticos, pode tornar-se um dos principais valores da equipa do Benfica. Talento não lhe falta.

A Jogada – Torcer pela dupla vitória

Na próxima segunda-feira vamos ficar a conhecer os vencedores dos prémios da FIFA para o melhor treinador e melhor jogador em 2016. Fernando Santos e Cristiano Ronaldo estão entre os finalistas e são fortes candidatos. A concorrência é grande. Nos treinadores, Claudio Ranieri fez uma época inacreditável com o Leicester e Zinedine Zidane venceu a Liga dos Campeões. Lionel Messi e Antoine Griezmann são também adversários de peso para CR7. Mas será inteiramente merecido se viermos a festejar uma dupla vitória portuguesa. Esperemos que essa consagração possa acontecer.

A Dúvida – Bons e maus exemplos

Também lá fora a arbitragem tem sido alvo de contestação. Em Inglaterra, o argelino Sofiane Feghouli, do West Ham, viu esta semana um cartão vermelho direto, por uma falta que, aparentemente, não justificava tamanha decisão. E uma pesada suspensão de 3 jogos foi agora anulada pela federação inglesa que reagiu rapidamente. Por cá, a caricata e ridícula expulsão do portista Danilo correu o mundo e o jogador ficou impedido de alinhar frente ao Paços de Ferreira na próxima jornada. Não existiriam também aqui razões para despenalizar o jogador?

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