António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Conquista com dedo do treinador

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Em junho do ano passado, no dia da apresentação como treinador do FC Porto, Sérgio Conceição afirmou o seguinte: "É conhecido o momento difícil do FC Porto, mas são momentos que me fazem superar. Sou um ex-atleta de raça e ambição, e são essas características que vou utilizar. Vimos aqui dar o melhor, sermos exigentes, rigorosos para no fim dar a todos os portistas e toda a massa adepta a alegria de conquistar títulos. Foi com enorme alegria e amor ao clube que vim. Estou convencido que vou conseguir estar feliz em maio do próximo ano." Dito e feito. Quase um ano depois, o título do FC Porto tem uma marca inequívoca do seu timoneiro.

Como já referi anteriormente, tos os campeões têm mérito. O êxito é obtido em função do trabalho de uma época, em que se conjugam diversos fatores como a qualidade do futebol praticado, a organização técnico-tática, o trabalho de laboratório efetuado nos treinos, a leitura dos adversários em cada jogo, a confiança e união do grupo, a estrelinha da sorte em alguns momentos e também o demérito dos oponentes em determinadas situações. E o FC Porto é um justo vencedor. Foi a equipa mais regular, exibiu bom futebol na maioria das partidas e venceu os rivais diretos (Sporting e Benfica) na segunda volta.

Sem possibilidade de ter reforços no início da época, Sérgio Conceição considerou que seria capaz de formar uma equipa competitiva com os atletas que o clube tinha nos seus quadros. À formação do ano anterior, juntou atletas que tinham estado emprestados e montou uma equipa à sua imagem: com garra, ambição e olhos postos na baliza adversária. Em função das características dos jogadores disponíveis, aproveitou o que melhor poderiam fazer dentro de campo: segurança defensiva, profundidade e projeção ofensiva nas laterais, rápido transporte da bola dos médios para o ataque e avançados fortes em cima da defesa adversária.

A falta de soluções que a crítica apontava como um problema do FC Porto no início da temporada, colocando mesmo os dragões atrás de Benfica e Sporting no favoritismo à conquista do título, acabou por não se sentir. Sérgio Conceição desenvolveu um grupo inteligente e multifacetado, com jogadores a desempenharem mais do que uma função dentro de campo, e a própria equipa a conseguir mudar o posicionamento tático durante as partidas, em função das necessidades. Esta elasticidade do plantel foi vital em muitos momentos e já que deu novas opções ao treinador.

Além disso, a capitalização dos recursos existentes foi outro desafio. Sérgio Conceição tinha dito que vinha para ensinar e muitos jogadores cresceram debaixo da sua tutela. Marega é o caso mais evidente, mas o mesmo se pode dizer de Herrera (jogador muito importante nesta conquista), Ricardo Pereira, Alex Telles, Sérgio Oliveira, Brahimi ou Aboubakar. Sendo que a experiência de elementos como Casillas, Marcano, Maxi Pereira, Felipe e Danilo Pereira acabou por ser o tempero ideal para focar uma equipa com pouca cultura de vitórias no grande objetivo.

Ao longo da temporada, mesmo nos momentos mais atribulados, o FC Porto manteve-se sempre uma equipa estável e concentrada. E contas feitas: além do título que quebra um jejum de 4 anos, atingiu os objetivos mínimos na Liga dos Campeões, esteve perto das finais da Taça de Portugal e da Taça da Liga (eliminado nos penáltis) e poderá bater o recorde de pontos do FC Porto numa liga com 34 jornadas. Uma temporada muito positiva dos dragões.

O craque – Fórmula de sucesso

Também era craque nos seus tempos de jogador, mas foi a partir do banco, no comando técnico do FC Porto, que se assumiu como a principal figura deste campeonato, trazendo o título de volta aos dragões. Sérgio Conceição agarrou um desafio difícil, numa conjuntura financeira complicada, conseguindo tirar o máximo rendimento das peças que tinha à sua disposição. Fortaleceu a união de todos (jogadores e adeptos), inspirou confiança e exponenciou as potencialidades do seu grupo. Encontrou a fórmula para ter sucesso na época de estreia à frente de um grande. Está de parabéns.

A jogada – A conquista do FC Porto B

O FC Porto B venceu, pela 2.ª vez consecutiva, a Premier League International Cup. Mais um feito de relevo, que confirma o excelente trabalho que António Folha tem vindo a executar na equipa secundária portista, com o desenvolvimento de jogadores com potencial para chegar à primeira equipa. Se por um lado esta conquista atesta que há matéria-prima para aproveitar na formação azul e branca, confirma-se também que a aposta nas equipas B está a colocar os nossos atletas num patamar competitivo alto. Os resultados estão à vista.

A dúvida – Preparar o futuro

Depois das celebrações do título, o desafio dos dragões passa por olharem para o futuro e tentarem dar continuidade a este novo ciclo de conquistas que agora iniciaram, depois de alguns anos sem vencerem troféus. Está criado um núcleo duro de jogadores campeões, que pode sustentar a equipa do próximo ano, mas também é certo que se afiguram algumas saídas de elementos importantes, com o término de alguns contratos e eventuais vendas de atletas. Daí que, a dúvida por enquanto permaneça: o FC Porto da próxima época será ou não muito diferente da versão 2017/18?

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