Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Consolidar o coletivo

Portugal joga hoje e terça-feira, frente a Bulgária e Bélgica, respetivamente, as últimas partidas de preparação antes de Fernando Santos anunciar os jogadores que vai levar consigo para o Euro'2016, que se realizará em França no próximo verão. Com o grupo de eleitos praticamente escolhido pelo selecionador, acabou a fase de experiências e é tempo de consolidar rotinas.

Fernando Santos parece já ter decidido que a equipa das quinas vai adotar o 4-4-2 como sistema principal. Uma opção com dois avançados e um meio-campo formado num losango clássico. Um corte com o tradicional 4-3-3 do passado e uma forma de jogar que tenta potenciar as características do atual lote de jogadores que temos disponíveis para o ataque, onde escasseiam pontas-de-lança de raiz e onde impera a mobilidade de jogadores como Cristiano Ronaldo ou Nani, entre outros atletas.

Com esta convocatória foi também efetuada uma primeira filtragem nas escolhas e a mensagem de que o selecionador tem o seu grupo praticamente definido parece explícita. As experiências acabaram e o teste de novos jogadores em evidência ficou restrito a Renato Sanches. Avançados como Bruno Moreira ou Hugo Vieira, que estão a marcar golos nos seus clubes, talvez tenham de aguardar mais uns tempos por uma oportunidade.

Poucas dúvidas restarão e só a condição física de alguns jogadores em maio poderá levar a mexidas. Será quase certo que muita gente de valor ficará de fora, sobretudo da zona do meio-campo, onde a qualidade abunda. Curiosamente, é precisamente este o sector onde se denota um maior nível de inexperiência internacional, com William Carvalho a ser o único dos médios convocados a ter mais de 10 partidas ao serviço da Seleção Nacional.

Importa por isso acumular jogos para os elementos mais novos e dar rotinas à equipa nesta maneira de jogar, para que os jogadores possam ganhar traquejo e ambientar-se o melhor possível às ideias do selecionador, solidificando rotinas e princípios táticos. Experiências nesta altura só acabariam por atrasar a evolução da equipa e dos próprios jogadores.

Pela frente teremos duas equipas que nos apresentarão diferentes graus de exigência. A Bulgária, que não conseguiu garantir um bilhete para França, apresenta semelhanças com alguns adversários que vamos encontrar na fase de grupos, sobretudo com a Islândia, já que tem alinhado com um sistema tático idêntico.

Quanto à Bélgica, estamos a falar de uma das melhores seleções europeias da atualidade, que possui neste momento uma geração fantástica com condições para lutar pelo título europeu. Além disso, em função dos recentes atentados terroristas em Bruxelas, teremos no nosso país uma equipa moralizada e certamente determinada em conseguir conquistar uma vitória para dedicar ao seu povo. Teremos dois testes importantes pela frente, que nos trarão dificuldades e que vão ajudar a equipa portuguesa a crescer.

Nestes jogos importa que a equipa tente desenvolver o seu futebol e consiga subir para um patamar competitivo que permita ir ao encontro das aspirações do selecionador, que passam por vencer o Euro'2016. Jogar bem, ganhar ritmo, acumular experiência para os mais novos e vencer são os ingredientes que se pedem à equipa portuguesa. Temos um grupo recheado de individualidades com qualidade. Agora é tempo de fazer com que o coletivo corresponda a esse mesmo potencial.

O CRAQUE

Confirmar o potencial

Depois de ter dado nas vistas ao serviço do Gil Vicente, entre 2009 e 2012, um drama familiar acabou por impedir a afirmação deste promissor avançado, que chegou a integrar os quadros do Benfica. Hugo Vieira tem hoje 27 anos e está a realizar a melhor época da carreira ao serviço do Estrela Vermelha, equipa que lidera com larga vantagem o campeonato sérvio, competição na qual o ponta-de-lança é o melhor marcador, tendo apontado golos consecutivamente nas últimas 9 jornadas. Hugo está a recuperar o tempo perdido e quem sabe se ainda vai a tempo de maiores desafios.

A JOGADA

Justa homenagem

Justa e merecida. A homenagem feita pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol a Quinito foi um exemplo e a prova de que o futebol português não deve esquecer os seus intervenientes. Também uma tragédia familiar acabou por afastar um dos mais carismáticos treinadores portugueses de futebol, amante do jogo bonito e um pensador que todos gostavam de ouvir. Que a vida o volte a fazer sorrir e que o futebol possa voltar, de algum modo, a contar com ele. É com figuras como Quinito que a modalidade ganha valor.

A DÚVIDA

Medo que não pode imperar

Em boa hora foi possível encontrar uma solução para o jogo entre a Bélgica e Portugal, com o local da partida de terça-feira a mudar de Bruxelas para Leiria, medida que assim não prejudica os planos de preparação de ambas as seleções. É a melhor resposta que se pode dar a quem quer fazer do terror uma arma: não deixar que impere a cultura do medo. O futebol é acima de tudo um desporto que une os povos em vez de os dividir. Neste novo Mundo, a segurança ganha estatuto de principal prioridade. Estaremos preparados?

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