António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

De trás para a frente

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Uma máxima do futebol diz-nos que as equipas se constróem de trás para a frente. É um princípio que se refere ao equilíbrio de sectores, onde uma defesa sólida é o alicerce fundamental para que toda a dinâmica da equipa possa funcionar. Sem uma defensiva com qualidade, que dê confiança e segurança, não há equipa ou treinador que resista. Por norma, os grandes campeões sempre se destacam pela força do seu eixo defensivo.

Sejam outsiders, como a Grécia em 2004 ou o Leicester deste ano, ou favoritos declarados como o Bayern, Barcelona ou Atlético Madrid, apesar de todas as diferenças entre estas equipas, há algo que as une: a solidez no sector recuado. Na liga portuguesa, o campeão costuma apresentar a melhor defesa do campeonato, salvo raras exceções (nas quais se encontram, curiosamente, os últimos 2 títulos do Benfica). Quer isto dizer que, apesar de não ser condição única, é vital para se chegar ao sucesso.

Podem apontar-se muitos erros a esta má temporada do FC Porto. Um deles foi a prestação defensiva. De uma época para a outra, os dragões passaram de uma fortaleza que só concedeu 13 golos na liga 2014/15 para um total de 30 golos sofridos este ano. Mais do que o dobro, muitos deles à custa de erros individuais gritantes, pouco vistos no dragão. Erros que se voltaram a observar na Taça de Portugal, perante um adversário que alinhou, qual ironia do destino, com 2 centrais formados pelo FC Porto…

A gestão desportiva acabou também por não ir ao encontro das necessidades e desequilíbrios do plantel. No mercado de inverno não chegou nenhum jogador para a defesa quando as análises já apontavam para esse sentido. As saídas de Osvaldo, Tello, Imbula, Lichnovsky, Maicon e Cissokho, acabaram por enfraquecer ainda mais as opções da equipa, que não teve nos reforços Suk, Marega e José Sá, jogadores melhores do que os que já estavam no plantel.

No meio de todas estas movimentações, o jovem Chidozie acabou por ganhar espaço na equipa sem ainda estar preparado para tal. A qualidade do jogador não está em causa, é um valor promissor, mas ainda sem escola, cometendo erros próprios de quem está a aprender, no capítulo do posicionamento e da marcação, estando ainda a ambientar-se à função de central, já que no ano passado jogava como médio defensivo nos juniores. Não seria fácil para o atleta ganhar a maturidade competitiva em pouco tempo.

Nesta fase, os diagnósticos têm de estar feitos e começarão a ser tomadas medidas em relação ao futuro. Foi uma época em que todos falharam, há que saber reconhecer isso, para poder seguir em frente com a consciência de que é preciso fazer muito melhor. Mais do que uma revolução, o plantel portista necessita de injeções cirúrgicas de qualidade, jogadores de categoria indiscutível para a equipa titular, onde o sector defensivo terá de ter especial atenção. O FC Porto sempre se notabilizou por ter grandes centrais e defesas imperiais.

A próxima época será exigente. A presença no playoff da Liga dos Campeões, em ano de Euro, Copa América e Jogos Olímpicos, exigirá que tudo seja decidido de forma célere. O clube vai precisar do seu presidente na melhor forma, que saiba escolher (como muitas vezes fez) os melhores, que seja um defensor do clube e uma voz sempre presente, capaz de unir e mobilizar os adeptos. Uma entrada em força na nova temporada será fundamental para restaurar os índices de confiança da nação portista.

O craque – Evolução e competência

Por vezes é preciso recuar um degrau, para depois poder subir dois. Foi este o caso do treinador Paulo Fonseca. Já muito se falou sobre o que falhou no FC Porto e a falta de preparação na altura, mas não é por uma má experiência que se deixa de ter qualidade e competência. Paulo Fonseca teve a humildade de inverter o trajeto para continuar a evoluir em Paços de Ferreira e Braga. Colocou a equipa minhota a praticar um futebol atraente e conquistou a Taça de Portugal. Seguem-se agora desafios ainda mais exigentes. Está num bom caminho.

A jogada – Gerações de qualidade

Nos últimos 5 anos, as seleções jovens portuguesas voltaram a afirmar-se em competições europeias e mundiais. O título europeu de sub-17 é o mais recente êxito, onde vimos uma bela equipa, comandada por Hélio Sousa, recheada de jovens promissores. Tudo isto é reflexo de um trabalho de base, que requer deteção de talento e o acompanhamento dos jogadores no processo de desenvolvimento. Justiça seja feita, há aqui dedo de Carlos Queiroz, que entre 2008 e 2010 ajudou a reestruturar os escalões de formação da FPF para estes padrões de qualidade.

A dúvida – Empréstimos e regras diferentes

A liga deu um passo importante no que respeita aos empréstimos, impedindo os atletas de alinharem contra os clubes detentores do seu passe. Uma medida salomónica, que protege clubes e jogadores de suspeições. Porém, as regras na Taça são diferentes e permitiram que Josué pudesse alinhar frente ao FC Porto. O jogador, com todo o profissionalismo, fez uma boa exibição e até marcou um golo. Duas questões se colocam. Faz sentido que esta regra relativa aos empréstimos seja diferente nas provas da FPF? Os portistas acautelaram esta situação no momento da cedência do jogador?

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