Derrubar a muralha
Portugal recebe a Letónia no próximo domingo, numa partida em que só a vitória interessa de modo a que a Seleção Nacional possa continuar a depender de si própria para garantir a vitória no grupo e o acesso direto ao Mundial’2018. A derrota portuguesa na Suíça e falta de pontos perdidos pela seleção helvética nos dois jogos seguintes, com uma importante vitória dos suíços na Hungria (um dos jogos mais difíceis desta campanha), não dá margem aos portugueses para outro resultado que não seja a conquista dos três pontos.
A nossa equipa traz o embalo de duas boas vitórias, é certo que diante de adversários mais fracos (Andorra e Ilhas Faroé), em partidas onde a abordagem foi a mais correta: respeito pelo adversário, concentração e intensidade na procura do golo, sem nunca entrar em facilitismos e cumprindo o objetivo de acumular 6 pontos. Não há jogos fáceis no futebol atual e só a competência e mais-valia dos jogadores é que pode desbloquear as partidas a nosso favor.
A receita para o jogo com a Letónia, 116.ª classificada do ranking da FIFA, não será muito diferente das duas anteriores. Perante uma equipa com menos atributos técnicos, mas que tem alguma experiência e sabe defender bem, o campeão da Europa terá de fazer um jogo sério e pragmático, focado em impor o seu forte jogo coletivo e a superior qualidade, superando as dificuldades criadas por um adversário que certamente tudo fará para retardar, o maior tempo possível, o golo português e tentar surpreender em alguma saída para o contra-ataque.
Trata-se de um oponente com quem já jogamos por quatro vezes no passado, saindo vencedores em todas as ocasiões. Portugal nunca venceu esta equipa por mais de 3 golos e isso é um dado a ter em conta para quem pensar que são favas contadas. Não sendo um país com grandes tradições no futebol, a nível de clubes e seleções, esta Letónia prima pela organização defensiva e força no jogo aéreo, numa equipa que se caracteriza pela elevada compleição física dos seus jogadores, alguns deles com mais de 1,90m de altura. Um jogo de pé para pé, como tão bem sabem fazer os portugueses, circulando a bola com velocidade e imaginação, pode ser o antídoto para derrubar ‘a muralha’ de que falou Fernando Santos.
Com Pepe e João Moutinho indisponíveis, Fernando Santos terá de optar por outras soluções, sendo que face às rotinas adquiridas pelo núcleo duro da Seleção nos últimos jogos, serão encontrados substitutos capazes de cumprirem a missão. Neste aspeto, o processo de entrada de novos jogadores, com futuro promissor, no seio do grupo da equipa das quinas, está a ser bem sucedido e facilita a gestão dos recursos à disposição.
Mais ambientados à exigência e responsabilidade dos jogos internacionais, estes novos membros estão hoje em condições de dar resposta imediata e ajudam a colmatar ausência de jogadores importantes. Atualmente, e em quase todos os setores, Portugal tem muito mais opções do que tinha há 4/5 anos e isso deve-se ao trabalho que está a ser feito na preparação de jogadores de elite, cujos resultados começam a estar à vista nas seleções jovens.
Esta será a última partida que a Seleção Nacional realiza em 2016, um ano inesquecível para todos os portugueses, que viram a sua equipa alcançar o que nunca antes conseguira. O pontapé de Éder transformou a esperança em alegria e deu-nos aquilo que o país merecia. Agora há que dar continuidade a este trajeto risonho.
O CRAQUE -- Referência no meio
Com um poço de energia e a capacidade de estar em todo o lado, Danilo Pereira está a atravessar um excelente momento. A forma como tem comandado o meio-campo do FC Porto tem sido impressionante, sendo um tampão sempre pronto a recuperar mais uma bola perdida e um dos primeiros a construir jogo, assim que o controlo do esférico regressa à equipa. Um pulmão que mantém sempre a equipa numa rotação superior e que dá o equilíbrio necessário entre a defesa e o ataque. É, sem dúvida, um dos jogadores mais apetecíveis do nosso campeonato.
A JOGADA -- Bom espetáculo
O clássico do Dragão confirmou que nem sempre a equipa que, teoricamente, está melhor é a que vai estar por cima do jogo. O FC Porto foi superior ao Benfica, exibindo uma capacidade de pressão e recuperação da bola, como há muito não se lhe via. Os dragões encostaram o adversário às cordas, mas não conseguiram matar o jogo e revelaram alguma imaturidade a gerir os minutos finais. Quanto às águias, mérito pela sua capacidade de sofrimento e por nunca darem o jogo como perdido. Uma partida intensa, com futebol positivo, incerteza no resultado, que só valoriza o nosso campeonato.
A DÚVIDA -- Coisas sem sentido
Na última semana destaquei o bom registo de Marega na presente época ao serviço do V. Guimarães. Do 8 para 80. Porém, o avançado maliano é um jogador capaz do melhor e… do pior. Agredir um colega de profissão é um comportamento inaceitável que retira brilho à prestação que vinha a ter no campeonato. Esta é uma época importante na sua carreira e o jogador devia agarrar com unhas e dentes a oportunidade que está a ter para ser protagonista. Precisa ter a cabeça limpa e focar-se no futebol dentro de campo. Será que os adeptos vimaranenses vão perdoar o seu comportamento?
