Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Desafios de Rui Vitória

Com 8 derrotas (e 4 empates) em 25 jogos oficiais, o Benfica chega a esta fase apenas com o campeonato e a Taça da Liga para disputar. Em termos desportivos, não seria certamente o esperado pelos responsáveis encarnados, mas por seu lado este calendário mais desafogado pode vir a ser uma vantagem, face aos rivais, na luta pelo título. Em paralelo, as águias encontram-se numa fase de algumas indefinições que a abertura do mercado pode ajudar a clarificar.

Este cenário é comum a todas as equipas. Sempre que surge um ciclo vitorioso, com muitas conquistas consecutivas, os clubes tendem a fazer um desinvestimento no plantel. Confiantes de que a base existente é suficiente para voltar a ganhar, e perante os constrangimentos financeiros das SAD’s, a tentação de "fazer o mesmo com menos" leva a essa tomada de decisão. Pode correr bem, mas também pode correr mal, porque os adversários também tentam tornar-se mais competitivos.

Face à saída de 3 jogadores nucleares da defesa (Ederson, Nélson Semedo e Lindelöf) e de um ponta-de-lança com características únicas no plantel (Mitroglou), o Benfica optou por não colmatar essas saídas com a vinda de jogadores capazes de ter rendimento imediato, ao nível do que era garantido pelos antecessores.

A legítima aposta em jovens valores é um trajeto que leva mais tempo, pelo que a entrada de nomes como Bruno Varela, Svilar ou Rúben Dias, obriga a um período de evolução que nem sempre se coaduna com as necessidades da equipa, caso os resultados não sejam positivos. É mais fácil valorizar ativos em momentos vitoriosos, veja-se os casos no passado de Renato Sanches ou Gonçalo Guedes, entre outros, do que em fases em que se está menos bem.

Tendo este plantel nas mãos, e depois de 2 anos de sucesso em que aplicou, com mérito, a fórmula que Jorge Jesus tinha implementado anteriormente no Benfica, Rui Vitória chegou à conclusão de que não tem jogadores para continuar a jogar no mesmo sistema tático. Assumiu um risco, ao mudar as ideias de jogo que foram trabalhadas ao longo de vários meses, passando a ter o 4-3-3 como estrutura preferencial, opção que trouxe melhorias à qualidade de jogo dos encarnados e que potencia as qualidades de Krovinovic, que dá mais imaginação e criatividade ao meio campo. Mas esta não é uma transição fácil e não surge de um dia para o outro.

A grande questão é perceber se este 4-3-3 tem pernas para continuar a crescer, ou se as movimentações das águias no mercado em janeiro serão feitas a pensar no regresso à fórmula inicial. Entretanto, a falta de um lateral direito capaz de dar mais profundidade ao jogo ofensivo parece ter sido detetada (de acordo com o que vamos vendo nas notícias). De resto, poderá fazer sentido a chegada de um médio centro (para cobrir as oscilações de forma de Pizzi) e de um avançado mais fixo para jogar na área.

Com um atraso de apenas 3 pontos para os rivais FC Porto e Sporting na liga, o Benfica está na luta (e numa situação bem melhor do que aquela em que estava há um mês) e aproxima-se de uma fase de decisões importante no que respeita a ajustamentos na sua equipa, ao mesmo tempo que vem aí o duelo com o Sporting, logo a abrir o ano, que pode muito bem determinar o caminho que a equipa irá trilhar na segunda volta, em termos de confiança e motivação. Uma coisa parece-me desde já certa: do ponto técnico e tático, Rui Vitória está a ter a temporada mais exigente e desafiante desde a sua chegada à Luz.



O Craque – Peça importante
Cristiano Piccini chegou esta época ao Sporting e rapidamente conquistou um lugar na lateral direita, posição em que os leões sentiram problemas no ano passado. O italiano tem sido uma das opções mais regulares (só falhou um jogo da liga portuguesa) e garantia de consistência defensiva, conseguindo também subir pelo corredor para apoiar na frente. Jogador alto, é também importante no jogo aéreo e, como se viu em Barcelona, pode ainda dar uma ajuda no centro da defesa. Tem sido uma peça importante no Sporting.

A Jogada – Lenda viva
Depois do prémio The Best, atribuído pela FIFA, Cristiano Ronaldo completou o seu "penta" com a entrega da sua 5.ª Bola de Ouro. Trata-se do reconhecimento de um jogador que já é uma lenda viva da história do futebol, que ano após ano se tem mantido a um nível competitivo muito alto e que, além dos prémios individuais também tem contribuído para conquistas coletivas. E a vontade de ganhar mais troféus e ser ainda melhor continua intacta, como se estivesse no início da carreira. E os recordes continuam a ser batidos. Com o golo apontado esta semana, tornou-se o melhor marcador de sempre em Mundiais de Clubes. Notável.

A Dúvida – Alargamento a caminho?
A reintegração do Gil Vicente na 1.ª Liga, após as decisões dos tribunais relativas ao "Caso Mateus" parecia estar definida para a época 2019/20, em função do memorando de entendimento subscrito por Liga, Gil Vicente e Belenenses. No entanto, a FPF pareceu dar a entender que pretende que esta situação seja resolvida de forma mais célere. A confirmar-se, falta saber que solução poderá ser encontrada para que isso aconteça. Teremos um alargamento do campeonato a 20 equipas na próxima temporada?

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