António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Desafios pela frente

Adicione como fonte preferencial no Google

As provas de clubes estão de férias, mas a partir de amanhã os adeptos portugueses poderão tirar a barriga de misérias com vários jogos das seleções nacionais. Taça das Confederações, Europeu de sub-21 e, algumas semanas depois, o Europeu de sub-19. Três provas para encarar com ambição, tendo a consciência de que teremos obstáculos complicados pela frente.

Portugal inicia este fim-de-semana uma histórica e inédita participação na Taça das Confederações, competição onde só marcam presença campeões continentais, campeão mundial e a seleção do país organizador. México, Rússia e Nova Zelândia são os nossos adversários. Rivais complicados, mas que temos capacidade de superar.

O México apresenta uma equipa estabilizada há vários anos, fruto de uma geração que brilhou com a conquista do ouro nos Jogos Olímpicos de 2012 e que conta com atletas ambientados ao futebol europeu, alguns deles em Portugal. Será um oponente difícil, que gosta de jogar bonito e para o qual teremos de ter a lição bem estudada. Uma entrada positiva na competição pode ajudar a nossa equipa a ganhar ainda mais confiança.

Enquanto país organizador, a Rússia fará tudo para dar uma boa imagem. Está a preparar o próximo Mundial e, a jogar em casa, mesmo tendo uma seleção inferior à de outros tempos, puxa para si algum favoritismo. Contudo, o futebol também se joga com trabalho e motivação e é de esperar uma partida extremamente complicada com os russos.

Seguir-se-á a Nova Zelândia, uma seleção mais desconhecida e sem grandes tradições no desporto-rei. Conta com alguns jogadores que atuam no futebol europeu, sobretudo nas divisões secundárias de Inglaterra, mas é uma incógnita. Porém, não se podem cometer deslizes e essa partida pode mesmo vir a ser decisiva para os portugueses.

No outro grupo, uma Alemanha sem as principais unidades, mas recheada de jovens talentosos, um Chile de enorme qualidade e candidato à vitória, uma Austrália que parece estar a crescer no panorama futebolístico e uma interessante seleção dos Camarões, de Aboubakar, são os potenciais adversários que podemos vir a encontrar nas meias-finais. Portugal tem legítimas aspirações de fazer uma boa prova e é isso que esperamos.

Nos sub-21, onde temos um grupo de jogadores com imensa qualidade, o sorteio ditou dois rivais no grupo que são também candidatos à vitória, Espanha (campeã europeia sub-19 em 2015) e Sérvia (campeã mundial de sub-20 em 2015). Partidas de exigência máxima, sem margem para erro, verdadeiros testes para os quais se espera que a qualidade lusa possa sobressair. Em julho, será a vez dos sub-19, com alguns dos miúdos que foram ao recente Mundial sub-20 presentes, mostrarem o potencial de mais uma geração com boas promessas.

Nota: Tudo indica que ainda vai correr muita tinta relativamente ao caso dos emails. Cabe à justiça averiguar e esclarecer todos estes desenvolvimentos. Seja qual for a conclusão que vier a ser feita sobre tudo isto, parece claro que este e outros casos vêm confirmar que, nos bastidores do futebol português, gravitam figuras, desconhecidas para a maioria do grande público, que não têm o comportamento mais adequado para ali estar. A FPF deve agir em conformidade e perceber o que se passa. No país campeão europeu é inaceitável que se possa sequer imaginar que certos responsáveis possam interferir no natural rumo das competições. Há que criar condições para uma maior transparência e combater a promiscuidade. Esse desígnio deve ser assumido. Assobiar para o lado não é solução.

O craque – Mobilidade e técnica

Peter Etebo foi uma das referências da fantástica época do Feirense. O jovem avançado nigeriano, internacional pela seleção principal do seu país, trouxe qualidade ao jogo dos fogaceiros e destacou-se na liga portuguesa pela boa técnica e mobilidade que revelou dentro de campo. Um jogador talentoso, com margem de progressão, que pode atuar em várias posições ofensivas, mas que também se sente bem a jogar em posição mais recuada, fazendo a ligação do jogo entre o meio campo e o ataque. O interesse de emblemas franceses no seu concurso acaba por não surpreender.

A jogada – Incapacidade de reter talento

A necessidade financeira dos clubes assim o obriga. O futebol português vai deixando sair os seus principais talentos cada vez mais cedo, sem que tenham ainda cumprido todo o processo de crescimento. Com apenas 41 jogos cumpridos na 1.ª Liga, o portista André Silva já fez as malas e assinou pelo AC Milan. No Benfica, Ederson alinhou em 37 partidas do campeonato e Lindelöf em 48. Gonçalo Guedes e Renato Sanches foram outros exemplos. Os negócios foram bons, mas… quanto valeriam os atletas se tivessem ficado mais uns anos a evoluir em Portugal?

A dúvida – Maior controlo

Ainda sobre as transferências de jogadores, torna-se cada vez mais importante, por uma questão de transparência, perceber quanto dinheiro entra efetivamente no cofre dos clubes após uma venda. Como sabemos, a FIFA proibiu a partilha de passes com terceiros, os chamados TPO (Third Party Ownership). Assim, empresários, grupos ou fundos não podem deter parte dos direitos económicos dos jogadores. Contudo, os relatórios e contas dos clubes mostram que nem sempre encaixam os valores anunciados. Quando surgirá a falada Casa das Transferências para controlar este fluxo financeiro no futebol nacional?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade