Desilusão leonina
O Sporting chega ao final da primeira volta da Liga em 4.º lugar a 8 pontos do líder, está fora das taças nacionais e afastado igualmente das competições europeias. Um cenário muito abaixo do que esperariam os ambiciosos Bruno de Carvalho e Jorge Jesus, assim como todo o universo leonino. Em plena campanha eleitoral para as eleições do clube, aos leões resta agora lutarem pelos 51 pontos que ainda estão em disputa no campeonato, que mesmo assim podem não ser suficientes para chegar ao topo da classificação.
A derrota com o Benfica na Luz parece ter sido um momento crítico para o Sporting, sobretudo do ponto de vista anímico. Da possibilidade de chegar à liderança, o grupo viu-se com um atraso de 5 pontos para o rival lisboeta, sendo que esse fosso pontual acabou por aumentar nas jornadas seguintes. Numa situação destas é precisa muita força mental para que a resposta dentro de campo mantenha a equipa na luta. O desânimo é um dos grandes adversários internos que se tem de combater e não se pode deixar alastrar a todo o grupo e estrutura.
Dento de campo, e futebolisticamente falando, há que o dizer: este Sporting é mais fraco do que o do ano passado. As saídas de João Mário, Téo Gutiérrez e Slimani, assim como as quebras de rendimento de alguns jogadores nucleares do onze base, como Bryan Ruiz, penalizaram a equipa. Em contraponto, o avançado holandês Bas Dost foi o único reforço que, até ao momento, se mostrou uma verdadeira mais-valia para o clube.
Quer isto dizer que este leão tem menos soluções do que no ano anterior. Por um lado, a saída de três titulares obrigou Jesus a colocar a equipa a jogar de maneira diferente, algumas contratações tardam em afirmar-se e a verdade é que, em determinadas posições, não foi ainda encontrado um ‘dono’ para o lugar, o que tem travado a evolução da equipa. Soluções para as laterais, um jogador para jogar perto do ponta-de-lança e segundas linhas fiáveis para darem cobertura a Adrien Silva e William Carvalho parecem necessárias. O regresso de João Palhinha é, nesta perspetiva, uma das soluções já encontradas.
São dificuldades que Jorge Jesus não teve no ano anterior, quando encontrou e potenciou uma equipa base estabilizada de anos anteriores, num trabalho iniciado por Leonardo Jardim e continuado por Marco Silva. Por outro lado, a par de algumas contratações falhadas, resta saber se a motivação de alguns jogadores, muito assediados pelo interesse de clubes estrangeiros no início da temporada, ainda é a mesma ou se isso está a afetar a sua produtividade.
A situação é delicada. Falar em crise parece exagerado se compararmos com aquilo que era a realidade do clube há quatro anos. No entanto, o momento é chave para não voltar a cair nos problemas do passado. As eleições do clube, neste timing, podem ter esse aspeto positivo de trazer um momento de reflexão junto do universo leonino, sobre o que se deve mudar e o que se pretende para o futuro.
Bruno de Carvalho tem virtudes e defeitos. É impulsivo e vive o clube de uma maneira muito própria. Teve mérito na gestão contida e rigorosa dos primeiros anos, assim como no maior rendimento da equipa de futebol, mas ainda não conseguiu o retorno desportivo pretendido, por via do forte investimento feito recentemente. Tem agora um novo desafio pela frente. Renovar a crença dos adeptos.
O craque -- Dragão seguro
Durante a primeira volta do campeonato, Iker Casillas manteve as redes da baliza portista intactas em 11 jogos. Os dragões não sofreram golos em 65% das partidas, o que configura um registo muito positivo. Alvo de tantas críticas (muitas vezes injustas) num passado recente, o guardião espanhol está num excelente momento e é uma peça essencial na jovem equipa do FC Porto. Está a transmitir segurança aos companheiros de setor e exibe uma confiança que faz lembrar os seus melhores dias. Os números não desmentem: é o melhor guarda-redes da Liga até ao presente momento.
A jogada -- O mentor da pantera
O Boavista surpreendeu na Luz e muito se deve à forma organizada e destemida com que a equipa de Miguel Leal se apresentou no terreno, explorando fragilidades defensivas que ainda não se tinham visto no Benfica. É justo destacar o trabalho de um técnico que, depois de duas boas épocas ao serviço do Moreirense, dá mostras de estar a revitalizar a qualidade de jogo dos axadrezados, incutindo-lhes maior atrevimento e vontade de ter a bola em zonas mais avançadas. Fica agora a curiosidade de ver até onde pode evoluir este Boavista.
A dúvida -- Candidato europeu?
À quinta jornada, o Marítimo tinha apenas 3 pontos e estava em penúltimo lugar. Chegou Daniel Ramos ao comando técnico e, desde então, tudo mudou. A equipa conquistou 23 pontos em 12 jogos, encontrando-se no 6.º lugar do campeonato. Atualmente, o conjunto madeirense atravessa mesmo um ciclo de 3 vitórias consecutivas na liga e dá sinais de ter margem de crescimento para esta segunda volta. O último apuramento do Marítimo para as competições europeias ocorreu em 2011/12. Terá esta equipa capacidade para lutar por um lugar europeu?
