Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Ditadura do mercado

A corrida já começou, mas parece evidente que os motores de cada equipa têm ainda muito a afinar. Os clubes portugueses continuam a sina de, em pleno Agosto, terem de ir montando uma equipa base sem terem a composição dos seus plantéis definida. É a ditadura do mercado que o determina e quem melhor antecipar as movimentações de entradas e saídas ganhará uma ligeira vantagem para o arranque da época.

Com o primeiro objetivo da época, o playoff da Liga dos Campeões, a ser disputado agora, o FC Porto tinha necessidade de montar o seu plantel mais cedo. Porém, ao contrário de outros anos, o atraso na obtenção de mais-valias provenientes da venda de jogadores e na colocação de excedentários (para aliviar a carga salarial) acabou por condicionar a aposta em novos jogadores.

Ironia do destino, na partida com a Roma, a jogar contra 10 e a precisar de marcar, o plantel dos dragões revelou-se curto em soluções ofensivas para tentar chegar à vitória. E com a equipa a meter a bola várias vezes na grande área adversária, a precisar de gente para ganhar lances no ar, a partida pedia um jogador com o perfil de Depoitre, reforço belga que não pôde ser inscrito.

Nada está perdido, mas a missão ficou mais complicada. Jogando com a matéria-prima que tem ao dispor, o FC Porto terá de ter uma prestação muito consistente na capital italiana para conseguir trazer consigo o bilhete de entrada para a liga milionária. Esse jogo poderá também ditar o eventual reforço da equipa em determinados setores. A procura de um central parece ser real. E as dificuldades sentidas, na primeira meia hora de jogo com os italianos, pelo meio campo azul e branco, são um alerta de que poderá faltar um elemento criativo.

No Sporting, a casa também ainda se constrói. O grande problema parece ser a falta de avançados, que se pode agudizar mais se Slimani vier a sair. No entanto, numa temporada em que se realiza a Taça das Nações Africanas (CAN), que pode privar a equipa do ponta de lança argelino durante cerca de um mês, os leões estão forçados a encontrarem alternativas para a frente de ataque.

Perante a potencial saída de João Mário, falta perceber se Jorge Jesus encontrará o substituto dentro do próprio plantel (Meli, Bruno César ou Gélson?) ou se necessitará de um novo jogador para aquela posição específica, onde se pede profundidade no corredor direito, mas também envolvimento no jogo interior. Por seu lado, e olhando para as notícias que vão surgindo, a defesa pode ser também um setor a reforçar, apetrechando a equipa para uma época exigente em termos de calendário. O plantel "espremido" do ano anterior precisará de mais soluções para discutir Champions e competições internas em simultâneo.

Entre os 3 grandes, o Benfica é o que parece ter o elenco mais estabilizado até ao momento, mas tudo pode mudar. A concretização de algumas vendas poderá levar o clube a redefinir prioridades. O interesse em Rafa, quer se concretize ou não, mostra que poderá querer mais uma solução ofensiva, sobretudo para o lugar que costuma ser ocupado por Jonas. Por seu lado, a saída de um central das águias (ou mais de um, se Lindelöf for mesmo vendido) pode abrir vaga para a chegada de um novo jogador.

Faltam pouco mais de 10 intensos dias para o fecho do mercado. Para os treinadores serão momentos de incerteza, com os quais terão de conviver e tentar manter as equipas a carburarem sem acidentes. Para os dirigentes, momentos fulcrais que podem determinar o êxito ou não de uma época.

Craque - Um salto esperado

Peça chave no onze do Sporting, João Mário foi um dos nomes mais falados nas últimas semanas. Depois da positiva campanha no Euro 2016, que valorizou ainda mais a cotação do jogador, o assédio de clubes europeus intensificou-se e, ao que tudo indica, fará com que o jovem médio seja o protagonista da próxima grande transferência do futebol português. Para os leões, será um excelente negócio, mas não deixa de ser uma baixa importante que terá de ser colmatada. Para o jogador, pode ser um salto desportivo (e financeiro) numa carreira que tem tudo para ser brilhante.

A Jogada - Que no futuro seja diferente

Portugal foi derrotado pela Alemanha nos quartos-de-final do torneio olímpico e terminou assim uma participação digna, mas que poderia ter sido mais ambiciosa, não fossem os obstáculos que Rui Jorge encontrou para formar a equipa. Muitos jogadores perderam, possivelmente, a oportunidade de uma carreira, para estarem num evento único. E Portugal perdeu a chance de chegar a uma medalha com uma geração de grande qualidade. Resta fazer votos para que todos os agentes (FPF, clubes e jogadores) se possam entender no futuro em prol de uma prova que deveria ser desígnio nacional.

A Dúvida - Despedidas com frieza

Luisão poderá sair do Benfica. Um jogador que ao longo das últimas 14 temporadas se tornou uma referência no clube e um líder dentro e fora de campo. É certo que ninguém é eterno e, sinal dos tempos, carreiras longas como a do central nos grandes clubes portugueses são casos cada vez mais raros. No entanto, é notório o modo relativamente frio e racional, tal como aconteceu com Hélton no FC Porto, como os nossos clubes se têm despedido das suas glórias. É ou não uma forma de saída pela porta pequena?

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