António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Efeitos do mercado

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1 - Pela primeira vez, o mercado de transferências fechou mais cedo em Inglaterra. Encerrou ontem, um dia antes do arranque da Premier League (Manchester United e Leicester City iniciam hoje a prova). Este encurtamento do período de mercado é uma decisão pioneira que vem dar resposta a uma pretensão que há muito tempo era reivindicada pela maioria dos treinadores e alguns agentes desportivos. Um avanço que será positivo.

Em vez de estarem todos à espera do dia 31 de agosto, em busca da melhor oportunidade de negócio e no habitual jogo de paciência entre compradores e vendedores para perceber qual das partes vai ceder, é possível fazer tudo mais cedo. A verdade é que as transferências dos clubes ingleses não se deixaram de fazer até ao dia de ontem. E, deste modo, os plantéis ficam definidos antes do início das competições, as equipas podem trabalhar com maior tranquilidade e planear a época em termos desportivos e financeiros com mais estabilidade e menos imprevistos de última hora.

As vantagens desta medida parecem evidentes e seria excelente que a FIFA pudesse intervir no sentido de estender este fecho do mercado a todas as ligas europeias. É algo que o organismo tem vindo a discutir internamente e que, também em função dos resultados que se vierem a observar da experiência inglesa, poderá futuramente tomar alguma decisão nessa direção.

2 – Analisando este fecho de mercado em Inglaterra por outro ângulo, poderá ocorrer um fenómeno interessante. Sendo esta a competição que tem as equipas (na sua generalidade) com maior poder de compra, poderá ter sido feita aqui uma espécie de ‘triagem’ na seleção dos melhores atletas. Hoje em dia, as equipas inglesas facilmente desembolsam 20/30 milhões para adquirirem um jogador de futebol, o que as coloca no topo da hierarquia.

Por seu lado, o dinheiro investido pelos clubes ingleses fora do seu país poderá alimentar um pouco daquelas que serão as movimentações dos restantes clubes europeus. Em função das saídas verificadas, acabarão por colmatar algumas lacunas existentes nos seus plantéis e terão de contratar reforços. No entanto, e salvo algumas exceções como Real Madrid, Barcelona ou Juventus, dificilmente os valores atingirão as dimensões das maiores transferências ocorridas na liga inglesa.

Quer isto dizer que os clubes portugueses continuarão até ao dia 31 com os seus elencos indefinidos. Embora os maiores predadores do mercado (Inglaterra) já não possam contratar mais, continuam a surgir emblemas interessados em investir que podem atacar neste timing, precisamente por não terem a concorrência dos emblemas ingleses, esperando ganhar com isso alguma margem negocial. No sentido oposto, os clubes portugueses continuarão igualmente à espreita de oportunidades que eventualmente possam surgir para reforçarem as suas equipas e preencherem as vagas que têm abertas. Já que se intensificará a tentativa de colocação de atletas que ambicionavam uma transferência para outros destinos e que não conseguiram até ao momento.

3 – Enquanto as equipas lusas vão arrumando a casa, com as últimas entradas e saídas, verificam-se de momento os casos curiosos e coincidentes com Jonas e Marega. À beira da saída ou da renovação? Os goleadores máximos de Benfica e FC Porto no campeonato passado têm muita influência nas suas equipas. A saída de algum pode ter implicações na dinâmica e da própria ideia de jogo que os treinadores terão de adotar posteriormente. Podem ser baixas com impacto, se não forem devidamente acauteladas.

O craque -- O valor da experiência

Num defeso em que o FC Porto viu partir dois laterais-direitos (Ricardo Pereira e Diogo Dalot), a continuidade de Maxi Pereira no plantel tornou-se dossiê prioritário no sentido de garantir estabilidade no eixo defensivo. Jogador experiente, conhecedor do clube e do nosso futebol (vai iniciar a 4.ª temporada no FC Porto e 12.ª na liga portuguesa), será um elemento importante nesta fase. E como se viu na final da Supertaça, em que foi um dos melhores em campo, o defesa uruguaio é um elemento importante para Sérgio Conceição.

A jogada -- Boa situação para passar

Embora tenha sido uma vitória curta (1-0), o Benfica garantiu uma vantagem importante para encarar com otimismo a 2.ª mão da 3.ª pré-eliminatória da Champions, na Turquia, frente ao Fenerbahçe. A equipa marcou e não sofreu golos, pelo que está numa boa situação para poder resolver a eliminatória a seu favor. Na próxima semana, os turcos serão forçados a arriscar mais e as águias, se fizerem jogo focado e inteligente, poderão tirar proveito disso de modo a ficarem mais perto da taluda milionária que irá calhar aos clubes que vencerem os playoff seguintes.

A dúvida -- Agressividade vs. violência

A época começou, para não variar, com uma arbitragem polémica. Com um intuito de combater a enorme quantidade de faltas marcadas e o antijogo, as instruções dadas aos árbitros pelo Conselho de Arbitragem, passam por deixar jogar mais, com vista à ocorrência de menos faltas. O princípio é positivo e faz sentido, já que a liga portuguesa é das que tem maior número de faltas assinaladas e menor tempo útil de jogo. No entanto, permitir agressividade não é o mesmo que deixar atos violentos impunes. E algumas equipas poderão vir a abusar da dureza. Estarão os árbitros preparados para isso?

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